O termo “violência” é caracterizado pela Organização Mundial da Saúde, a OMS, como um uso intencional de força física ou de poder, seja na realidade ou apenas em ameaça, que possa causar danos a si próprio, outras pessoas ou comunidades. A partir dessa definição mais geral de violência, é válida a reflexão: será que nossas palavras e gestos são capazes de causar danos a outras pessoas? Se sim, como seríamos capazes de utilizar uma comunicação não violenta?

Desde esse ponto, podemos pensar em quais seriam inúmeros os benefícios de conseguir abordar uma situação de um ponto de vista pacífico, sem causar danos nem a nós mesmos, nem a outras pessoas. Os ambientes de trabalho e de convívio social poderiam se tornar muito mais leves, saudáveis e descomplicados. 

Vamos conferir mais sobre esse conceito, sua utilização e história, assim como algumas dicas de como colocá-la em prática no dia a dia? Confira o conteúdo preparado especialmente para você a seguir:

O que é Comunicação não violenta?

Comunicação não violenta é um conjunto de técnicas que visam uma comunicação mais empática e que vão de encontro com um pensamento mais humanizado e menos discriminatório, necessário para os dias atuais.

Segundo o criador do termo e da teoria da CNV, Marshall Rosenberg (apresentado mais adiante), esse tipo de comunicação deve ser considerada como um lembrete de manter nossa atenção focada em um âmbito em que mais provavelmente vamos conseguir o que queremos. 

Desse modo, essa teoria acredita que somos capazes de conseguir resultados ainda mais promissores se utilizarmos uma linguagem afetuosa, levando a um maior crescimento individual e social. 

A Comunicação não violenta pode ser utilizada em qualquer esfera da vida, incluindo relações íntimas, escolares, familiares, profissionais, na terapia, conflitos, aconselhamentos, negociações, disputas, debates, entre outros, e envolve não só o que falamos, mas também gestos, comportamentos, expressões…

O que caracteriza uma comunicação violenta?

Diferentemente da comunicação não violenta, uma comunicação violenta é aquela que cerceia a liberdade, nega o reconhecimento de necessidades, diminui o valor de indivíduos e não age de forma empática

Muitas vezes, ela é resultado de construções comunicativas que envolvem linguagem manipuladora e coercitiva, e leva a quem escuta ou fala a se sentir com medo, culpado, triste e/ou punido.

É importante ter em mente que, na maioria das vezes, a comunicação violenta não vem com grosserias ou utilização de palavras de baixo-calão. Muitas atitudes podem ser consideradas violentas sem nem ao menos percebermos

Comunicações violentas ocorrem nos seguintes formatos:

1. Julgamentos Morais e constante avaliações desmedidas;

Acontece quando há insultos, demérito de pessoas, rotulações, críticas infundadas, diagnósticos baseados em pré-conceitos e colocação de alguém como “errado” ou “errada”. 

Exemplos:

  • Meus colegas de trabalho são muito preguiçosos;
  • Todo mundo entendeu, exceto você.
  • Como eu queria que minha equipe fosse igual a sua;

2. Negar ter responsabilidade por ações, atos e pensamentos.

Utilizar sentimentos, ações e pensamentos como forma de culpar outras pessoas, usando forças impessoais, regras, autoridades, regulamentações e limitações sociais para impor algo que representa uma vontade ou necessidade nossa. 

Exemplos:

  • Eu odeio brigar com você, mas é o que amigos devem fazer de vez em quando.
  • Olha, eu não acho que é justo dar mais tempo para você cumprir essa tarefa.
  • Não posso falar sobre isso aqui, são regras da companhia. 

3. Demandar

Envolve geralmente ameaças ou punições. 

Exemplos:

  • Se você não consegue aprender o básico, acho melhor você desistir.
  • Caso você não seja uma pessoa que aprende rápido, seu lugar não é conosco. 
  • Vou ter que dar uma avaliação negativa caso você não cumpra sua tarefa. 

4. Impedir sentimentos empáticos

Envolve percorrer compreensões intelectuais em prol de “consertar” uma situação que necessitaria de apoio emocional e empático. Em vez disso, a pessoa dá uma lição, interroga ou fornece conselhos não solicitados. 

