Saber conduzir um processo de comunicação interpessoal é uma habilidade realmente necessária, tanto para a vida pessoal como para a profissional. 

Na vida pessoal, ela é responsável por como resolvemos nossos conflitos, nos posicionamos e nos relacionamos com outras pessoas.

Já na vida profissional, ela desempenha um papel importantíssimo no ambiente de trabalho, sendo fator crítico para a satisfação, a motivação e produtividade de pessoas funcionárias, atuando diretamente no sucesso da empresa. 

No entanto, apesar de parecer algo básico, nem todas as pessoas desenvolveram plenamente essa habilidade. 

Isso pode acabar sendo um obstáculo no desenvolvimento pessoal e profissional. 

Caso queira entender mais sobre como a comunicação interpessoal funciona e ainda conferir, em passos simples, como podemos fazer para desenvolvê-la, você precisa ler nosso conteúdo abaixo:

Boa leitura!

O que é Comunicação Interpessoal?

Duas mulheres um uma comunicação interpessoal

A comunicação interpessoal é aquela que se estabelece entre duas pessoas

É estranho pensar nessa definição quando, para nós, todo tipo de comunicação mais evidente é interpessoal. Porém, ela se torna mais evidente a partir do momento que compreendemos que há diversos tipos e maneiras de comunicar-se (e nem sempre essa comunicação envolve uma pessoa diretamente do outro lado). 

Vamos pensar em um narrador de um livro. Quando ele apresenta os fatos pertencentes a uma narrativa, ele está dialogando com uma pessoa leitora. No entanto, essa pessoa leitora não está presente. Essa comunicação se dá indiretamente, ou seja, ela não é exatamente interpessoal nesse sentido. 

Por outro lado, a comunicação interpessoal também é bastante abrangente. A partir do momento que duas pessoas se tornam conscientes da presença uma da outra em um mesmo contexto, o canal é estabelecido e qualquer ação servirá como comunicação, sejam olhares, uma tosse para quebrar o gelo, uma postura, uma expressão facial, um gesto…

Até mesmo o fato da ausência desses elementos comunica algo — que não há vontade de ambas as partes de se iniciar um diálogo. Porém, a comunicação está instaurada com sucesso. 

Um ponto importante é: as pessoas não precisam estar realmente no mesmo ambiente para que haja a comunicação interpessoal. Elas precisam apenas de uma “conexão” entre elas. Posteriormente, explicaremos melhor a função dessa “conexão”, também chamada de Canal. 

Como exemplo, você pode considerar duas pessoas que se tornam online e disponíveis em um aplicativo de troca de mensagens. Mesmo não estando fisicamente presente, a comunicação interpessoal ainda acontece. 

Qual a diferença entre comunicação interpessoal e intrapessoal?

Como definimos acima, a comunicação interpessoal depende da existência de mais de uma pessoa em um mesmo contexto, mesmo que esse contexto não seja físico. 

Por outro lado, temos a comunicação intrapessoal. Como o nome sugere, essa comunicação não necessita de mais pessoas, afinal, você será tanto remetente quanto destinatário da sua própria mensagem

Sabe quando estamos a sós e começamos um monólogo, discutindo questões internas e inerentes a nós enquanto seres humanos? Isso é um exemplo de comunicação intrapessoal: quando ela ocorre de você para você. 

Como funciona a comunicação interpessoal?

Assim como todo tipo de comunicação, a essência da comunicação interpessoal foi amplamente discutida por meio das teorias da informação, pensadas por diversas pessoas linguistas e estudiosas do tema. Como não é nossa intenção, não entraremos nos pormenores de cada versão e modelo de comunicação. Sendo assim, utilizaremos o mais simples e conhecido, de Roman Jakobson. Dentro de sua teoria, encontramos os elementos:

  • Remetente: Pensa em uma informação, codifica a mensagem e envia para o     destinatário.
       
  • Destinatário: Recebe a mensagem, a decodifica e processa a informação.
       
  • Mensagem: Informação codificada de uma maneira que ambos Remetente e     Destinatário consigam interpretar.
       
  • Contexto: Informações paralelas e prévias que ambas partes precisam ter     antes de se iniciar o processo de troca de informação.
       
