Sabemos que a arte de contar histórias surge de tempos imemoriais, com seres humanos carregando a habilidade de transmitir informações por meio da linguagem em sua essência. No entanto, o que podemos não saber é que a arte de usar a linguagem para construir discursos polidos e impactantes também não é de hoje. Tanto os diálogos do filósofo Platão quanto os discursos excepcionais de Cícero na Roma Antiga utilizavam uma técnica milenar para encantar audiências: a oratória.

Essa arte é tão importante que mesmo após séculos ela continua sendo amplamente discutida, estudada, atualizada e praticada. Pessoas que dominam a oratória se convertem em grandes palestrantes, escritoras, filósofas, professoras… Na verdade, há poucas áreas nas quais dominar essa habilidade não se torna uma vantagem. 

Portanto, se você acredita que a principal maneira de mudar as pessoas e, consequentemente, o mundo e a realidade ao seu redor é por meio das palavras, a oratória foi feita para você. Portanto, não deixe de acompanhar o conteúdo especial que preparamos para você para que possa conhecer ainda mais sobre essa arte:

O que é oratória? Entenda a história!

Oratória é um termo guarda-chuva bastante amplo. Primeiramente, ela pode se referir a todo e qualquer discurso construído para causar um impacto e influenciar emoções em uma determinada audiência. Adicionalmente, oratória também é o nome da arte e das técnicas que incluem o estudo aprofundado do discurso e do uso da linguagem

Inicialmente, a oratória estava muito conectada com a fala, ou seja, aquele discurso que é ouvido por um público. Porém, com o passar do tempo, começou-se a considerar também oratória a relação entre pessoa escritora e leitora, uma vez que a linguagem em sua modalidade escrita ganhou bastante destaque. É importante destacar que, no entanto, quando a oratória se encontra no campo da escrita e da literatura, ela recebe o nome de “estilística”. 

De onde vem a oratória?

Estátua de Aristóteles, o pai da Retórica e da Oratória
Aristóteles, um dos principais formuladores da retórica tradicional

A história formal da oratória como conhecemos atualmente tem início na Grécia Antiga no século 5 antes de Cristo, quando pessoas bastante instruídas começaram a ensinar a arte de discursar em público. Isso foi essencialmente importante por conta do modelo político que se dava nas repúblicas Gregas e, posteriormente, no Império Romano, em que havia participação do público na construção das leis.  

Para se ter uma ideia, falar em público era uma das habilidades mais reconhecidas na época e era sinônimo de inteligência e educação elevada. Por isso, a oratória foi uma das matérias de estudo mais importantes do processo educacional dos primórdios da civilização ocidental. No entanto, há relatos de estudos semelhantes em outras civilizações tão antigas quanto a grega, como é o caso do Egito e da Mesopotâmia. 

Como dissemos, na modernidade, a oratória fundiu-se à literatura, mudando um pouco “emissor” e “destinatário” para quem escreve e quem lê. A literatura e o campo disciplinar da estilística se valeu de muitos recursos e elementos da oratória em seu desenvolvimento, como, por exemplo, as figuras de linguagem. 

Quais são os outros dois elementos da arte do discurso?

O Trivium (do latim, onde as três vias se encontram), ou as antigas artes do discurso, diz respeito aos três pilares que compõem o discurso. Foram três matérias vistas como essenciais para o estudo da linguagem dentro do processo educacional clássico. 

O Trivium é composto por:

  • Oratória: técnicas para motivar e motivar uma audiência em um determinado contexto por meio da persuasão;
  • Lógica: também conhecida como dialética, é a habilidade de estruturar racionalmente argumentos e discursos de maneira verídica, eliminando contradições e afirmações enganosas para construir um conhecimento confiável. 
  • Gramática: o mecanismo pelo qual a linguagem funciona na prática por meio da combinação de seus símbolos, componentes e definições. 

Por que a oratória é importante?

Até então falamos sobre a oratória como uma matéria antiga, sendo utilizada em um contexto que está há séculos de distância do nosso. Por qual motivo a oratória seria importante no nosso mundo contemporâneo?

Primeiramente que a oratória nos fornece ferramentas e o aporte intelectual necessários para que possamos melhor analisar as ideias que constantemente chegam até a gente, tornando possível distinguir aquilo que é verídico e o que não. Além disso, a oratória ainda nos dá a possibilidade de defender nossas ideias em uma reunião ou debate. 

Adicionalmente, praticar oratória é desenvolver pensamento crítico e raciocínio lógico, uma vez que para construir discursos efetivos, você deve se valer de uma estratégia para a construção dos argumentos e refutação de ideias contrárias.

