Softwares de modelagem 3D têm como uma de suas ferramentas principais a possibilidade de transformar objetos bidimensionais em tridimensionais. Plug-ins e add-ons adiantam o trabalho de artistas, criadores e desenvolvedores de jogos, mas boa parte do tempo ainda é dedicada a aprender usar o tal software.

Agora, graças à NVIDIA, este trabalho pode ser adiantado em alguns cliques. Nomeada NVIDIA 3D MoMa, a nova tecnologia foi apresentada nesta semana durante a Conferência sobre Visão Computacional e Reconhecimento de Padrões (em Nova Orleans, EUA). 

A ferramenta, de acordo com a NVIDIA, pretende “capacitar arquitetos, designers, artistas conceituais e desenvolvedores de jogos a importar rapidamente um objeto para uma engine gráfica” em ambiente virtual. Eles também publicaram o vídeo detalhado que você pode conferir abaixo:

Conforme explicado no blog da empresa, o primeiro passo para criar o exemplo do vídeo foi coletar cerca de 100 imagens dos instrumentos musicais (trompete, trombone, saxofone, bateria e clarinete) de diferentes ângulos. O MoMa então replicou as imagens 2D e gerou representações tridimensionais de cada instrumento.

A próxima etapa foi remover os objetos do ambiente original (onde a foto foi tirada) e aplicá-los diretamente na plataforma NVIDIA Omniverse 3D, própria da empresa, para manipulação e edição. Os instrumentos foram então editados e receberam novos materiais: o trompete foi de um plástico barato para um material dourado de luxo.

Relocalizando-os, a NVIDIA optou por colocar os instrumentos em uma caixa Cornell, usada para testar a qualidade da renderização. A empresa diz que todos os instrumentos reagiram à luz “como fariam no mundo real”. Ou seja, os instrumentos de metal refletiram de maneira brilhante, enquanto as peles dos tambores absorveram a luz. Por fim, os objetos 3D foram renderizados em uma cena animada.

Benefícios da MoMa a longo prazo

Esta técnica pode fornecer a estúdios de jogos, por exemplo, uma maneira simples de alterar imagens e cenas criadas por eles. A técnica de conversão (chamada também de fotogrametria) calcula pontos semelhantes e pode gerar malhas 3D, porém, o trabalho ainda costuma ser demorado.

foto de uma mulher tirando fotos de um trompete amarelo em dois ângulos diferentes
O primeiro passo para criar o exemplo do vídeo foi coletar cerca de 100 imagens dos instrumentos musicais (trompete, trombone, saxofone, bateria e clarinete) de diferentes ângulos.

Como informa o portal The Next Web, o 3D MoMa funciona acelerando a tarefa por meio da renderização inversa. O processo usa inteligência artificial para estimar os atributos físicos de uma cena (tanto geometria como a iluminação) ao analisar imagens estáticas.

David Luebke, vice-presidente de pesquisa gráfica da empresa, reconhece que este é um grande passo para quem atua no setor. “Ao formular cada parte do problema de renderização inversa, como um componente acelerado pela GPU, o pipeline de renderização NVIDIA 3D MoMa usa o maquinário de IAs ​​modernas e a potência computacional bruta das GPUs NVIDIA para produzir objetos 3D”, diz.

Como de costume em softwares como Blender, Maya e Cinema 4D, no MoMa os objetos gerados são malhas triangulares, altamente compatíveis com os programas citados. Desta forma, é fácil editá-los com ferramentas utilizadas por diversos estúdios. O diferencial é que a iluminação da cena também é calculada, habilitando os criadores a modificar os efeitos que ela incide sobre os objetos.

O tempo que leva esse processo? Apenas uma hora, em cada GPU Tensor Core. Por referência, os Tensor Cores compõem a linha de alto desempenho da NVIDIA, desenhados especialmente para lidar com tarefas exigentes – diferente das placas de vídeo dedicadas a rodar/criar jogos, por exemplo. Até por isso que temos uma faixa de preço equivalente à performance: uma Tesla M10 GPU de 32GB custa cerca de R$40 mil aqui no Brasil.

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