  • Código: Forma de transmitir a informação por meio de uma mensagem em um canal físico. Se for por voz, por exemplo, por meio da fala, precisamos de uma língua específica. Se for escrita, de sinais gráficos referentes a uma língua, etc.
       
  • Canal: Conexão psíquica e física que existe entre Remetente e Destinatário. 

Além desses elementos, ainda existe o ruído. Muitas pessoas colocam o ruído como elemento, porém, não o consideramos assim por ser um fator externo ao processo de comunicação e não desempenhar nenhuma função primordial. O ruído é qualquer coisa que possa atrapalhar qualquer um dos elementos de comunicação de cumprir com sua função. Pode ser um barulho, uma interrupção, uma das partes não ter o contexto, etc.

Ainda, em seu modelo não existe a presença de “Feedback”, apesar de muitas pessoas adicionarem esse elemento adicional. O motivo para isso é que esse elemento, que em tese é a resposta imediata dada pelo Destinatário, não faz tanto sentido ao pensarmos que qualquer comunicação feita partindo do Destinatário para o Remetente representa uma inversão do sistema, ou seja, um novo processo diferente começando do zero.

Abaixo, você encontrará como funciona a comunicação no geral, incluindo a interpessoal, no sistema de Jakobson:

Modelo de Teoria da Informação Jakobson

Primeiramente, a comunicação se dá em determinado contexto, com um Remetente e um Destinatário inseridos em uma situação conhecida para ambos e com informações pré-determinadas.

O Remetente selecionará a informação que deseja transmitir, converterá em uma mensagem por meio de um código e, por meio de um canal estabelecido, enviará essa mensagem para o Destinatário.

Esse receberá a mensagem, decodificará o código e assimilará a informação. A partir desse momento, o processo de comunicação encerrou o turno. Ele começará novamente, agora com a pessoa Destinatária sendo Remetente e vice e versa.

Quais são as 4 tipos de Comunicação Interpessoal?

A comunicação interpessoal pode ser reconhecida em diversos tipos. Aqui, trouxemos os quatro tipos principais e mais relevantes para que você possa conhecê-los. Confira:

1. Verbal

A comunicação verbal é aquela que acontece por meio da fala, ou seja, por meio da utilização de “signos linguísticos”. Esses signos são informações que a gente tem com a gente de como dizer algo e o que ela representa. Eles existem somente em oposição uns aos outros. Ou seja, se dissermos a palavra “cachorro” entenderemos animal de quatro patas, canídeo, doméstico, etc. E sabemos que é um cachorro porque ele não é um gato.

No entanto, é importante ter em mente que nem sempre esse signo será uma unidade lexical, ou seja, uma palavra. Muitas vezes, ele pode ser somente um som. Assim, interjeições como “ahan” e “humm” podem ser exemplos de comunicação verbal.

2. Não verbal

A comunicação não verbal é aquela que não envolve nenhum processo de língua ou fala. Ou seja, é aquela na qual a mensagem é transmitida de outras formas, como gestos, olhares, posicionamento do corpo, presença… Ainda nessa categoria se encontram também subtipos de comunicação vinculados à arte, como dança, música clássica, arte visual, etc.

Em linhas gerais, tudo que não envolve palavras diretamente pode se encontrar nessa categoria.

3. Escrita

A comunicação interpessoal escrita também é um tipo importante, essencialmente nos dias de hoje. Apesar de ela poder sim ser incluída dentro da comunicação verbal (afinal, ainda usamos a mesma língua e sistema linguístico de comunicação), ela pode ter sua própria categoria caso considerarmos como requisito que essa comunicação necessite de um sistema gráfico que representa os sons, como o alfabeto.

Assim, sempre que estivermos transcrevendo uma mensagem para um código alfabético, estaremos utilizando a linguagem escrita. Um exemplo é quando você envia um SMS para o número de alguém, há uma comunicação interpessoal, porém, ela é feita de modo escrito.

4. Escutar

Esse é curioso, afinal, pouca gente considera escutar parte do processo de comunicação. No entanto, ele também é um tipo essencial, muitas vezes. Pensemos no modelo apresentado acima. Se o Destinatário não receber a mensagem e fizer o esforço de decodificá-la, interpretá-la e processá-la, de nada adianta a comunicação.