Exemplos:

  • Não precisa se preocupar. Se você trabalhar direitinho, tudo dará certo.
  • Que pena que você foi demitido(a). Pelo menos é mais experiência para você da próxima vez!
  • Desde quando você está doente? Já foi a uma consulta médica? Quando você volta ao trabalho? Acha que consegue entregar sua tarefa até o fim de semana?

Marshall Rosenberg: a origem da comunicação não violenta!

Na década de 60, o psicólogo norte americano Marshall Rosenberg desenvolveu uma nova abordagem para a resolução de conflitos baseados em grandes líderes mundiais, como Martin Luther King e Mahatma Gandhi. Tal abordagem foi testada no seu trabalho em conjunto com os movimentos sociais que aconteciam em sua cidade natal, Detroit.

Por muito tempo, sua teoria foi utilizada por muitas pessoas, inclusive educadores, treinadores e colegas do ramo ao redor do mundo. Apesar disso, seu primeiro livro sobre o assunto só foi publicado no ano de 1999. A comunicação não violenta continuou a se desenvolver com o passar dos anos, alcançando outros ramos ainda mais distantes, como desenvolvimento pessoal, terapia, trabalho social, gerenciamento de negócios, etc. 

Qual a importância das técnicas da Comunicação não violenta?

A comunicação não violenta anda lado a lado com a identificação de nossas necessidades. Desse modo, a importância principal da comunicação não violenta é a possibilidade de compreender quais são nossas necessidades não compreendidas e das pessoas ao nosso redor. Assim, podemos de fato começar a pensar em como resolver conflitos.

Outros pontos pelos quais a utilização das técnicas da comunicação não violenta é importante:

  • Ajuda a criar relações interpessoais mais satisfatórias;
  • Permite a resolução de conflitos;
  • Faz com que a honestidade seja vista com bons olhos, ao conseguirmos priorizar nossas necessidades.
  • Ajuda no desenvolvimento de habilidades de escuta ativa.

Quais são os 4 fatores que compõem a Comunicação não violenta?

A Comunicação não violenta é composta por quatro fatores principais, e são eles:

a) Consciência

É a compreensão de que todas as pessoas possuem necessidades únicas que as levarão a se comportar de determinada maneira. Essa consciência faz com que seja possível viver uma vida de empatia e colaboração com as demais pessoas. 

b) Linguagem

A linguagem é o elo principal de toda comunicação humana. É por ela que somos capazes de transmitir mensagens e decodificar códigos que exprimem nossos anseios, desejos, necessidades e sentimentos. Desse modo, os signos (como palavras, sinais) são componentes primordiais da forma como nos relacionamos, nos conectamos e até motivo de nosso possível distanciamento de certas pessoas. 

c) Empatia

Saber quando e como ouvir as demais pessoas, mesmo em discordância, é um dos fatos primordiais da CNV. A empatia não é somente para com as outras pessoas, mas conosco também. Devemos ser capazes de reconhecer quando precisamos de algo e saber pedir por isso. 

d) Relações de Poder

Saber como utilizar sua influência para as demais pessoas é um dos pilares da comunicação não violenta. Você, sendo uma pessoa educadora, líder ou gestora, sabe compartilhar seu poder com as demais pessoas, ou você a utiliza diretamente nelas? A compreensão das relações de poder e como elas se adequam na comunicação é importante, uma vez que isso pode gerar medo e angústia em pessoas menos influentes. 

O que não é comunicação não violenta

Por conta do conceito de violência estar muito semanticamente relacionado ao conceito de agressão, é comum que algumas ideias sejam pré-estabelecidas acerca desse termo. Vamos conferir algumas coisas que NÃO representam comunicação não violenta.

Comunicação não violenta não significa:

  • Controlar-se ou falar de forma comedida;
  • Uma alteração no tom de voz ou no vocabulário;
  • Parar de utilizar palavras de baixo calão;
  • Evitar conflitos
  • Um conjunto de termos técnicos

20 perguntas para treinar a CNV!

