Os regimes de trabalho remoto e híbrido já se tornaram uma medida permanente em muitas empresas. Apesar de muitos profissionais estarem longe dos escritórios desde 2020, isso não significa que os desafios do home office foram superados.

Um dos principais obstáculos enfrentados por aqueles que trabalham de casa é a qualidade da conexão de internet, conforme indica uma pesquisa realizada pela Cisco. O relatório Broadband Index entrevistou 60 mil profissionais em 30 países para analisar o acesso, qualidade e uso de banda larga doméstica. 

De acordo com os resultados do estudo, a internet tornou-se um dos bens mais valiosos para as pessoas, e elas acreditam que o acesso universal a uma conexão rápida e confiável é essencial para o crescimento econômico e social.

Embora algumas empresas tenham oferecido algum tipo de suporte aos trabalhadores no início da pandemia, como equipamentos e apoios financeiros, para que eles pudessem trabalhar de casa, a maioria dos profissionais ainda depende da conexão de internet já disponível em sua habitação.

Internet compartilhada

Segundo o relatório da Cisco, 84% dos entrevistados afirmaram que utilizam banda larga em casa por quatro horas ou mais diariamente, sendo que 75% deles acreditam que esses serviços precisam melhorar drasticamente para atender ao elevado número de pessoas em home office atualmente.

Além dos problemas de conexão que algumas regiões específicas enfrentam, a questão pode ser agravada quando um serviço de banda larga é utilizado por mais de uma pessoa. Este é o caso de 60% dos entrevistados do estudo, que afirmam morar em residências em que mais de três pessoas utilizam a internet ao mesmo tempo. 

Uma pessoa adulta e uma criança olhando para um computador.
Além dos problemas de conexão que algumas regiões específicas enfrentam, a questão pode ser agravada quando um serviço de banda larga é utilizado por mais de uma pessoa.

Com o regime de trabalho híbrido tornando-se um modelo permanente no mundo corporativo, a solução encontrada pelos entrevistados é investir em soluções para esses obstáculos de conexão. Cerca de 43% dos profissionais planejam realizar um upgrade do serviço contratado nos próximos 12 meses. 

Os dados apresentados no relatório vão ao encontro de outros aspectos já observados nas novas relações de trabalho provenientes da pandemia. À medida que algumas empresas começam a convocar seus funcionários a voltarem aos escritórios, uma parcela significativa dos profissionais prefere buscar novas oportunidades que permitam trabalhar de casa. 

Exclusão digital

Outro ponto levantado pela Cisco no Broadband Index refere-se à exclusão digital. Apesar de muitos trabalhadores ainda não contarem com serviços de internet de qualidade, o fato de elas terem acesso ao mundo digital já é considerado um privilégio em relação a outras partes do mundo.

Conforme aponta o relatório, mais de 40% do planeta ainda não tem acesso à internet, o que corresponde a cerca de 3,4 bilhões de pessoas. A falta de infraestrutura é um dos principais obstáculos e, por isso, as áreas rurais e remotas são as mais propensas a permanecerem offline.

Os custos relacionados à instalação de equipamentos podem ser até cinco vezes mais altos do que em regiões urbanas. No caso de comunidades mais pobres e com menos acesso à educação, o valor pode aumentar ainda mais, o que significa que não há incentivos suficientes para as empresas de telecomunicações investirem nessas áreas. 

No geral, as pessoas estão conscientes do problema, com 65% dos entrevistados da Cisco afirmando que o acesso à banda larga poderá se tornar uma questão grave em breve, uma vez que a conectividade já é essencial para oportunidades de educação e emprego.

Os próprios entrevistados experienciaram as limitações impostas pela falta de conexão. Segundo o levantamento, 58% dos profissionais não conseguiram acessar serviços como consultas médicas, serviços educativos e apoios sociais online durante a pandemia devido à ausência de uma internet de qualidade.

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