Portanto, vamos supor um cenário empresarial; uma pessoa que tem forte senso de oratória e compreende sua aplicação poderá liderar uma discussão e impressionar as pessoas superiores ao convencer as demais colegas de que sua ideia é efetiva. Isso fará com que você se destaque e, eventualmente, consiga evoluir em sua carreira. 

Qual a relação da oratória com o Storytelling?

Dando um pouco de spoiler sobre o que vem a seguir, um dos modos da oratória é a narração. Logo, é possível afirmar sem preocupações que o Storytelling é um subconjunto de técnicas para contar histórias que se encaixam dentro da arte da oratória

Sabemos que as pessoas contam histórias desde que o mundo é mundo, e essa tem sido inexoravelmente uma das principais maneiras de entretenimento, mesmo adotando outros formatos, como cinema, literatura, etc. Então, as histórias servem para ilustrar e dar vazão a sentimentos de pessoas espectadoras, que se reconhecem no que é apresentado. 

O que acontece quando a gente junta a capacidade de contar histórias e entreter com as estratégias de persuasão da oratória? Pronto! Temos o Storytelling! Dessa forma, poderemos contar histórias como um recurso a persuadir nossa audiência a sentir algo ou realizar alguma determinada ação que desejamos. 

Qual a diferença entre oratória e retórica?

Essa é uma pergunta capciosa. O motivo para isso é que a língua portuguesa (assim como outras línguas de origem latina) divide essas duas palavras, enquanto outras línguas têm apenas um termo para tudo. Deixando mais explícito o que está sendo dito, em outros idiomas como por exemplo o inglês, a oratória é conhecida como retórica. Isso acontece pois a palavra deriva de “rhetor”, que é o léxico grego que se usa para definir a pessoa oradora. 

Então, em inglês, podemos encontrar a palavra “rhetoric” para definir oratória. Ainda é possível encontrar palavras como “oratory”, mas o sentido é ligeiramente diferente, se referindo a alguém que fala em frente a uma plateia ou figurando um discurso no sentido religioso. 

Na língua portuguesa, tanto oratória quanto a retórica podem ser usadas para a mesma questão: o estudo do discurso. No entanto, ambos termos possuem uma distinção bem nítida. A retórica se refere a algo mais teórico e formal, figurando a estratégia e as técnicas de persuasão. A oratória foca na eloquência, ou seja na beleza da fala, como é dito e em como isso impactará a audiência em contato com esse discurso. 

Em outras palavras, as táticas de persuasão da retórica aplicadas a um contexto oral em que se visa como se fala, a eloquência e o estilo da linguagem empregada é o que chamamos de oratória. Logo, a retórica e a oratória são diretamente interdependentes. 

Quais são os principais tipos de oratória?

Aristóteles, o famoso filósofo grego, foi importante para construir a base de uma dezena de áreas do conhecimento, e não é diferente na linguagem. Aristóteles deu seu parecer sobre a oratória, mais especificamente a retórica, em uma obra sobre o assunto. Para ele, existem três principais gêneros, que podem se configurar como tipos. Eles são:

Judiciário — Forense

Esse gênero da oratória refere-se a utilização de discursos com sentido de defesa e acusação, ou seja, muito utilizado em tribunais diante de pessoas juízas. Como há um julgamento, o discurso deve ser construído com base nos atos do passado e a argumentação deve induzir uma dedução lógica. O valor máximo para a construção desse discurso é a justiça, logo, será tentado provar a inocência ou a culpa a partir do que é justo ou injusto. 

Exibição — Demonstrativo 

Esse gênero da oratória denota um caso em que a pessoa oradora quer exaltar ou censurar outras pessoas, a partir de seu caráter e da moralidade. Pense por exemplo em discursos que são oferecidos em eventos importantes, como casamentos e funerais. O tempo é o presente pois se fala da pessoa no agora e a intenção é difundir determinadas informações positivas ou negativas. 

Deliberativo — Político

Esse gênero visa debater o que é útil e o que é prejudicial mediante uma reunião deliberativa, como por exemplo, uma assembleia em que políticos votam leis a serem aprovadas. O tempo que se fala é o futuro, pois é algo que impactará diretamente o que está por vir. Por consequência, o discurso terá como intenção induzir pessoas a pensarem de uma determinada forma, aconselhando ou desaconselhando. 

A partir desses três gêneros principais, outras pessoas que vieram posteriormente debateram o fato de que há diversas situações e que nem todas se encaixam somente em um caso. Atualmente, são evidenciados alguns outros tipos de oratória, como o pedagógico, quando o intuito é ensinar e convencer de que aquela informação é importante, e o religioso, em que há um debate sobre conduta e valores morais. 