Os quatro passos apresentados anteriormente são mais gerais e poderão se aplicar a diversas situações. Entretanto, muitas situações vão apresentar conflitos únicos e com uma variação e complexidade de sentimentos tão grande que nem sempre será tão fácil comunicar-se de forma não violenta. 

Assim sendo, vamos conferir cinco situações diferentes, cada qual com perguntas que auxiliarão você a treinar a adoção de uma comunicação não violenta. Confira:

ESCUTA ATIVA

Selecione uma pessoa que você não se dá bem em sua vida e pergunte-se:

Pergunta #1 — Calçando os sapatos de outras pessoas

  • “A minha capacidade de sentir empatia muda quando eu penso do ponto de vista dessa outra pessoa?”

Pergunta #2 — Dê atenção total

  • “Antes de mudar para o próximo assunto, eu compreendi de fato tudo que tinha para ser compreendido?”

Pergunta #3 — Explicitando o que foi dito pela outra pessoa

  • “Eu gostaria de saber se eu compreendi exatamente o que você disse, posso repetir?”

Pergunta #4 — Explicitando o que foi dito por você

  • “Será que houve algo que eu disse que poderia ser mal interpretado?”

RESOLUÇÃO DE CONFLITOS

Utilize para quando houver pontas soltas em relacionamentos interpessoais, ou questões não resolvidas. 

Pergunta #1 — Compreensão de ambos os lados

  • “Eu explorei as questões de ambos os lados, inclusive as que não são tão evidentes?”

Pergunta #2 — Identificação

  • “Eu fui capaz de identificar quais dessas questões é a mais urgente para ambos os lados?”

Pergunta #3 — Plano de ação

  • “Eu consegui montar um plano de ação que soluciona ambas questões mais urgentes, e, ao menos, algumas das outras questões menores?”

Pergunta #4 — Cooperação

  • “Eu adotei um tom de cooperação durante todo o processo e permiti que a outra pessoa atuasse tanto quanto eu na resolução?”

ACALMANDO-SE, DEIXANDO CONFLITOS E VOLTANDO A ELES

Utilize para quando você tiver um acesso de raiva e não conseguir mais discutir no momento.

Pergunta #1 — O melhor momento para sair

  • “Quais são os sinais que me dizem que é melhor não discutir no momento?”

Pergunta #2 — Acalmando-se

  • “O que foi que me acalmou quando eu deixei o conflito suspenso por um momento?”

Pergunta #3 — Insight

  • “O que eu percebo agora que eu me acalmei que eu não conseguia perceber antes e o que eu queria naquele momento?”

Pergunta #4 — Voltando à discussão

  • “Agora que me acalmei, percebi o que eu queria e o que não conseguia ver quando estava com raiva, qual a melhor abordagem para voltar ao assunto em questão?”

CAINDO EM ARMADILHAS DA COMUNICAÇÃO VIOLENTA

Perguntas para se fazer quando notar que talvez sua comunicação não esteja sendo tão empática.

Pergunta #1 — Teimosia

  • “Eu estou insistindo no mesmo pensamento repetitivamente, mesmo sabendo que ele não me leva a lugar nenhum?”

Pergunta #2 — Não ouvindo a outra pessoa

  • “Eu consegui ouvir absorver alguma coisa que a pessoa me disse?”

Pergunta #3 — Persuasão

  • “Eu estou insistindo excessivamente em uma ideia que a outra pessoa não quer e estou utilizando de mecanismos de manipulação para conseguir essa solução?”

Pergunta #4 — Críticas

  • “Será que eu estou apenas criticando a pessoa em vez de tentar compreendê-la?”

ATRIBUIÇÃO DE CULPA

Reflita nessas perguntas quando tentar identificar se está transferindo a culpa para outras pessoas. Volte e centre-se apenas nos seus sentimentos e necessidades. 

Pergunta #1 — Ferindo outras pessoas

  • “Eu estou dizendo coisas com intenção de machucar, pois não sei expressar minhas necessidades?”