Pense em alguma situação em que você estava no celular, vendo as redes sociais ou jogando um jogo e alguém disse algo para você. Você sabe que alguém disse alguma coisa, mas você não consegue lembrar-se do que foi dito. Nesse caso, essa tentativa de comunicação acabou sendo um ruído para a principal comunicação que você estava estabelecendo no momento, com seu celular.

Logo, escutar é um tipo de comunicação interpessoal muito importante. Podem haver momentos em que somente esse tipo de comunicação interpessoal é efetiva, quando por exemplo, uma pessoa está muito chateada e precisa desabafar. O fato de você estar somente escutando já comunica para a pessoa que ela pode se sentir tranquila, confortável e segura com você.

Quais são as principais habilidades envolvidas no processo de comunicação interpessoal?

Ao considerarmos habilidades de um processo de comunicação interpessoal, precisamos pensar em como nos desenvolver para evitar ruídos, sermos pessoas ouvintes cada vez mais atentas e, acima de tudo, como entregar com eficácia uma mensagem. Logo, algumas habilidades comunicativas podem ser citadas. Primeiramente:

1. Organização do discurso

Aqui, dizemos organização não como um processo de deixar suas coisas no devido lugar, mas como estruturar o seu discurso para que ele possa ser melhor interpretado e carregar menores ambiguidades. A habilidade de organização do discurso requer um profundo entendimento de como a outra pessoa funciona para que você possa estruturar o que quer dizer de uma maneira que fique mais fácil de ser compreensível.

2. Didática

A didática é uma habilidade de comunicação útil em qualquer âmbito profissional e pessoal. Ela se traduz na capacidade de conseguir ensinar um conceito ou transmitir um conhecimento mais técnico de uma maneira que todas as pessoas sejam capazes de compreender, independentemente do nível de conhecimento.

Podemos pensar, por exemplo, em pessoas professoras que, em prol de ensinar estudantes informações novas, se utilizam de paralelos com a vida real, metáforas, processos mnemônicos para memorização… Tudo isso em prol de construir uma lógica que faça com que a aprendizagem seja mais fácil. A isso chamamos didática.

3. Coesão e coerência

Muitas vezes, quando estamos com amigos em um bar ou outro lugar confortável, falando sobre o que gostamos, acabamos por nos deixar levar pela situação, falando de diversos assuntos e tópicos ao mesmo tempo. Porém, trazer isso para outros contextos pode não representar uma vantagem.

Em ambientes profissionais, por exemplo, é muito mais efetivo que as pessoas consigam compreender a informação de maneira objetiva, coerente e “sem rodeios”. Adicionalmente, saber criar uma coesão entre as informações apresentadas (por exemplo, mostrar quando ideias são opostos, são similares, adicionais) com a ajuda de conectivos corretos permite que mal-entendidos não ocorram.

4. Falar em público

Tradicionalmente usamos o modelo de duas pessoas conversando como convenção, para facilitar a aprendizagem. No entanto, diversos momentos da nossa vida exigem que nossa comunicação interpessoal aconteça com mais de uma pessoa simultaneamente. Logo, é importante conseguir desenvolver essa habilidade social para fazer com que essa exposição de fatos seja mais efetiva.

Nesse aspecto, por exemplo, passa pelas competências necessárias ser capaz de ler a audiência e compreender o que deve ser dito, como deve ser dito e o que é mais provável de prender a atenção da maioria delas, pensando no contexto geral.

5. Comunicação Não Violenta

A comunicação não violenta é um conceito pensado por Marshall Rosenberg que busca técnicas e posicionamentos que permitam uma comunicação interpessoal com menores chances de conflitos e maior empatia. Essa habilidade é interessante de ser desenvolvida pois pode trazer enormes benefícios para como construímos nossos relacionamentos.

Qual a importância da comunicação interpessoal?

Para entendermos a importância da comunicação interpessoal em um contexto geral, precisamos dar um passo para trás e analisarmos um pouco o comportamento humano. Do ponto de vista estrutural, é sabido que as pessoas precisam de um sentimento de pertencimento e conexão para se sentirem seguras. Adicionalmente, queremos o tempo todo que as outras pessoas gostam da gente, da nossa companhia tanto quanto gostamos e precisamos delas.

