O narrador é uma das figuras mais importantes da história da humanidade. Em tempos passados, em que não havia internet ou velocidade na troca de informações, as pessoas dependiam de outra que saísse em busca de aventuras e voltasse para reportar tudo no formato de histórias. Antes mesmo da Grécia ser a Grécia que conhecemos, as histórias dos deuses e heróis já era contada em formato de música para cortes de reis, rainhas e nobres. Storytelling é somente mais um termo para isso: contar uma boa história.

No mundo atual, a figura do narrador ainda está muito presente, mas adaptada a um contexto de sociedade mais ágil, interconectado e globalizado. As histórias que contamos acompanham esse mundo e estão presentes em todos os âmbitos, seja em uma simples conversa em um bar, em uma estratégia de marketing para vender um produto ou em uma obra cinematográfica. 

Nesse artigo, conheceremos a fundo o processo do Storytelling, suas características e motivações. Ao final, você poderá conferir dicas e exemplos para poder tornar-se uma melhor pessoa narradora. Veja só o conteúdo disponibilizado:

O que é Storytelling?

Lucas acordou um dia um pouco tonto e percebeu que havia esquecido de carregar seu celular. Por conta disso, o despertador que havia configurado na noite anterior não havia tocado e possivelmente ele já estava atrasado para começar seu dia. 

Era mais uma manhã na rotina de home office. Após as rotineiras atividades matinais, ele sentou-se em frente ao seu computador, encarando a tela estática de um documento em branco. Enquanto tomava um gole de um café um pouco mais amargo que o habitual, ele percebeu que precisava começar a escrever mais um texto. 

No entanto, o que poderia escrever? Já havia escrito sobre tantos assuntos, sobre tecnologias fantásticas e inovadoras que antes eram somente coisa de ficção científica… Na verdade, também escreveu sobre ficção científica e sobre inteligência artificial… Sobre robôs e naves espaciais… Subitamente, lhe veio uma ideia. Ele não escreveria sobre nada assim, tão complexo. Pelo contrário, ele decidiu ser ainda mais simples do que nunca: ele decidiu escrever sobre como contar uma boa história. 

Você percebeu o que fizemos acima? Nós contamos uma história. Não é uma história épica com heróis, heroínas, vilões, vilãs e uma narrativa complexa, porém, é uma história. E Storytelling é sobre isso: contar uma história e encantar uma determinada audiência com palavras

Podemos fazer Storytelling também com imagens, sons, músicas e vídeos, porém, a verdadeira essência do Storytelling são as palavras e como as utilizamos. 

A partir de áreas como Marketing, publicidade, entre outras, o Storytelling se tornou um recurso poderoso de como engajar a audiência e criar empatia por determinada marca. Ele passou a ser visto como uma habilidade que pode ser adquirida por meio de técnicas. 

Entretanto, apesar de conseguirmos aprender formas e técnicas para melhorar nosso Storytelling, é importante deixar explícito que todas as pessoas, a partir do momento que vivem e criam experiências, estão aptas a contar histórias. Então, cada pessoa é uma contadora de histórias. O Storytelling vai um pouco mais a fundo, observando como podemos dirigir essa história e entregá-la da melhor maneira para atingir um objetivo.

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Por que contar histórias?

As histórias estão presentes antes mesmo da sociedade se estruturar da forma como conhecemos hoje. Antes da linguagem ser um recurso comunicativo da espécie humana, pinturas rupestres eram deixadas em cavernas exatamente para contar uma história. A partir da linguagem e de sua infinidade de formulações, as histórias passaram a ser transmitidas, de geração a geração, antes mesmo que pudesse haver uma forma escrita para registrá-las. 

Storytelling por meio de pinturas em cavernas

As histórias guardam memórias, tradições, culturas e a identidade de um determinado povo. É por meio delas que pessoas e eventos se imortalizam. Também, é uma forma de entretenimento e de notícias. Odisseu, famoso personagem de Homero da obra Odisseia, contava as histórias fantásticas de sua viagem de retorno da guerra de Tróia para sua casa para o rei dos feácios como um presente. 

Desse modo, contar histórias impacta profundamente as pessoas que as escutam. Em sua grande maioria, as histórias são dotadas de símbolos, sinais e arquétipos que provocam reconhecimento e empatia nas pessoas.

Há, por exempo, arquetipos femininos, como da cleópatra. Em geral, arquetipos fazem como que as pessoas se sintam atraídas e impelidas pela sua própria imaginação a viajar na narrativa sem ao menos sair do lugar. Isso auxilia no processo de ganhar a confiança e a simpatia das pessoas ouvintes. Funciona, sobretudo, como um gatilho mental.

Além disso, o Storytelling tem a poderosa habilidade de transformar um assunto abstrato e complexo em algo simples e acessível para qualquer pessoa. Muitas pessoas escritoras escreveram livros infantis abordando temas existenciais, como morte e vida, simplesmente contando uma história. 

Então, podemos dizer que contar uma história é uma forma de reunir pessoas, transmitir informações, entretê-las, inspirá-las e motivá-las. Para alguns casos, também é uma forma de engajar essas pessoas em uma ação e aproximá-las de uma determinada marca.

De todo modo, a história é um dos motores que movem a sociedade e está fortemente presente no imaginário e no cotidiano de todo mundo. 

