Após algumas divergências e conflitos relacionados ao 5G nos últimos dias, as operadoras de telefonia Verizon e AT&T decidiram finalmente ceder ao pedido da Federal Aviation Administration (FAA) e adiar a implementação do espectro wireless de Banda C nos Estados Unidos.

Com isso, a data planejada anteriormente para quarta-feira (5) será estendida até o dia 19 de janeiro. A solicitação da agência reguladora foi motivada por preocupações em relação à segurança, visto que ainda não há um consenso sobre os riscos de interferência que a nova tecnologia oferece ao setor de aviação.

As operadoras foram pressionadas não apenas pelo governo, mas também pelas companhias aéreas e por sindicatos de aviação a concordarem com o adiamento. Eles citam a possibilidade do 5G interferir em componentes eletrônicos sensíveis das aeronaves, como rádio altímetros, o que causaria disrupções nos voos.

Segundo a Verizon, a expectativa é que esse acordo garanta que a rede 5G seja implementada no país ainda em janeiro. Já a AT&T afirma estar certa de que a segurança aérea e o 5G podem coexistir e que novas colaborações e avaliações técnicas poderão oferecer respostas a quaisquer problemas. 

Avião decolando
Ainda existe a possibilidade do 5G interferir em componentes eletrônicos sensíveis das aeronaves, como rádio altímetros, o que causaria disrupções nos voos

Histórico de disputas

Com o adiamento, as próximas duas semanas vão permitir que reguladores, companhias aéreas e operadoras avaliem possíveis soluções para minimizar o impacto de interferências em voos.                                

A FAA elogiou a decisão das empresas de telecomunicações em concordar com o adiamento e as medidas de segurança que elas ofereceram. No entanto, a relação entre os setores envolvidos não têm sido sempre cordiais.

No domingo, os chefes executivos da AT&T e da Verizon haviam recusado um pedido para que os planos de lançar o novo serviço no dia 5 de janeiro fossem adiados devido às preocupações levantadas pelo setor de aviação. As empresas afirmaram que iriam apenas adotar novas medidas de segurança temporárias.

Assim, na segunda-feira, representantes das companhias aéreas, fabricantes de aeronaves e aeroportos pressionaram o governo dos EUA a intervir com urgência para que a implementação do espectro de Banda C do 5G fosse adiada.

A disputa não teve início apenas esta semana, no entanto. Esta já é a segunda vez que as operadoras adiam seus planos. Em novembro, elas haviam concordado em alterar a data do lançamento comercial do serviço de Banda C por 30 dias e adotar medidas de segurança.

Lucros x segurança

Mesmo com o adiamento, em dezembro, a FAA continuou a alertar para o problema de interferência e os riscos que isso poderia representar. No entanto, na época, não foi emitido nenhum pedido ou documento oficial às empresas.

Ao recusar a segunda solicitação no início desta semana, as empresas foram acusadas de priorizar os lucros, negligenciando a segurança das pessoas. A solução oferecida pelas operadoras foi suspender a implementação do 5G ao redor de aeroportos durante seis meses, mas a área de exclusão não abrangia toda a extensão sinalizada pela FAA.

Diante disso, o grupo Airlines for America, que representa empresas como a American Airlines e FedEx, havia solicitado que a Federal Communications Commission impedisse a implementação da tecnologia ao redor de aeroportos, alertando que milhares de voos poderiam ser impactados diariamente.  

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