Pergunta #2 — Sentimentos de culpa ou vergonha

  • “Eu estou conseguindo lidar com os sentimentos de culpa/vergonha que estou tendo agora?”

Pergunta #3 — Mudando focos

  • “Eu estou tentando culpabilizar outra pessoa por um sentimento que é exclusivamente meu?”

Pergunta #4 — Frustração

  • “Esse sentimento é de fato raiva ou é apenas frustração por conta de uma necessidade minha?”

Exemplos de Comunicação não violenta na vida real!

Vamos conferir agora alguns exemplos adotados que ilustram a utilização de uma comunicação não violenta. Cada um desses exemplos é, na verdade, uma adaptação de exemplos utilizados nos escritos do próprio idealizador da teoria, o Marshall Rosenberg.

a) Exemplo de CNV no ambiente escolar

Suponhamos que haja uma pessoa educadora, em uma escola de educação infantil primária, que tenha muita dificuldade com uma criança de difícil temperamento. Tal criança não se relaciona bem com colegas, e adota postura agressiva sempre que alguém se aproxima (como bater, cuspir ou xingar).

A pessoa educadora então propõe que a criança comece a utilizar uma comunicação não violenta com os amigos e amigas. Dessa forma, a criança teria que dizer o que estava sentindo sempre que algo que a incomodasse acontecesse, como por exemplo: “Poderia se afastar da minha carteira, por favor? Eu sinto raiva quando as pessoas ficam muito próximas de mim”.

Por meio disso, a pessoa educadora é capaz de identificar as raízes das frustrações e das necessidades não compreendidas da criança. Isso faz com que ela se sinta mais livre e possa expressar maior criatividade em sala de aula, resultando em um comportamento menos agressivo e mais empático.

b. Exemplo de CNV no ambiente hospitalar

O ambiente hospitalar é um dos mais difíceis de se estabelecer uma comunicação que seja não violenta, isso porque é um ambiente repleto de pessoas passando por situações difíceis em suas vidas. 

Suponhamos que haja um médico ou médica que tenha pacientes com quadros irreversíveis, ou seja, doenças as quais as curas ainda não foram encontradas. Tal profissional poderia, ao invés de nutrir medo e angústia, demonstrar que tem interesse real em escutar a pessoa paciente e ajudá-la a enxergar como viver sua vida dia após dia da melhor forma. 

Isso fará com que as pessoas pacientes se acalmem e sejam gratas, e, em troca, o médico ou médica terá maior motivação em prosseguir com sua carreira e profissão, sendo capaz de enxergar pacientes além de suas condições médicas.

c. Exemplo de Marshall Rosenberg

Marshall Rosenberg conta que utilizou CNV em um processo de relações internacionais em Belém, na Palestina, enquanto acompanhava um campo de refugiados. Conta o psicólogo que uma das pessoas que o ouviam chamou-o de assassino — fazendo referência ao seu país de origem, os Estados Unidos da América, que tem um histórico de fornecimento bélico a países como a Palestina, fomentando a guerra.

O impulso comum nesse caso seria proteger-se e explicar que mesmo que ele faça parte de um país, ele pode não compactuar com sua atuação. Entretanto, Marshall apenas ouviu a pessoa e compreendeu que a origem desse “ataque” a sua pessoa vinha de uma profunda necessidade que tinha de um lugar digno e seguro para viver, assim como educação de qualidade, liberdade política, e outras condições de vida básicas. 

Essa compreensão fez com que a raiva da pessoa se dissipasse e ela passasse a enxergar Rosenberg como um aliado. Mais tarde, o psicólogo foi convidado para jantar na casa da pessoa. 

Os 4 passos para adotar a comunicação não violenta!

Também conhecido como “ciclo da comunicação não violenta”, esses 4 passos são essenciais na adoção de comportamentos que levarão a sua comunicação a ser menos violenta. Vamos conhecê-los?

1 – Atenção

Esse primeiro passo envolve distanciar por um minuto da situação e observá-la com cautela. Ouça, veja e utilize todos os demais sentidos com bastante atenção para averiguar a situação no momento. É crucial que, nesse primeiro momento, essa observação seja apenas uma exposição consciente dos fatos, sem nenhum juízo de valor. Afinal, para a CNV, a observação é diferente do julgamento.