Qual a importância do Storytelling?

Como já expressamos no tópico anterior, o Storytelling tem uma série de efeitos em uma determinada audiência. Assim, sua importância será delimitada a partir de qual será o objetivo desejado com a história. 

Quando utilizadas de maneira correta, por exemplo, histórias podem ser uma maneira de ilustrar ou transmitir uma mensagem de maneira mais nítida. Em outros casos, elas podem ser utilizadas como prova para uma argumentação. 

Para marcas e produtos, a história é importante para fixar uma imagem na mente de um determinado público consumidor. Elas podem ser utilizadas para aproximar as pessoas da marca e fazer com que elas simpatizem com ela. 

Histórias também podem ser utilizadas como uma forma de inspirar e motivar um grupo de pessoas a realizar alguma ação. Pessoas que foram grandes líderes mundiais eram também pessoas que contavam com boas histórias. Assim, elas conseguiam tocar pessoas e fazer com que elas se tornassem devotas a uma causa. 

Por que o Storytelling é bom para o SEO?

SEO é um termo amplamente utilizado atualmente na área de Marketing. Ele significa Search Engine Optimization, ou otimização para motores de busca. Em linhas gerais, são um conjunto de recomendações e estratégias que auxiliam um determinado conteúdo a ser melhor reconhecido e evidenciado por um mecanismo de busca, como o Google. 

Para o SEO, o Storytelling é uma ferramenta poderosa. O motivo para isso é que ele adiciona uma legibilidade maior para seu texto, deixando-o mais simples e prazeroso de ser lido. Como esse será um conteúdo que possivelmente será melhor para as pessoas, os motores de busca ranquearão melhor seu texto. 

Além disso, a história tem o poder de atrair e interessar a pessoa leitora, aumentando o tempo em que ela fica em seu website. Todos esses fatores auxiliam no melhor posicionamento da sua página. 

Qual a diferença entre um relato e uma história?

Tanto o relato quanto a história podem ser utilizados como uma forma de transmitir conhecimento e informação. No entanto, sua maior diferença reside no fato de que ambos possuem diferentes formas e intuitos de fazer isso acontecer.

O relato não tem objetivo de entreter e nem de despertar emoções em um determinado público. Assim que as informações devem ser explícitas, diretas e de fácil acesso. Ele não conta com recursos narrativos como a história, que podem ser diálogos, figuras de linguagem, entre outros. 

A história, além de informar, ela precisa ser atraente o suficiente para cativar a audiência. Então, o nível de detalhes deve ser um pouco maior, a ponto de suscitar emoções e provocar imagens na mente de quem a escuta. Assim, a informação não é passada de forma direta, ficando em segundo plano. 

Vamos conferir um exemplo a seguir:

A)

Recentemente, foi realizada uma pesquisa acerca do que seria necessário para que alguém pudesse se tornar uma pessoa programadora eficaz para o mercado de trabalho. Depois de conversar com algumas pessoas da área, conclui-se que são necessárias tanto habilidades técnicas quanto habilidades interpessoais, pois é uma área que depende muito do contato com outras pessoas e equipes. Algumas das habilidades mencionadas foram:

B)

Recentemente, eu decidi que gostaria de me tornar uma pessoa que trabalha na área de programação. Como eu não conhecia muito do assunto, decidi ir atrás de algumas pessoas que já estavam trabalhando com isso há anos, para que elas pudessem me dar algumas dicas de como eu poderia começar meus estudos e, quem sabe, conseguir uma vaga de emprego futuramente. 

Conversei com minha amiga Flávia, programadora sênior de uma grande empresa de tecnologia. Ela me falou o seguinte: 

“Olha, o primeiro passo para você entrar nessa área é compreender a lógica por trás do uso de computadores e dos códigos”. Ela fez uma pausa para pensar, como se estivesse se esquecendo de algo. Depois, complementou: “Você precisa também decidir uma linguagem de programação para começar a aprender. 

Liguei para outro amigo meu, Sérgio, que também trabalhava como desenvolvedor, mas agora era Product Manager. 

“Olha, só saber programar não vai garantir uma vaga para você” ele me aconselhou. “Você precisa também saber trabalhar de forma autônoma, organizada, essas coisas. Ah, se você pesquisar um pouco sobre Metodologias Ágeis vai ser bem útil, uma vez que muitas empresas estão utilizando elas agora.”

Baseado no que foi dito anteriormente, qual você acredita que seja o relato e qual é a história? 

Se você apostou que o trecho A era o relato e o B a história, você acertou! 

Quais as diferenças entre Storytelling e narrativa?

Diferentemente da seção anterior, Storytelling e narrativa não são coisas tão distintas uma da outra, afinal, ambas são componentes do mesmo processo. 

O Storytelling é o ato de formular e contar histórias utilizando técnicas voltadas para um determinado objetivo. Ele utiliza uma narrativa para isso. A narrativa, por sua vez, pode ser descrita como uma estrutura básica de uma série de fatos e eventos que são colocados juntos de forma que haja coerência, sentido e contexto

A narrativa pode sim ser diferenciada da história, já que essa última é uma descrição vívida de acontecimentos utilizando recursos linguísticos e literários. A história contém uma narrativa, mas não necessariamente a narrativa é uma história. 