Usar técnicas de oratória é a mesma coisa que mentir ou manipular?

Algumas críticas à retórica ou oratória incluem o fato de que essas estratégias fazem apologia à mentira, enganação e manipulação, uma vez que são utilizadas as técnicas de convencimento para fazer com que outra pessoa passe a acreditar no contrário. No entanto, essas críticas não possuem muito fundamento a partir do ponto em que elas precisam utilizar a retórica em si para convencer de que esta não é uma técnica adequada, o que acaba fazendo com que caiam em contradição. E, dentro da retórica, discursos contraditórios são discursos não pautados na lógica e na realidade, logo, não são confiáveis. 

Porém, uma crítica relevante é apontada pelo próprio Aristóteles que, assim como Platão, se opuseram às pessoas que utilizavam retórica antes, conhecidas como “sofistas”, que usavam a retórica puramente como ferramentas para persuadir pessoas. 

Para Aristóteles, a retórica não é somente sobre persuadir, ou seja, um objeto. Para ele, ela é acima de tudo uma arte, um ensinamento e uma ciência que tem como objetivo demonstrar de quais formas pode-se usar a persuasão e também de descobrir quais elementos são adequados para isso em cada caso

Os 10 principais elementos da Oratória!

Dentro do discurso e da oratória, podemos utilizar alguns recursos que ajudam a potencializar a nossa mensagem e a torná-la mais interessante para nossa audiência. Vamos conhecer alguns desses elementos agora:

  • Metáfora

Metáfora consiste em uma comparação indireta entre dois elementos de ordem diferente, criando uma sobreposição de sentidos. Exemplo: “Ela é um verdadeiro anjo na minha vida.” A relação existente aqui é entre a figura do anjo, que tem como atributo principal bondade, sobrepondo a figura da garota, que é tão bondosa quanto. 

  • Alegoria

Quando se tem um assunto ou teoria muito complexo, pode-se utilizar uma alegoria. Alegoria é uma situação imaginária formada de várias metáforas que servem para simplificar. O maior exemplo é a Alegoria da Caverna, de Platão, em que o autor ilustra a natureza humana em relação ao conhecimento com pessoas amarradas em uma caverna vendo sombras do que supostamente é a realidade, e crendo que aquilo representa a verdade absoluta.

  • Símile

Símile é uma comparação simples evidenciada na sintaxe da sentença, geralmente pela palavra “como”: “O amor arde como o fogo”, ou “ele nada feito um peixinho”. 

  • Personificação

É a ação de dar características humanas, comportamentais e físicas, a animais, objetos ou seres inanimados: “As ondas acariciavam suavemente o pé dela enquanto estava parada na areia”

  • Hipérbole

Consiste em um exagero proposital com intuito de dar ênfase a um determinado elemento. Por exemplo: “Esse saco de batatas está pesando umas vinte toneladas!”

  • Ironia

A ironia é um recurso bastante avançado devido aos seus diferentes graus de complexidade. Quando a nível da sentença, geralmente é algo sendo dito que na verdade quer expressar o sentido contrário:


Sim, ele com certeza estudou muito… Tanto que reprovou no final das contas.”

A ironia pode aparecer a partir de uma situação, que na verdade demonstra ser contrária ao que se esperava:

“Ela vivia dizendo para suas amigas que ele mentia para ela… Agora, ele descobriu que quem estava sempre mentindo era ela!”

A ironia por vezes é tão sutil que somente a pessoa que está acompanhando o discurso ou narrativa sabe que a ironia está acontecendo. Um grande exemplo é a clássica peça “Édipo Rei”, que conta a história de Édipo, um rei que investiga o assassinato do antigo rei da cidade, para somente descobrir que ele mesmo o havia matado acidentalmente antes mesmo de casar-se com a rainha e tomar seu lugar. Esse tipo de acontecimento ficou popularizado como “Ironia do Destino”, pois o destino é diversas vezes personificado. 

  • Metonímia

Nesse recurso, uma palavra é utilizada no lugar da outra pois existe uma pequena relação de sentido entre elas. Por exemplo, “Ela pediu minha mão em casamento”, sabemos que a pessoa não se casará somente com a mão da outra, e sim com a pessoa completa. Nesse caso, mão substitui a pessoa.

