Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade College London (UCL) e da University of Sheffield, ambas no Reino Unido, revelou que cirurgias robóticas para remover tumores na bexiga e realizar a reconstrução do órgão permitem uma recuperação mais rápida do paciente, reduzindo o tempo de internação em 20%. 

Os resultados dos testes clínicos, publicados na revista acadêmica The Journal of the American Medical Association (JAMA), mostram ainda que a cirurgia robótica pode reduzir a probabilidade de reinternação em 52% e a formação de coágulos em 77%, sendo este último uma das causas de complicações de saúde e morbidade.

Outro método utilizado pelos cientistas foi avaliar os dados de um sensor inteligente wearable que monitorou os passos dos pacientes diariamente. A conclusão foi que a cirurgia robótica também melhorou os níveis de exercícios físicos, energia e qualidade de vida.

No caso das cirurgias abertas, o médico tem contato direto com o paciente e realiza grandes incisões na pele e nos músculos. Uma das vantagens da cirurgia assistida por robótica, portanto, é que ela permite ao cirurgião guiar remotamente instrumentos minimamente invasivos, com o auxílio de um console e visão 3D. 

Benefícios aos pacientes e ao sistema de saúde

De acordo com os pesquisadores, apesar das cirurgias robóticas estarem se popularizando, ainda há poucos dados clínicos sobre os benefícios gerais para a recuperação dos pacientes. 

Equipe em uma sala de cirurgia.
Além das possíveis aplicações em contextos hospitalares atuais, o estudo também indica algumas tendências futuras para o campo da saúde.

O artigo recente se destaca ao conseguir provar que, em comparação com as cirurgias abertas convencionais, as cirurgias assistidas por robôs são capazes de reduzir o tempo de internação, as chances de reinternação, e ainda aumentar os níveis de atividade física e qualidade de vida. 

O que os cientistas não esperavam, no entanto, foi descobrir que a tecnologia também resulta em uma redução na formação de coágulos. Isso significa que esse tipo de cirurgia é um procedimento seguro e com menos complicações para o paciente, permitindo que ele retome a sua rotina normal mais rápido. 

Ao analisar as conclusões do estudo em uma escala mais ampla, o fato de os pacientes receberem alta mais rápido e apresentarem menos complicações contribui para que o sistema de saúde não fique sobrecarregado.

Tendências futuras

Além das possíveis aplicações em contextos hospitalares atuais, o estudo também indica algumas tendências futuras para o campo da saúde. Como exemplo, os autores do artigo citam que o monitoramento dos exercícios de caminhada dos pacientes pode indicar quais deles precisam do acompanhamento de um enfermeiro ou antecipar exames de rotina. 

Por enquanto, as cirurgias abertas ainda são o “padrão-ouro” do NICE para cirurgias de alta complexidade, sendo que a tecnologia proposta pelos cientistas está disponível apenas em um número limitado de hospitais no Reino Unido. A expectativa é mudar isso ao desafiar a recomendação atual com as evidências apresentadas no artigo. 

Portanto, os autores do artigo já estão solicitando que o National Institute of Clinical Excellence (NICE) disponibilize a tecnologia como uma opção clínica em todo o Reino Unido, para que seja utilizada em grandes cirurgias abdominais, como colorretal, gastrintestinal e ginecológica.

Cerca de 10 mil pessoas são diagnosticadas com câncer de bexiga anualmente no Reino Unido, sendo realizadas mais de 3 mil cirurgias para a retirada e reconstrução do órgão. É um dos cânceres mais caros de serem tratados.

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