Qual a relação do Storytelling com papéis de liderança?

Não necessariamente o Storytelling faz de você uma pessoa líder. Porém, a pessoa que sabe utilizar o Storytelling de maneira correta normalmente tem uma boa compreensão de como funciona a natureza humana e qual o comportamento das pessoas. Afinal, para contar uma boa história, seja real ou não, os personagens devem ser descritos e atuarem de maneira verossímil, ou a história não fará efeito. 

Então, contar uma história exige mais do que apenas técnica e inteligência: exige experiência, sutileza e observação dos detalhes mais despercebidos do cotidiano. Se uma pessoa é capaz de fazer isso, ela já tem parte dos atributos necessários para assumir uma liderança.

Além do mais, a pessoa narradora é aquela que sempre está em evidência. Todas as cabeças e ouvidos se voltam a ela, e, a depender da sua capacidade de motivar e inspirar pessoas com a história, ela é capaz de realmente provocar a mudança no ambiente ao seu redor. Isso, para uma pessoa na liderança, é uma das características mais importantes. 

O que determina uma boa história?

Essa é uma pergunta relativa, pois nem sempre existem histórias boas ou ruins. Na realidade, existem histórias que são mais efetivas em um contexto, e outras que nem sempre vão impactar da maneira que deveriam. No entanto, há alguns componentes que podemos citar que estão invariavelmente presente em toda história que promove algum tipo de conexão com sua audiência, estamos falando de:

ENTRETENIMENTO

A história precisa conseguir fazer as pessoas ao redor pararem tudo que estão fazendo ou pensando para focar unicamente naquilo. “O que acontecerá em seguida?”, “Qual será o desfecho?” são algumas das perguntas que uma história deveria suscitar naquele momento. 

INFORMAÇÃO

A história não pode ser vazia de conteúdo. Ela precisa trazer um pouco de informação para quem a escuta. Seja uma lição de moral, uma aprendizagem do cotidiano ou até mesmo algum dado, a história precisa prover algo diferente e ainda desconhecido para conseguir manter o interesse do público.

UNIVERSALIDADE

Uma história relevante aborda estruturas e elementos que são conhecidos universalmente. Desse modo, a história deve ser compreensível e despertar emoções em qualquer pessoa. 

ORGANIZAÇÃO

Todos nós possivelmente já conhecemos a pessoa narradora que abre muitos parênteses no meio da história. Ainda que possa ser muito divertida em uma roda de conversas ou em um bar, esse tipo de narrativas paralelas prejudicam um pouco o Storytelling quando o objetivo é fazer com que a história fique nitidamente gravada na mente das pessoas. Assim, conseguir seguir uma linha narrativa do início ao fim normalmente garante uma história melhor contada e mais nítida. 

NATURALIDADE

Pessoas contadoras de história precisam se comunicar naturalmente. Quando a história em si parece muito ensaiada, é difícil ganhar a confiança e a simpatia de um público, afinal, eles não conseguem se relacionar com o que está sendo dito.

Quais são os 4 tipos de Storytelling?

Podemos dividir o processo de Storytelling em quatro tipos distintos, que são:

Oral

Esse é o modo mais tradicional — e o mais poderoso — de se contar uma história. É dessa forma que tradições, costumes e traços culturais são passados de geração para geração. A Grécia Antiga, como já citamos, é um dos grandes exemplos da potência da narrativa oral, uma vez que existiam figuras chamadas Aedo cuja função era cantar as histórias e reviver um glorioso passado. 

Aedo contando uma história no modo mais tradicional de narrativa, a oral

Por meio da entonação, escolha de palavras, cadência e ritmo, é possível transmitir emoções às pessoas que escutam. Narrativas orais são bastante utilizadas também para criar histórias pessoais, que carregam aquela ideia do “eu estava presente, eu vi, eu experienciei e agora conto para vocês”. 

Visual

Já dissemos anteriormente que as palavras são a essência do Storytelling. Apesar de ser a forma tradicional de transmitir uma história, a verdade é que também podemos contar uma história a partir de imagens. Já fornecemos um exemplo, que são as artes rupestres. Os hieróglifos, do Egito Antigo, também cumpriam com essa função. 

Um exemplo para demonstrar isso seria Guernica, de Picasso:

Pintura Guernica, de Picasso. Exemplo de Storytelling visual

Não é muito difícil compreender que há uma história sendo contada por meio de uma representação visual. Há muitas formas sobrepostas, uma ausência de cores expressivas, expressões de medo e desespero. Conseguimos compreender o caos e o sofrimento, e, mesmo não sabendo da história por trás do quadro, é possível entender que é uma narrativa sobre guerra, conflito, etc. 

Escrita

A escrita surgiu para documentar o cotidiano. E, desde que haja documentação, há Storytelling. Logo, com o advento da escrita, as pessoas passaram a traduzir as narrativas orais para a forma física por meio de símbolos chamados de letras alfabéticas. Com isso, veio a literatura. 

Por meio da escrita, é possível transmitir uma narrativa para mais pessoas e eternizá-la através da história. Ainda utilizando exemplos da literatura clássica — pois ela carrega muito da tradição do Storytelling —, sabemos que Homero era um poeta oral e, inclusive, existem boatos de que era cego e iletrado. Desse modo, acredita-se que outras pessoas traduziram suas narrativas para escrita, permitindo com que elas fossem lidas até os dias de hoje e contribuíssem enormemente com o surgimento da literatura ocidental. 