  • Anáfora/Paralelismo

Consiste na repetição de uma mesma estrutura, geralmente no início da sentença, para reforçar o que se está dizendo. Por exemplo: 

“Eu acredito que todas as pessoas devem ter direito de estudar. Eu acredito que todas as pessoas devem ter o direito de ter uma casa para morar. Eu acredito que todo mundo possa ter direito de sonhar.”

  • Antítese

A antítese é a aproximação evidente entre duas coisas que apresentam sentido completamente oposto. Exemplo: “Prometem estar juntos, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?”

  • Interrogatio

Se trata da famosa “pergunta retórica”, que se trata de uma questão para levantar uma reflexão, sem realmente esperar-se uma resposta, pois a pessoa que discursa já a conhece. Exemplo: “Onde será que vamos parar desse jeito?”

Apesar de demonstrarmos apenas dez, é importante frisar que existe um número muito elevado de recursos disponíveis para serem aprendidos. Esses são somente alguns. 

Como praticar a oratória para falar melhor?

Vamos agora conhecer, a partir de Aristóteles, um pouco sobre como se constrói a retórica e, consequentemente, a oratória. Vamos demonstrar passo a passo como você pode colocar em prática o básico dessa arte:

Passo 1: Analisando a situação retórica

A primeira coisa que você deve fazer é pensar sobre a situação em que você vai estar falando. É um discurso para sua classe? É uma fala na frente de todos na formatura? É um debate? Uma reunião na empresa? Cada detalhe importa. Por isso, ao analisar a situação retórica, leve em consideração

  1. A pessoa oradora — rhetor

Primeiramente, você precisa compreender como suas próprias características vão influenciar no seu discurso. Isso é especialmente importante nos dias de hoje em que há maior acesso à informação. Se você não souber exatamente qual seu espaço para ocupar, você pode acabar se excedendo e invadindo áreas que não lhe cabem. Logo, considere sua idade, gênero, escolaridade, experiências prévias, status socioeconômico, etc.

  1. O público

Quem são as pessoas para quem você vai falar? Qual o grau de escolaridade? Qual a idade? Qual o gênero? Quais são os melhores recursos linguísticos? O que esperam ouvir? O que NÃO esperam ouvir? O que eles já sabem? O que eles ainda provavelmente não sabem? Todas essas questões são importantes de serem levadas em consideração, pois, do contrário, sua audiência pode não engajar em seu discurso.

  1. O contexto

O contexto geral também é um fator importante para saber o que poderá funcionar ou não. Exemplo, se você fosse fazer uma palestra para adolescentes em uma escola: seria o turno da manhã ou da noite? Seria no horário da primeira, ou depois da última, quando já estão cansados? Onde será a palestra? Onde estará disposta a plateia? Qual o contexto social e político da escola?

  1. O tópico

O tópico se refere ao que você vai falar em seu discurso. O tópico precisa ser relevante para funcionar e deve ser compatível com todos os elementos dispostos acima. 

  1. Intuito

Qual é seu real objetivo? Você quer comover? Você quer que tomem uma ação? Você quer educar, entreter? Jamais entre em cena sem saber o que você quer, pois assim será difícil ter sucesso ao engajar uma audiência. 

Passo 2: Construindo seu discurso

Agora que você construiu sua situação retórica e já sabe exatamente quem, onde, como, para quem, o quê e por que, está na hora de colocar a mão na massa e preparar o discurso. Para isso, você pode utilizar os cinco cânones da retórica:

  1. Invenção: Aqui você vai criar um argumento. Ele deve ser uma mistura entre o que você quer falar e o que a plateia quer ouvir. logo, você precisa selecionar qual conteúdo é mais indicado para isso. 
  2. Estruturação: Agora que você já sabe qual é o argumento e o conteúdo dele, você precisa definir como será apresentado, isso é, em que ordem. Qual será a conexão entre um assunto e outro? Quanto tempo você se demorará em cada ponto?
  3. Estilo: Lembra-se dos elementos apresentados acima? Pois agora você definirá isso. Como você quer apresentar a informação. Você vai usar metáforas? Vai fazer uma comparação? Uma alegoria? Você vai usar palavras mais positivas, para motivar, ou mais negativas, para advertir? 
  4. Memória: Decore todo o seu discurso. É importante que você saiba como construiu cada elemento, pois assim você não precisa dizer palavra por palavra do que planejou, mas conduzir-se por um plano comum que é flexível e permite um pouco de improvisação.
  5. Apresentação: Aqui é onde acontece de fato a oratória. Como vai apresentar pro público? Vai rir? Chorar? Como vai ser o tom da sua voz? E a linguagem corporal? As expressões faciais? Tudo isso vai compor seu discurso. 