E isso não surge do nada. Essa é uma estratégia de sobrevivência. Se estamos juntos, conseguimos pensar melhor, resolver problemas, adaptar e sobreviver. Isso pode ser transportado para qualquer outra área de nossas vidas. Por isso, saber como comunicar-se e entregar uma informação é essencial. Pode ser isso que separa uma equipe de sua produtividade dentro do ambiente de trabalho, por exemplo. Se as pessoas envolvidas não conseguem conversar entre si, elas não conseguem ajudar umas as outras a resolverem problemas, ou seja, elas se tornarão menos motivadas, mais suscetíveis ao erro e menos produtivas.

Com a comunicação interpessoal, portanto, conseguimos ao mesmo tempo fazer com que nos sintamos confortáveis e seguros em um contexto e melhorar a qualidade de nossos relacionamentos, causando um fortalecimento dos vínculos. Isso ajudará também na compreensão de como os outros são e como eles veem o mundo.

O que é a comunicação interpessoal nas empresas?

No tópico anterior, começamos a trazer o contexto empresarial para a comunicação interpessoal. Dentro de empresas, a comunicação interpessoal é o que permite que ela possa se estruturar, desenvolver e crescer. Afinal de contas, quem faz uma empresa são as pessoas que nela trabalham. Se elas não conseguirem se comunicar, a empresa poderá estar fadada ao fracasso.

Podemos usar como exemplo a famosa narrativa mítica da Torre de Babel, que serve também como um mito da origem das diferentes línguas. De acordo com a lenda, a civilização babilônica tentou construir uma torre tão alta que chegasse até Deus. Irado, este decidiu confundi-la fazendo com que cada pessoa falasse uma língua diferente. Sem conseguir se comunicar, a construção foi abandonada.

A lenda antiga mostra o quanto a comunicação é um fator primordial para a construção de algo grandioso. Sem esse tipo de comunicação em nosso ambiente de trabalho, a empresa poderá estar fadada ao fracasso.

Qual a importância da comunicação interpessoal nas empresas?

A partir do que foi dito, podemos destacar alguns pontos de importância da comunicação interpessoal nas empresas, como:

  • Permite com que equipes possam discutir e chegar em uma melhor solução     para uma situação;
       
  • Permite uma melhor compreensão e desenvolvimento da cultura empresarial;
       
  • Evita que aconteçam erros desnecessários por falta de comunicação efetiva;
       
  • Ajuda na construção de um ambiente saudável e de melhores vínculos;
       
  • Permite que pessoas colaboradoras desenvolvam melhor suas carreiras.

Qual a importância da comunicação interpessoal na liderança?

Dentro do contexto empresarial, a comunicação interpessoal é componente crucial na relação entre pessoas colaboradora e liderança, exatamente por conta dos seguintes motivos:

  • Faz com que a liderança possa transmitir exatamente as tarefas e expectativas, evitando que a equipe entenda errado e acabe se tornando frustrada e desconectada;
       
  • Ajuda a criar uma abertura e confiança entre liderança e pessoas colaboradora;
       
  • Ajuda no processo de troca de gerência;
       
  • Permite à liderança identificar pontos fracos e ajudar as pessoas     colaboradoras a realizarem seu trabalho corretamente;
       
  • Permite uma melhor resolução de conflitos dentro de equipes.

Qual a importância da comunicação interpessoal na área de Tecnologia?

Aos olhos de muitas pessoas, a área de Tecnologia é solitária, pois a impressão de que se dá é que as pessoas estão o tempo todo trabalhando diretamente com computadores, máquinas e outros aparatos tecnológicos. A realidade é que essa visão não poderia estar mais errada.

Pensemos numa equipe de desenvolvimento de software para uma aplicação em específico. Todas essas pessoas trabalharão em diferentes frentes e partes de um mesmo projeto. Ao chegar até a pessoa cliente, esse produto final deverá funcionar como um único processo. Para que isso aconteça, toda essa equipe deverá se comunicar e garantir que todos os processos feitos se encaixam perfeitamente uns nos outros.