Digital

A tecnologia impactou todas as áreas de nossa vida, incluindo a de contar histórias. Por meio de invenções como rádio, televisão, projetor, câmeras filmadoras, etc., ampliou-se ainda mais as formas de representação de uma determinada narrativa. Tornou-se possível mesclar o escrito com o visual e transmiti-lo a milhões de pessoas ao redor do mundo. 

Além do mais, as redes sociais são uma forma de interação que permite que estejamos constantemente documentando e narrando fatos e experiências da nossa vida para pessoas que não estão presentes fisicamente. O meme se tornou uma forma de Storytelling em pílula, para tempos em que a informação se torna obsoleta em questão de segundos. 

Memes contam uma história

5 elementos que são essenciais no Storytelling!

Vamos conhecer agora alguns elementos fundamentais na estrutura de qualquer narrativa utilizada em um processo de Storytelling, confira:

1. Enredo

Essa será a espinha dorsal da sua história. Sem ela, não existe sustentação, logo, não existe narrativa. Podemos definir o enredo como a sucessão de eventos, as motivações dos personagens, as causas e consequências… Todos os outros demais elementos citados aqui deverão estar fielmente amarrados ao enredo, ou a história não será verossímil.

O enredo pode ser complexo, mas a linha principal deve ser nítida o suficiente a ponto de poder ser resumida em poucas linhas. Para exemplificar, tente adivinhar de que filme é o seguinte enredo:

“Garoto órfão com estranha cicatriz descobre por meio de uma correspondência que é um bruxo e vai estudar em uma grande escola de magia. Lá, ele descobre que sua história está conectada com a do bruxo mais temido do mundo, assim que somente ele será capaz de derrotá-lo.”

Se você pensou em Harry Potter, você acertou. Harry Potter é uma saga complexa de sete livros, mas tudo girará em torno dos elementos apresentados acima. 

2. Personagens

Outro grande elemento fundamental da história é o personagem. Esse componente deve ser pensado para conseguir despertar o interesse e a empatia do público. Note que nem sempre, para conquistar pessoas, é necessário trazer um personagem que seja impecável. Muitas vezes, personagens que assumem o papel de antagonistas também têm ampla aceitação, dependendo somente de como são apresentados. 

Para que sejam críveis, esses personagens deverão ter traços de personalidade que correspondam com suas ações na narrativa. Para auxiliar nesse processo, é possível pensar em arquétipos para construí-los. No entanto, esse processo muitas vezes acontece de maneira natural e inconsciente. Falaremos de arquétipos mais adiante. 

3. Contexto

Seus personagens precisam estar encaixados em algum espaço físico e temporal para atuar adequadamente na história. Portanto, o contexto definido é muito importante. 

O cenário será o quarto de determinado personagem ou uma praça pública? Ambos dão perspectivas muito diferentes de como o personagem poderá agir, já que o primeiro indica que poderá estar sozinho, em um ambiente mais privado, e o segundo indica que estará sob o olhar e julgamento da sociedade, logo, ações terão diferentes pesos. 

Além disso, qual é o tempo histórico? Atitudes e ações podem ser justificadas em diferentes tempos. Por exemplo, o passado tende a ser um cenário mais tradicional e bem menos flexível do que os tempos atuais. Dessa forma, o tempo também ajuda a definir muitas questões. 

4. Tema

Com tema, nos referimos a mensagem que será passada com a história. Toda a história precisa de uma motivação ou mensagem por trás. Esse processo nem sempre fica evidente para quem está acompanhando a história, pois muitas vezes o resultado dela é mais abstrato, na forma de uma reação emocional. 

Pode ser que o intuito seja emocionar, inspirar, motivar ou até mesmo causar medo e adrenalina, como nas narrativas de terror. Isso deve ser pensado pela pessoa que contará a história, uma vez que o tom, a escolha das palavras e a descrição do contexto surgirá desse conceito. 

5. Clímax

O clímax é um conceito complexo de se explicar. Sem o clímax, sua história seria somente uma narração sucessiva de eventos que não vão a lugar nenhum. O clímax pode ser concebido como o momento em que todas as ações e intuitos da história convergem para um só lugar. Normalmente, é o momento conhecido como o teste do protagonista, em que ele precisa tomar uma decisão importante ou que não há mais volta. 

Esse é o momento que reúne toda a emoção. Todas as pessoas esperam uma ação que levará ao desfecho da história. Essa ação deverá ser a mais definitiva e impactante da história, uma vez que tudo convergiu para esse momento. 

Uma grande ferramenta para conseguir criar esse “pico” na história seria o Plot Twist — ou torção de enredo. Nessa torção, a pessoa que está acompanhando a história se surpreende, pois a narrativa levou ela a acreditar que haveria uma sucessão de eventos prováveis e uma revelação completamente chocante muda os rumos da história por completo. 