Passo 3: Conhecendo os três apelos

Dentro da retórica, existem três apelos que com certeza fazem total diferença na hora de apresentar um discurso para uma audiência e persuadi-la. Você pode utilizá-los para conseguir estabelecer um vínculo com a plateia. Eles são:

Ethos — O apelo à ética

O Ethos é o convencimento de que você é confiável e que fala a verdade. Se você não for capaz de estabelecer esse apelo com sua audiência logo de início, você não conseguirá que as pessoas lhe dêem ouvidos. É importante especialmente em palestras ou apresentações profissionais. Para isso, você precisa:

  • Ser confiável;
  • Ser relacionável com a plateia (“gente como a gente”);
  • Ser uma autoridade no assunto;
  • Ter uma reputação ou histórico. 

Pathos — O apelo à paixão

O Pathos é o apelo ao emocional das pessoas que estão lhe ouvindo. Logo, você precisa tocá-las sentimentalmente para que elas se comovam com o que você diz. Apelar para o pathos é sempre uma boa ideia quando sua intenção é motivar ou fazer com que as pessoas realizem ações a partir de um gatilho emocional. Essa é a importância de usar os elementos da retórica, como metáfora e hipérbole, pois ajudam a tornar seu discurso mais memorável. 

Logos — O apelo à lógica

Esse é especialmente importante se você precisa convencer a audiência de algum fato que, talvez, ela ainda não esteja totalmente convencida, como um júri em um tribunal. Logo, você pode apelar para a lógica e demonstrar com argumentos por que a sua versão da verdade é a que deve ser considerada. Normalmente, Logos gera ethos por conta da expertise e experiência, pois, saber argumentar faz de você também uma pessoa confiável. 

Passo 4: Definindo o padrão retórico

Nesse momento você tem argumentos prontos, uma situação retórica posta e uma noção de como apelar para a audiência em questão. O que falta? Uma moldura para encaixar seu discurso! Estamos falando de modos retóricos, que são modelos prontos de oratória para apresentar um determinado discurso. Vejamos:

  • Narração: como já dito anteriormente, aqui se encontra o Storytelling. A partir desse modo você pode apresentar seus argumentos por meio de uma história com o intuito de apelar para o pathos da sua audiência.
  • Descrição: Muito útil na hora de apresentar algo, consiste na utilização de detalhes bastante específicos para conseguir despertar o pathos da plateia por meio da imaginação.
  • Argumentação: consiste na apresentação de um ponto de vista com objetivo de contestar outro. Para isso, é necessário apresentar evidências e argumentos. Argumentos podem ser dos seguintes tipos:
  1. Indutivos: Forma-se uma ideia geral a partir de um fato. Um exemplo, se em todas as capitais em que você esteve há problemas de trânsito, você pode induzir alguém a pensar que todas as capitais têm problemas de trânsito por conta desse fato.
  2. Dedutivos: A partir de generalizações você deduz um fato. Se todas as capitais têm problemas de trânsito e você está em uma capital, isso significa que ela tem problemas de trânsito.
  • Exposição: Serve para instruir, ensinar, apresentar informações, etc. Esse modo inclui as técnicas de:
  1. Ilustração: usa um exemplo para explicar algo mais complexo. 
  2. Definição: explica qual a definição de algum conceito, palavra, ideia, etc.
  3. Análise: analisa, passo a passo, como se faz algo. 
  4. Divisão: separa a questão apresentada em partes menores.
  5. Classificação: cria categorias a partir de similaridades de um determinado conjunto. 
  6. Causa e efeito: examina uma ação ou situação e explicita as consequências.
  7. Comparação: cria uma relação entre dois elementos.

Após levar tudo isso em consideração, você pode praticar bastante e apresentar seu discurso! Lembre-se que a oratória é uma habilidade que visa a persuasão, mas que ela não é isoladamente somente um conjunto de técnicas. Logo, pratique igualmente o raciocínio crítico e procure desenvolver melhor a lógica. Juntos, esses elementos vão fazer com que não haja erro na próxima vez que tentar expor suas ideias!

A oratória é uma arte, um conceito, uma técnica, um ensinamento, uma prática social e um sistema de regras, logo, ela é bastante complexa. Continue lendo mais sobre o assunto, pois somente assim você conseguirá especializar-se nisso!

Antes de ir embora, convidamos você a conhecer a teoria dos arquétipos de Carl Jung. Esse conceito ajuda muito no Storytelling, na oratória e em qualquer outra habilidade que envolva despertar emoções em uma audiência. Você pode ler mais sobre aqui!

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