Do contrário, pessoas podem adotar padrões diferentes, diferentes linguagens de programação, fazer ou refazer tarefas desnecessárias, tudo isso impactando na qualidade final do produto.

Esse exemplo ajuda a gente a ver que há muito mais do que parece na indústria de TI, e que a principal habilidade interpessoal por trás disso tudo é a comunicação.

Em quais situações se utiliza a comunicação interpessoal?

É praticamente impossível conseguir resumir toda a utilização da comunicação interpessoal. No entanto, algumas principais atuações podem ser destacadas.

A comunicação interpessoal é efetiva para:

  • Dar e receber informações gerais;
       
  • Influenciar emoções e comportamentos;
       
  • Persuadir;
       
  • Criar e regular vínculos afetivos e profissionais;
       
  • Ajudar a definir o mundo a nossa volta;
       
  • Expressar necessidades e expectativas;
       
  • Tomar decisões;
       
  • Resolver problemas;
       
  • Antecipar e prever situações.

Como melhorar a comunicação interpessoal em 7 passos!

Se você chegou até aqui, significa que você já tem conhecimento de sobra sobre comunicação interpessoal, desde como ela funciona até sua importância. Ele é necessário para que agora você possa começar a colocá-lo em prática. 

Não se preocupe se você não tiver a menor ideia de como você pode fazer isso, pois, preparamos um passo a passo para ajudar você no processo. É importante você notar que tais passos não são lineares, ou seja, você não precisa fazer um somente após o outro estar completamente resolvido. Ao contrário, você deve trabalhá-los em simultâneo, retornando a um anterior quando necessário.

Confira:

PASSO 1: Compreenda o modelo de comunicação

Um pouco acima, demonstramos como a comunicação funciona no geral e seu modelo. Enquanto que esse é um conceito bastante simples na teoria, na prática ele acontece das mais variadas e imprevisíveis maneiras. Por isso, antes de começar a desenvolver a comunicação interpessoal, você deve compreender profundamente como esse modelo se aplica na vida real.

Para tal, você pode observar processos de comunicação, fazendo observações mentais sobre a utilização da comunicação verbal, da não verbal e dos comportamentos adotados. Ao analisar esse processo, considere as seguintes informações:

  • Quem são as partes envolvidas no processo (quem é destinatário e quem é remetente);
       
  • Quais são as mensagens sendo trocadas;
       
  • Se há algum ruído interferindo no processo;
       
  • Qual possivelmente é o contexto;
       
  • Como se dá o turno de fala (quando o destinatário se torna remetente e vice e versa).

PASSO 2: Entenda quais habilidades você precisa desenvolver melhor

Todo mundo é capaz de se comunicar. Efetivamente ou não, é outra conversa! Por conta disso, veja quais áreas da comunicação interpessoal você acredita que precisa melhorar. Pode ser que você se atrapalhe em frente a uma grande audiência. Ou então que você não consiga finalizar uma história sem criar tantos parênteses a ponto de confundir quem escuta.

Seja como for, esse primeiro momento é de autoconhecimento e reconhecimento das habilidades pouco desenvolvidas. Assim, você será capaz de direcionar sua atenção para elas.

  • DICA: Se você estiver com problemas para realizar essa identificação, peça para pessoas amigas, familiares ou colegas ajudarem você, dizendo sinceramente em que pontos sua comunicação deixa de ser tão eficaz.    

PASSO 3: Comece aprendendo a ouvir

A melhor maneira de começar a praticar comunicação interpessoal é aprendendo a ser uma melhor pessoa ouvinte. Poucas pessoas sabem ouvir e, quando o fazem, não fazem por completo, selecionando somente a parte da informação que lhes é necessária.

Portanto, a primeira prática a se fazer é ouvir. Deixe que alguém lhe conte algo por completo sem nenhuma interrupção ou interferência. Reflita se você está se permitindo entender todas as nuances da mensagem entregue. Tente enxergar o que está sendo dito por outras perspectivas e opiniões que não sejam as suas.

Ao aprender a ouvir, você estará preparando-se para tomar o turno de fala e realmente contribuir com algo substancial para a conversa.