Em narrativas já tradicionais, como as de mistério, por exemplo, é possível enxergar essa relação do Clímax com o Plot Twist muito facilmente. A pessoa que é detetive está a história toda caçando e investigando um assassinato e tudo converge para o ponto em que ela finalmente tem uma epifania e descobre que o assassino estava o tempo todo ao seu lado — a pessoa menos improvável!

O Plot Twist, no entanto, é um recurso muito delicado. Se utilizado com pouco cuidado, pode acabar não sendo verossímil. Como você terá que propor uma outra sucessão de eventos que é menos aparente do que a que foi apresentada, ela deve se encaixar perfeitamente no enredo. 

Dica: Para conseguir amarrar bem o Plot Twist, é possível deixar pequenas “pontas soltas” na história. São detalhes que farão quem está acompanhando perguntar-se qual é a relevância de terem sido citados, mas que depois serão recordados e farão sentido no momento do Clímax. 

O que são os arquétipos e como eles se expressam no Storytelling?

Um arquétipo pode ser definido como um molde ou um conceito inicial que servirá de modelo para a construção de futuras representações. De acordo com Carl Jung, psicoterapeuta conhecido por trabalhos que explicitam o estudo de arquétipos, ele pode ser visto como uma “tendência” ou espécie de instinto primitivo que cria determinadas representações. 

Essas representações estão a nível inconsciente. Isso significa que não temos ciência desse conhecimento ou desses arquétipos a partir do estado de vigília, em que estamos conscientes. Eles se refletem na gente por meio do reconhecimento e da identificação. 

Dentro do Storytelling, conseguimos utilizar essas imagens primordiais para construir personagens e situações que fomentem em um público ouvinte a identificação com um desses arquétipos tão presentes em nosso inconsciente coletivo. No entanto, é importante dizer que, muitas vezes, sem nem ao menos pensar nessa estratégia acabamos replicando ou criando a representação para alguns desses arquétipos. Afinal, eles já estão sendo recriados em representações artísticas desde sempre. 

Carl Jung identificou quatro arquétipos mais fundamentais que estruturam nossa personalidade: Persona, Si-mesmo, Sombra e Animus/Anima. Depois, pessoas estudiosas de Jung identificaram mais outros 12 grandes arquétipos, muito representados em personagens de histórias famosas na cultura popular. Esses arquétipos são:

O Herói

Geralmente é também o personagem protagonista da história. Afinal, o herói não consegue estar em segundo plano. O herói ou heroína é um arquétipo dotado de fortes valores morais e sempre está alinhado à justiça e ao lado correto da narrativa. Ele se eleva do nível de simples ser humano e se torna algo a mais, ele sempre tem algo que o torna mais especial que os demais personagens. 

Junto ao herói ou heroína, precisamos de um forte contraponto para fazer com que sua narrativa tenha desenvolvimento. Então, o objetivo de vida deste personagem é derrotar o vilão ou vilã que causa todo o sofrimento da trama. 

Vamos exemplificar com Harry Potter mais uma vez, afinal, ele é uma representação muito forte do arquétipo do Herói. Harry não é um bruxo comum, pois ele foi marcado ainda na infância com a cicatriz por seu arqui-inimigo Lord Voldemort. Harry é chamado para sua jornada na escola de magia Hogwarts, é colocado na casa da Grifinória — que representa a coragem e a valentia — e é o único capaz de acabar com os planos de Voldemort. 

O Explorador

A figura do explorador se aproxima muito com a figura do narrador, pois no fundo, ambas têm a mesma essência: viver e sobreviver para contar uma história. O personagem do arquétipo do explorador acredita na liberdade e quer ter todo tipo de experiência possível. Por tanto querer conhecer o que é novo e viver aventuras, o personagem representação do explorador está sempre se colocando em confusões. 

Na literatura clássica, Odisseu, rei de Ítaca, passou por diversos contratempos tentando retornar para sua casa após ajudar a vitória contra os troianos. No caminho, ele enfrentou um cíclope, uma feiticeira que transformou toda sua tripulação em porcos e muitos outros obstáculos. 

Porém, o episódio que mais representa sua essência de explorador é o das sereias. Ele ordenou que toda a tripulação colocasse cera nos ouvidos para não ouvir o canto das sereias. Mas, como Odisseu quer ter essa experiência, ele ordena ser amarrado ao mastro, para que ele pudesse saber como é o canto sem perder a vida por isso. 

O Louco

Esse é um personagem muito interessante. O Louco aparece muitas vezes como bobo da corte ou palhaço devido a sua proximidade com a comédia. Ele é um personagem que muitas vezes serve de alívio cômico para a trama, trazendo o humor e a verdade unidas em um só discurso. O Louco não necessariamente está alinhado com nenhuma moralidade e segue regras de uma realidade que pertence somente a ele. Dessa forma, sua participação é bastante ambígua.

Um personagem bastante famoso que representa uma das possíveis leituras para a figura do Louco é o Loki, personagem da mitologia Nórdica que se tornou famoso por conta de sua aparição em filmes da Marvel. 

O Cuidador

Os personagens que são representações do arquétipo do Cuidador são, em sua grande maioria, figuras de paternidade ou maternidade. Esse personagem abdica de sua própria vontade para auxiliar a protagonista no decorrer da história. 

Uma das figuras mais proeminentes para esse arquétipo é Mary Poppins, a famosa babá voadora do filme da década de 60. 