Esse primeiro passo vai garantir que você se prepare para os passos seguintes, afinal, aumentará sua percepção e compreensão da situação. 

2 – Questionamento interno

Após coletar informações suficientes acerca da situação que acabou de ocorrer, é hora de ter sinceridade em relação aos próprios sentimentos. Não é fácil a tarefa de tentar reconhecer qual o sentimento que está aflorado no momento, nem mesmo quando se trata de nós mesmos. 

É importante não sentir culpa ou vergonha por sentimentos, sejam eles quais forem. Pois, ignorá-los ou fingir que eles não existem resultará em uma possível comunicação violenta, sem contar que o próximo passo não será possível. 

3 – Compreensão das necessidades

É crucial conseguir identificar quais são os sentimentos envolvidos no momento, já que eles estão intimamente ligados com alguma necessidade. Tanto os sentimentos quanto as necessidades andam na mesma direção, em conjunto. Dessa forma, compreender os sentimentos permitirá que haja uma abertura para a compreensão das necessidades

As perguntas que surgirão são: “por qual razão eu me sinto assim?” ou “ O que eu preciso para parar de me sentir assim?”. Após identificadas as necessidades por meio dessas respostas, você poderá, por fim, realizar a proposta para a outra parte do conflito. 

4 – Proposta

Uma vez que você notou que existe uma necessidade que lhe incomoda, é o momento de tentar resolvê-la. Desse modo, apresente, de forma empática também com os sentimentos e necessidades de outras pessoas, uma proposta ou pedido. Caso a pessoa se recuse ou não consiga, tente mudar a proposta até atender sua necessidade ou até a pessoa compreender o que necessita ser feito ou dito. 

Deve-se manter em mente que a proposta deve ser bem elaborada e pautada em objetivos assertivos e explícitos, para não causar confusão na mensagem. 

Uma vez que você foi capaz de fazer isso para você mesmo, repita o processo colocando-se no lugar da outra pessoa envolvida no conflito. Assim, será mais fácil compreender as necessidades da outra pessoa e tentar chegar a um ponto em comum em que ambas necessidades sejam satisfeitas. 

Dinâmicas de CNV: como montar exercício para praticar

As dinâmicas, tanto em grupo como individualmente, são atividades que ajudam a fixar algum conhecimento ou levar-nos a uma reflexão acerca de determinado tópico. Separamos duas dinâmicas para se fazer focando no aprendizado de comunicação não violenta, confira:

Ações e Intenções

Essa dinâmica foi criada para ser feita individualmente. 

  1. Pegue um pedaço de papel.
  2. Escreva nesse pedaço de papel, utilizando uma caneta ou lápis, algo que você disse ou fez que deixou você refletindo acerca dessa ação.
  3. No verso escreva qual a intenção pelo qual você realizou a ação.
  4. Agora, embaixo, vá aprofundando e escrevendo razões mais íntimas ou internas.
  5. Reflita sobre o exercício.

Essa dinâmica é importante para fazer com que pensemos melhor em nossas ações e intenções. Você ajudou uma pessoa no trabalho, pois você quer vê-la progredir ou porque sabia que a pessoa supervisora estaria olhando? Você fez a tarefa de alguém para ajudá-la ou ensiná-la uma lição? 

É importante sinceridade nesse processo, lembrando que os sentimentos de culpa e vergonha são naturais e não devemos afastá-los, apenas aprender a lidar com eles. 

Faz-de-conta

Essa dinâmica deve ser feita em duplas. Cada pessoa integrante da dupla representará um papel. A primeira pessoa tentará personificar a empatia, e a outra tentará fazer o exato oposto disso. Após alguns minutos de conversação, troquem de papel. 

Após a atividade, pratiquem um pouco de CNV e compartilhem como cada pessoa se sentiu em cada papel. Essa atividade é importante para ilustrar como a ausência de empatia pode despertar sensações ruins e angustiantes, assim como também reforça a importância de uma comunicação não violenta

CNV para Educadores: qual a importância no ensino formal?