  • DICA: Se você achar esse passo muito difícil, coloque na sua cabeça como um mantra que você escutará a pessoa para compreendê-la, para fortalecer seus laços e para verdadeiramente entender a mensagem. Afaste a ideia de que você deve ouvir somente para selecionar a melhor resposta.    

PASSO 4: Desenvolva a inteligência emocional

O termo “Inteligência emocional” está bastante em alta ultimamente. O motivo para isso foi que essa habilidade se demonstrou necessária em todos os âmbitos. Ela diz respeito à capacidade de uma pessoa em conseguir gerenciar e se responsabilizar por emoções que não somente são suas como de outras pessoas ao seu redor.

Essa difícil tarefa envolve outra habilidade muito importante: a empatia. Na empatia, conseguimos verdadeiramente nos colocarmos no lugar do próximo, sem julgamentos prévios. Esses dois conhecimentos são cruciais para desempenhar uma melhor comunicação interpessoal.

Ao saber ouvir, compreender o sentimentos seus e de outra pessoa, além de poder colocar-se no lugar dela e saber como ela está se sentido, você será capaz de conduzir a conversa para que ela seja completamente funcional e proveitosa.

  • DICA: Comece a notar como as emoções interferem na comunicação. Como o tom de voz e a escolha de palavras muda se você estiver triste, feliz ou com raiva. As emoções também podem representar ruídos que atrapalham na comunicação interpessoal e em momentos em que você precisa falar em público, por exemplo. 

PASSO 5: Evite ao máximo tirar conclusões precipitadas

Muitas vezes, quando estamos em uma conversação com outras pessoas, acabamos por inferir certas informações e tirar conclusões prévias sobre o que está sendo dito. O motivo para fazermos isso está nas nossas crenças e experiências prévias. Diversas vezes acreditamos que o que já vivemos e sabemos é absoluto, ou seja, não pode ser diferente. Porém, isso muitas vezes leva ao erro.

Quando uma pessoa entende que você está tirando conclusões pautadas em informações que podem não representar a realidade, elas podem se sentir desmotivadas em continuar a conversa e acabar se fechando. Por isso, é importante fazer a prática de abordar uma conversação com mente aberta e disponibilidade para aprender e corrigir, se necessário, a visão de mundo.

  • DICA: Evite frases generalizantes como “Toda vez”, “sempre”, “nunca”, “tudo”, “nada” e prefira uma abordagem mais sutil e relativa. Adote a postura de dar feedbacks como “Ainda não     tinha pensado por esse lado”, “Isso é realmente algo importante para se refletir”, “Seu ponto de vista é bastante     interessante…”.    

PASSO 6: Reconheça os erros de comunicação

Erros de comunicação infelizmente voltarão a acontecer, mesmo com a melhor pessoa comunicadora do mundo. O motivo para isso é que existem milhares de outros motivos para que ela falhe, que vão além das habilidades de comunicação propriamente ditas.

Por isso, se acontecer, não se culpe! Peça desculpas e busque remediar a situação. Depois, analise onde foi exatamente o que deu errado nesse processo, analisando o que poderia ter sido feito para que esse erro não tivesse acontecido.

Com isso, você estará aprendendo na prática como você pode melhorar para as próximas vezes. O mais importante é estar disponível para errar e, quando isso acontecer, conseguir desviar do sentimento de culpa para que seja possível uma análise eficaz da situação.

PASSO 7: Pratique, pratique, pratique!

Não tem segredo com as habilidades interpessoais. Você precisa se lançar e praticar! A diferença dessa prática é que ela precisa ser guiada, ou seja, você deve ter plena noção do que está fazendo e de que você deve aprender com o processo. Caso isso não aconteça, você estará desperdiçando a oportunidade de extrair o máximo de experiência possível da situação.

Por isso, após passar por todos os passos anteriores, saia por aí e comece a interagir e comunicar-se com as pessoas ao seu redor!

BÔNUS: Como melhorar a comunicação interpessoal no trabalho remoto?

Com a necessidade de ter que ficar em casa por um período por conta da quarentena, diversas empresas se adaptaram a um regime Home Office, trabalhando parcialmente ou exclusivamente de maneira remota.