O Rebelde 

O Rebelde é um Herói que sofreu grande trauma e não tem sua motivação nas leis e na moralidade. Normalmente, seu objetivo final é conseguir revolução ou a queda de um sistema por meio de uma vingança. Assim, esse personagem pode ter uma moralidade dúbia e jogar com as próprias regras. Muitas vezes não aceita companhias e tem como característica a independência. 

Um bom Rebelde — que acaba caindo um pouco para o lado do Herói — é o Wolverine. Apesar de sua leve inclinação a fazer o que é certo (para que seja minimamente carismático ao público), ele tem a tendência de seguir as próprias regras e detesta que alguém diga o que tenha que fazer. Normalmente, ele não gosta de receber ajuda e acha que pode fazer tudo sozinho. 

O Criador

 Como o próprio nome já diz, esse personagem dedica sua vida a criar coisas novas, do zero. Atualmente, com a evolução da ciência moderna, o arquétipo do criador se vê mais refletido em pessoas inventoras e cientistas. Geralmente, o Criador é um personagem que enxerga à frente do seu tempo e é um pouco excêntrico, por sua grande inteligência. 

Um personagem muito famoso atualmente que carrega grandes traços do arquétipo do criador é Tony Stark — o homem de ferro. Milionário, inventor e excêntrico, ele vive buscando uma forma de inovar e acaba fazendo muitos inimigos no meio do caminho por isso. Um problema dele, assim como todo Criador, é a tendência a querer brincar de Deus. 

O Inocente

O Inocente está bastante associado à infância e a personagens infantis, apesar de não ser exatamente uma regra. A bondade e ingenuidade são características marcantes,e o que mais define esse tipo de personagem é o medo de fazer algo ruim ou que prejudique alguém. Além do mais, ele ainda não conhece a crueldade do mundo e por isso não pode ser herói. 

Muitos personagens clássicos são pautados nesse arquétipo. Chapeuzinho Vermelho e Branca de Neve são ambos exemplos tradicionais de inocência e pureza, por não desconfiarem da maldade de outros personagens, como o Lobo e a Rainha Má. 

O Amante

O amante é um personagem (ou, em alguns casos, dois que são apresentados como apenas um) que se dedica totalmente a seu objeto de desejo e atração. Podem ser amigos, família, trabalho, ou às vezes ele mesmo… A questão do amante é que ele ama e se entrega por completo. 

O maior exemplo e representação do Amante é Romeu e Julieta. São dois personagens mais vistos como um, pois Romeu sem Julieta, e Julieta sem Romeu, seriam personagens que não existiriam. Ambos entregaram até mesmo a própria vida para poder estar juntos na eternidade com a pessoa que amam. 

O Mago

O Mago funciona como o Criador, mas, ao invés de criar coisas, ele as transforma. Por isso, muitas vezes aparece na figura de uma pessoa feiticeira, alquimista, etc. A grande dualidade do Mago é que ele pode ser benévolo e usar sua magia para transformar a realidade, como Merlin,  ou ele pode ser consumido pelo poder e causar destruição, como é o caso de Rasputin. 

Normalmente, são personagens mais individualistas e que se preocupam somente com suas próprias motivações, levando o Herói a ter que convencê-lo a ajudá-lo, ou negociar com ele algo em troca de sua ajuda. Em casos mais palpáveis, surgem como ilusionistas, charlatões e mentirosos. 

O Sábio

O Sábio é um arquétipo que representa figuras com maior experiência de vida. A sensação que tais personagens passam é que eles conhecem todos os segredos do Universo e estão prontos para ajudar o Herói na medida do possível. Às vezes, esses personagens aparecem na forma de oráculos, que compreendem que revelar o futuro pode acabar causando um caos ainda maior. 

Se você assistia à Caverna do Dragão, possivelmente também sentia bastante incômodo com a participação do Mestre dos Magos, que apenas dava as pistas necessárias para a próxima aventura. Saiba que é exatamente esse papel que os Sábios cumprem. Eles não ficam disponíveis o tempo inteiro na jornada do herói, eles apenas aparecem para um momento de maior nitidez de ideias e trajetórias.  

A Pessoa Comum

A pessoa comum é um personagem que não apresenta atributos especiais. Ele é apenas uma pessoa normal, muitas vezes órfã ou trabalhadora, que quer estabilidade, justiça e conforto. geralmente suas histórias são mais duras e próximas da realidade que os demais personagens arquetípicos. 

Podemos citar como Pessoa Comum personagens como Ron Weasley, de Harry Potter, e Bilbo Bolseiro, o Hobbit. São personagens que são do anonimato e representam qualquer pessoa da sociedade. 

O Soberano

O arquétipo mais inclinado a ter uma representação maléfica ou distorcida, o Soberano representa aqueles personagens que têm poder acima dos demais, e geralmente são respeitados ou temidos. Se o Soberano sucumbir a sua tendência inicial de acumular cada vez mais poder e controle, possivelmente ele será o vilão, assim como Lord Voldemort, Rainha Má, Darth Vader e muitos outros vilões e vilãs icônicas. 

No entanto, muitos personagens conseguem se satisfazer com um papel mais coadjuvante, atuando com justiça, equilíbrio e sabedoria. É o caso de Mufasa, Rei Leão e Sultão de Agrabah, de Aladdin.