A comunicação não violenta auxilia em diversas áreas. Entretanto, a área da educação tem um ganho adicional com essa prática, uma vez que ela torna o processo de aprendizado mais fluido e garante melhores relações interpessoais em sala de aula. 

Normalmente, os problemas encontrados em sala de aula por diversas pessoas educadoras consistem em: 

  • Constantes insatisfações acerca da matéria e da aula;
  • Faltas e Abstenções;
  • Alunos e alunas nem sempre entregam as avaliações;
  • A expectativa de aula da pessoa educadora acaba se distanciando demais da realidade
  • Estudantes dormem, usam aparelhos eletrônicos e não prestam atenção.
  • A pessoa educadora termina exausta e com uma relação desgastada com os alunos e alunas. 

Para adotar a CNV em sala de aula, algumas mudanças são necessárias. A pessoa educadora precisa mudar sua própria comunicação primeiro e depois ensinar como se comunicar de maneira não violenta para os alunos e alunas. Depois, todas as regras e questões das aulas precisam ser repensadas de forma a não ferir as diretrizes da CNV, como já demonstramos acima como pode acontecer. É preciso sempre esperar o melhor dos alunos e alunas para conseguir ter uma aula positiva e construtiva

Com uma correta implementação da comunicação não violenta em sala de aula, várias vantagens poderão ser observadas, como já relatado por educadores e educadoras que o fizeram:

  • Maior interesse na aula e interação entre estudante-professor;
  • Menor resistência para conversar;
  • Maior independência por parte de estudantes;
  • Sugestão de assuntos adicionais que gostariam de aprender;
  • Maior zelo com materiais;
  • Estudantes trazem outros e outras que não estavam vindo para a sala;
  • Falam abertamente sobre gostar da aula e sentir falta dela.

Os 3 melhores livros sobre Comunicação não violenta!

Caso você tenha se interessado e queira aprender mais sobre o assunto, livros são sempre uma forma efetiva de adquirir conhecimento. Dessa forma, vamos conhecer os três melhores livros sobre Comunicação não violenta que estão disponíveis no mercado:

  1. Comunicação não violenta: Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais
Livro Comunicação não-violenta

Livro de autoria do próprio Marshall Rosenberg, é ideal para quem ainda não sabe muito sobre o tema e quer se aprofundar. Esse livro é o trabalho que fez o psicólogo se consolidar no ramo. No livro, ele ensina fundamentos para identificar sentimentos, resolver conflitos e criar relações interpessoais. 

  1. Vivendo a Comunicação Não Violenta
Livro Vivendo a comunicação não violenta

Também de Rosenberg, esse livro oferece também uma introdução à CNV, mas aplica a teoria a âmbitos mais pessoais da vida, como a educação dos filhos, a espiritualidade, relações amorosas e reconciliações. É interessante por abordar a comunicação não violenta em um âmbito mais prático que o anterior. 

  1. A linguagem da paz em um mundo de conflitos: sua próxima fala mudará seu mundo
Livro a linguagem da paz em um mundo de conflitos

Diferentemente dos anteriores, que ofereciam uma introdução à comunicação não violenta, esse livro traz uma coletânea de histórias do autor enquanto esteve mediando conflitos em lugares empobrecidos e assolados por guerras. Juntamente a essas histórias, Rosenberg demonstra quais foram as técnicas e ferramentas utilizadas para continuar mantendo a paz e resolvendo conflitos. 

A Comunicação não violenta é uma forma de se conectar com o mundo a sua volta de uma forma mais empática e altruísta, promovendo a paz e a cordialidade. Por meio desses ideais, podemos melhorar nossos relacionamentos e relações pessoais, além de, consequentemente, também conseguirmos suprir nossas necessidades mais latentes e que tanto nos fazem dano. 

Gostou do nosso texto sobre Comunicação não violenta? Saiba que Marshall Rosenberg se inspirou muito em Carl Rogers para criar sua teoria, outro grande visionário que pensou a Psicologia Humanista. Conheça mais sobre ela!

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