Com isso não tendo previsão para retornar à “normalidade” de antes (afinal, as vantagens desse sistema podem ser muitas), percebeu-se que havia um novo desafio para as empresas: como manter a mesma comunicação interpessoal efetiva de quando todas as pessoas estavam presencialmente na empresa?

Algumas dicas podem ser adotadas para ajudar a reajustar esse período e manter a mesma energia e motivação de antes, como:

  1. Deve haver uma preocupação maior com a comunicação interna;
       
  2. A liderança deve entender que cada pessoa precisará de uma atenção um pouco mais personalizada na comunicação. Ou seja, não dá para abordar todas as pessoas da mesma forma nesse regime;
       
  3. Soluções mais novas e modernas devem ser implementadas para ajudar a melhorar e manter esse relacionamento.

Qual a diferença entre comunicação interpessoal e relacionamento interpessoal?

A diferença entre ambos conceitos se dá pela abordagem que cada um apresenta de acordo com a sua perspectiva.

A comunicação interpessoal é um conceito que é utilizado dentro do campo do estudo do discurso e da linguística como uma forma de descrever como duas ou mais pessoas se comunicam entre si de todas as maneiras possíveis.

O relacionamento interpessoal está mais associado a uma perspectiva social e psicológica para tentar compreender as implicações das relações entre dois ou mais indivíduos dentro de um contexto social. Exemplos de relacionamentos interpessoais são a amizade, o amor, o casamento, o contrato de trabalho, o respeito, etc.

Apesar de geralmente esses conceitos se apresentarem juntos, isso não necessariamente é uma regra.

A comunicação interpessoal pode ocorrer sem que necessariamente haja um relacionamento interpessoal direto entre as pessoas envolvidas. Pense que você entra em um elevador de um prédio comercial para uma visita não rotineira e, lá dentro, tem uma pessoa que você não conhece. Durante o tempo que vocês estiverem no mesmo contexto, haverá uma comunicação interpessoal (mesmo que nada seja dito), porém, não haverá um relacionamento interpessoal explícito.

Há também a possibilidade de ocorrer um relacionamento interpessoal sem que haja comunicação interpessoal. Pensemos em uma grande empresa. A pessoa que é dona pode ter contratado você para trabalhar para ela por meio de outras pessoas funcionárias, portanto, você tem um vínculo com ela (pessoa empregadora-empregada), mas pode ser que você nunca tenha tido um contato direto com ela, logo, não houve comunicação interpessoal.

Exemplos de uso da comunicação interpessoal no dia a dia!

Vamos conferir agora algumas ações rotineiras que incluem uma comunicação interpessoal!

1.Trocar mensagens e e-mails: Se você passa o dia todo na DM do Instagram, mandando mensagens no Whatsapp e recebendo e enviando e-mails, saiba que isso é uma forma de comunicação interpessoal indireta!

2. Reuniões: Em reuniões, sejam elas virtuais ou presenciais, há pessoas dialogando e exibindo seus pontos de vista. Logo, isso é perfeitamente um exemplo de comunicação interpessoal.

3. Momentos de lazer com pessoas amigas: Até mesmo aquele momento mais descontraído no final do dia com colegas, seja no bar ou em outro lugar, conta como comunicação interpessoal. Igualmente, vocês estão fortalecendo seus vínculos e trocando informações, mesmo que possam não ser tão relevantes quanto outras de outros contextos!

Neste texto, exploramos aprofundadamente a comunicação interpessoal a ponto de compreendê-la e perceber o que podemos fazer para desenvolver em nós as habilidades necessárias para fazer com que ela seja efetiva. Ao seguir as dicas presentes nele, tenha sempre com você de que esse processo não é simples e rápido; ao contrário, exigirá muita paciência e resiliência.

Logo, se você sentir que não está avançando, não se desespere e desista de tentar. Todas as pessoas são comunicadoras por natureza, sendo somente necessário refinar as habilidades para que isso seja evidenciado.

Agora que você aprendeu sobre comunicação interpessoal, o que acha de conhecer um outro conceito bastante importante que interfere bastante nessa questão, chamado “Efeito Halo”? Continue seus estudos com a gente aqui!

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