O Storytelling e a Jornada do Herói!

O que é a Jornada do Herói?

A Jornada do Herói — ou, tecnicamente, monomito — é o arquétipo de uma narrativa cíclica muito utilizado em processos de Storytelling. Essa teoria é destrinchada no livro “O herói de mil faces” (1949) de Joseph Campbell e é pautada nos mitos clássicos e poesias épicas da Grécia Antiga. Nessa espécie de template de história, o herói passa por uma jornada, normalmente composta de três fases:

PARTIDA: O Herói recebe um chamado para deixar sua vida cotidiana e juntar-se a uma jornada. Como é um pedido muito difícil, o herói fica um pouco incerto se deve ou não atender ao chamado. Então, surge a figura de um sábio ou mentor que o convence a seguir por esse caminho. 

Essa fase tem cinco passos:

  1. A chamada para a aventura que interrompe o cotidiano do herói.
  2. A indecisão ou rejeição da aventura pelo herói.
  3. A ajuda sobrenatural de um mentor.
  4. A passagem para o outro mundo.
  5. O ponto de não retorno, em que o herói encontra seu maior obstáculo pela frente. 

INICIAÇÃO: O herói consegue acesso a um mundo mágico muito distante do seu próprio. Nesse mundo, ele conquista aliados e inimigos e cumpre com uma série de tarefas até chegar ao clímax da história. Nessa fase, Campbell diz que há a obtenção de um prêmio, que pode ser um objeto físico ou somente experiência e sabedoria. 

Os passos desta fase são:

  1. Início da transformação por meio de provas e tentações.
  2. Encontro com divindades, que se tornam aliados na jornada.
  3. Tentação ao abandono. Normalmente, o herói se sente tentado a deixar a jornada por amor, fama ou riqueza. 
  4. Ponto de virada. Geralmente é um momento de confronto, em que o herói reflete e percebe o quanto evolui. Tudo até então trouxe o herói aqui e esse ponto definirá os seguintes.
  5. Apoteose ou Elevação. O herói recebe um grande conhecimento ou poder extra graças ao seu momento de confronto. Com essa nova força, ele está preparado para enfrentar o desafio final.
  6. O Clímax: Aqui é o confronto final, o objetivo que o herói precisava cumprir para que sua jornada estivesse completa.

RETORNO: O herói retorna a sua vida antiga, agora diferente por conta de sua jornada. 

Os passos são:

  1. Rejeição ao retorno. O herói, agora vitorioso, pode não querer deixar seu momento de glória para trás para viver uma vida comum.
  2. Fuga com o objeto. O herói foge com o objeto que veio buscar por meio de um voo mágico.
  3. O aliado divino anterior ajuda o herói a chegar em casa.
  4. O retorno para seu mundo.
  5. O herói equilibra quem ele era antigamente com quem ele é agora, depois da transformação da jornada
  6. O herói vive sua vida em paz. 
Jornada do Herói: componente importante no Storytelling

Como a jornada do herói pode ajudar no Storytelling?

A Jornada do Herói não serve somente para narrativas fantásticas e de ficção. Em diversos momentos podemos fazer assimilações da nossa vida e contá-las nessa mesma estrutura. 

Uma coisa importante é que nem sempre todos passos estão presentes, e isso, de fato, não prejudica a narrativa. Desse modo, você pode contar com esse método tradicional de organizar sua história para garantir que ela será atrativa para um determinado público.

7 situações em que o Storytelling é útil

Vamos conferir sete situações em que podemos utilizar storytelling sem medo de falhar! Confira:

1. Impulsionar pessoas a realizarem uma ação

  • O que fazer: Conte uma história sobre algo que deu muito certo no passado e mudou o mundo. 
  • Como fazer: Faça as pessoas imaginarem como isso poderia ser possível no próprio contexto. Não dê tantas informações ou detalhes na história para que as pessoas não se distraiam. 

2. Apresentar-se

  • O que fazer: Providencie uma história dramática, balanceando momentos de força e vulnerabilidade do seu passado.
  • Como fazer: Tente colocar detalhes que sejam relevantes, considerando tempo e disponibilidade da plateia. 

3. Transmitir valores

  • O que fazer: Você precisará de uma história que faça a audiência se reconhecer e que trará a discussão acerca do valor desejado.
  • Como fazer: crie personagens hipotéticos e verossímeis que passem por uma situação que evidencia a importância do valor a ser transmitido. 

4. Impulsionar a colaboração entre pessoas

  • O que fazer: Sua história deverá ser algo cativante porém comum, para que mais pessoas tenham vivenciado tal fato. 
  • Como fazer: Faça com que sua história tenha força suficiente para fazer com que mais pessoas queiram contar suas histórias semelhantes. 

5. Abafar boatos e rumores

  • O que fazer: Por meio de uma narrativa com um toque de humor (apenas um toque, pois o humor reduz a seriedade e pode acabar causando descrédito), evidencie um ponto da história que está sendo usada como boato ou rumor que é absurdo.
  • Como fazer: Equilibre o humor para que ele não se torne muito ácido e ofensivo, causando uma perda de credibilidade. Além disso, tenha certeza de que o boato é falso. 

