Com um sobrenome irônico a fãs da Nintendo, o canadense Gary Bowser admitiu ter participado de um esquema para criar e distribuir ferramentas destinadas a hackear os consoles Nintendo Switch. O líder do Team-Xecuter, grupo de pirataria famoso por aproveitar-se de vulnerabilidades em consoles, foi preso em 2020 e renunciou o direito de ser julgado por um júri.

Na semana passada foi emitido um acordo de confissão pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, uma maneira de formalizar sua declaração a um tribunal de Seattle, em Washington (EUA). Ele foi preso na República Dominicana, extraditado para os EUA e enfrentará 11 acusações criminais, incluindo fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.

O acordo afirma que Gary administrava o site maxconsole.com, hospedando informações sobre produtos da Team-Xecuter. A equipe “criava e distribuia bibliotecas ROM de jogos que poderiam ser usadas por clientes”, em tradução livre do documento.

Nintendo switch nas mãos de uma pessoa.
O canadense Gary Bowser admitiu ter participado de um esquema para criar e distribuir ferramentas destinadas a hackear os consoles Nintendo Switch.

Bowser, conhecido online por seu pseudônimo GaryOPA, levou a culpa por suas acusações e concordou pagar US$ 4,5 milhões (cerca de R$ 25 milhões, em conversão direta) à Nintendo em restituição e ele também continuará a cooperar com as atuais investigações da Xecuter.

Ele agora enfrenta uma sentença máxima de 10 anos de prisão, a serem cumpridos por suas duas primeiras acusações. Caso Gary siga os termos, as 9 acusações restantes serão retiradas. Além dele, foram indiciados outros membros do Team-Xecuter: Max Louran (preso no Canadá, ainda não extraditado) e Yuanning Chen (foragido).

Como o negócio funcionava

De acordo com o registro do Departamento de Justiça, sabe-se que, embora a empresa “tentasse disfarçar sua atividade ilegal” com a fachada de responder aos entusiastas que queriam criar seus próprios jogos, o design “predominante dos produtos da empresa era permitir que os compradores jogassem ROMs piratas“.

O Team-Xecuter exigia que os usuários embolsassem uma licença adicional para jogar backups dos jogos que tivessem interesse, razão que virou pilar para alegação de que o grupo hacker vendia os dispositivos primeiramente com fins de apoiar a pirataria.

Alguns dos revendedores também venderam firmwares personalizados com pacotes de ROMs, prova somada às acusações de que tratava-se de uma dissimulação, não uma empresa que apoiava pequenos desenvolvedores.

Prejuízos e lucros de Bowser

O acordo de confissão ainda descreve o papel de Bowser na venda dos dispositivos e na distribuição aos varejistas. O líder do grupo disse receber até mil dólares por mês com os negócios envolvendo hacks do Switch. Por sua vez, os clientes majoritariamente usaram as ferramentas para obter jogos de Nintendo Switch gratuitamente.

No documento também encontramos afirmações de que o Team-Xecuter teria gerado “pelo menos dezenas de milhões de dólares” na venda de dispositivos, incluindo um sistema operacional personalizado (hackeado) capaz de permitir aos jogadores de contornar os recursos de segurança da Nintendo.

O próprio Bowser estimou que ganhou US$ 320 mil (R$ 1,7 milhão) com seu site, somente com a receita de anúncios. 

Vale lembrar que o processo criminal aberto ano passado pelos promotores federais é diferente da ação feita pela Nintendo no início deste ano, onde foi alegada a “violação de direitos autorais sobre dispositivos de hacking” do Nintendo Switch.

A fabricante japonesa ainda tem este segundo caso em aberto, onde pedem US$ 2,5 mil para cada dispositivo traficado, bem como US$ 150 mil para cada violação de direitos autorais.

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