De olho no mercado de startups da América Latina, onde já investiu mais de 2 bilhões de dólares, a aceleradora americana Y Combinator (YC) colocou a cidade de Maringá, no Paraná, no horizonte do Vale do Silício. A incentivadora de novos negócios do mercado de tecnologia investiu US$ 125.000 na Datlo, empresa que nasceu em 2019 na cidade paranaense. A companhia foi selecionada para a turma mais recente da YC.

Fundada pelo geógrafo Mateus Felini, que de início investiu R$ 1.500 no negócio,  a Datlo oferece uma plataforma de análise de dados para clientes de grande porte, como a Ambev e Cargill. Quando surgiu, a startup começou como um serviço de consultoria para ajudar empresas locais de Maringá a analisar onde seria melhor abrir filiais. 

Mateus fazia sozinho todo o trabalho, mas percebeu que precisaria usar a tecnologia para expandir a companhia. Rapidamente, entendeu que seu público não queria receber os relatórios que fazia com dados públicos, mas sim informação rápida e de fácil entendimento e acesso.

Foi assim que, no começo de 2020, ganhou a companhia do economista Naamã Mendes Júnior e da programadora Raisa Spagnol na sociedade, com o objetivo de estruturarem juntos uma plataforma que pudesse ser operada pelas próprias empresas. 

A iniciativa deu certo. Hoje, a Datlo vende, por meio de assinatura, o acesso a uma ferramenta que reúne dados sobre empresas, populações, educação, agronegócio e setor bancário. A interface do aplicativo é simples e, bastam alguns cliques, para visualizar em um mapa dados sobre a população das cidades, como onde moram as pessoas com maior escolaridade ou renda. 

Basta os clientes cruzarem as informações disponíveis com os da sua própria operação para definir onde abrir as filiais, colocar campanhas de marketing na rua e direcionar suas equipes de vendas. 

De olho em mais startups brasileiras

O preço do serviço pode variar de R$ 2.000 a R$ 20.000 por mês, dependendo do número de usuários que vão manejar a ferramenta mensalmente. A startup já tem cerca de 30 clientes – a maioria com faturamento acima de R$ 100 milhões por ano. A Datlo não é a primeira startup brasileira a receber aporte da Y Combinator

A gigante do Vale do Silício, que já fundou mais de 3 mil empresas desde 2005, está “namorando” os pequenos negócios brasileiros há alguns anos. Até 2020, pelo menos 20 empresas nacionais foram impulsionadas pela aceleradora americana, entre elas as plataformas Quinto Andar, Buser e Madeira Madeira. 

Em âmbito global, a YC é uma das patrocinadoras de grandes marcas: Airbnb, DropBox e Rappi. Em 2019, a brasileira Quero Educação, que distribuiu bolsas de estudos para ensino fundamental, médio, superior e de idiomas a mais de 500 mil alunos, ficou entre as 100 maiores startups da YC. 

Um dos principais atrativos das empresas brasileiras para investimentos da YC é o grande índice de uso de smartphones. A cada nova turma aberta para concorrer ao aporte, pelo menos três companhias brasileiras se inscrevem. 

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