6. Compartilhar conhecimento

  • O que fazer: Foque em uma narrativa que apresente erros cometidos e depois evidencie cada etapa de como ele foi corrigido.
  • Como fazer: Demonstre que há espaço para aprendizagem, e que outras possíveis soluções podem surgir. 

7. Motivar pessoas para o futuro

  • O que fazer: Crie uma história sem muitos detalhes sobre como você enxerga um futuro ideal. 
  • Como fazer: A história deve ser cativante e impulsionar as pessoas a quererem imaginar e trabalhar para construir esse futuro.  

Como praticar a arte do Storytelling? Treine seu Storytelling com nosso template!

Como usar o template:

  • Título: não se esqueça de dar um título para sua história!
  • Contexto: coloque aqui o tempo (histórico) e espaço (lugar geográfico) em que sua história acontecerá.
  • Local do conflito: aqui, diferentemente do anterior, descreva o lugar físico onde ocorre toda a problemática (pode ser um quarto, uma rua, etc.)
  • Personagens: descreva suas personagens. Lembre-se de que precisam ser verossímeis, então coloque atributos físicos e psicológicos. Baseie-se num arquétipo caso não consiga.
  • Problemática: qual o conflito a ser desenrolado? Qual o problema estará atormentando e levando os personagens para a ação?
  • Ação: descreva em tópicos quais serão as principais ações tomadas pelas personagens no decorrer da história a ser contada.
  • Ponto de virada/ Clímax/ Plot Twist: todas as ações devem se encontrar em um momento principal, de epifania, descoberta, transformação ou decisão. Para isso você deverá decidir qual será esse momento, se haverá um plot twist e como será feita a virada da história rumo à finalização.
  • Resolução: como o problema se resolveu, o aprendizado, a lição de moral ou mensagem. 
  • Ganchos: utilize os ganchos opcionalmente para que você consiga se lembrar dos momentos mais críticos na hora de contar a história, seja oralmente ou na escrita. Para isso, faça associações mnemônicas ou crie comparações. 

4 dicas de o que não fazer no Storytelling!

Como já dissemos, dentro do Storytelling não tem certo ou errado, apenas uma história que pode ser mais ou menos atrativa para determinado público. O que pode acontecer é de uma estratégia de Marketing, por exemplo, não conseguir ser eficaz na sua campanha utilizando Storytelling, e aí existem alguns pontos de atenção.

Storytelling não é estratégia de Marketing. Ela é uma ferramenta que pode ser utilizada dentro de uma estratégia de Marketing. Assim, procure ter atenção nos seguintes pontos, quando utilizar Storytelling como forma de divulgação: 

  1. Storytelling não tem relação com tamanho da história, quantidade de palavras ou de detalhes fornecidos. Uma história deve ter o tamanho exato para o momento em que está sendo contada. Às vezes, histórias com menos de dois parágrafos são mais efetivas que histórias vívidas e cheias de detalhes. 
  2. Storytelling não deve ser usado como forma de empurrar objetivo de vendas para sua equipe. Seu papel é mais próximo ao de motivar a equipe. 
  3. Storytelling não é anúncio. Dentro de uma estratégia, ela é o que conecta a pessoa consumidora à marca, e o que ajuda a criar uma imagem. 
  4. Storytelling não é um pitch de vendas engessado. Ele pode ser utilizado dentro disso, mas não é somente isso. 

Exemplo de Storytelling na prática!

Esse vídeo é um exemplo perfeito de como é feito um Storytelling efetivo para o Marketing. 

Ele foi criado pela empresa responsável pelo parque de diversões Disneyland de Paris, em 2018, como comemoração. Ele optou por uma história contada apenas por som e imagem, deixando palavras de lado. Apesar de essa escolha limitar um pouco o Storytelling, é assertiva a partir do momento em que você tem um público internacional e não quer se preocupar com barreira linguística. A marca utiliza uma metalinguagem, no ponto em que cria uma história sobre uma história sendo lida e apreciada.

O vídeo introduz um personagem carismático e facilmente identificável. Todos nós somos o pequeno pato, vivendo nossa vida em prol de nos tornarmos quem realmente queremos ser. O conflito ocorre quando a revista cai na água e se perde para sempre. Um temporal é colocado em cena para explicitar os momentos de tristeza, desespero e confusão do pequeno herói. 

Ao final, na resolução, com o final da chuva ele encontra em pessoa a figura que mais admirava, exatamente no parque Disneyland. O fim da história é então arrematado com o slogan da marca “Onde a magia se torna real”. 

Como vimos, o Storytelling é um conjunto de técnicas utilizadas para se montar uma determinada história ou narrativa com o intuito de transmitir informação, sentimento ou fazer com que as pessoas tomem determinada ação. Essa ferramenta poderosa faz parte da oratória e da retórica desde o princípio do estudo da linguagem e do surgimento da figura tão importante que é o narrador. 

Vimos neste guia completo diversos componentes que nos levaram a compreender cada aspecto dessa ferramenta, incluindo teorias, arquétipos, além de exemplos de como são utilizadas no Marketing. Também contamos com um template exclusivo para treinar essa habilidade. 

O que achou de descobrir tanta coisa interessante sobre Storytelling? Não deixe de ler agora sobre Mapa de Empatia, como criar o seu no passo a passo!

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