A tecnologia blockchain é o que mantém criptomoedas funcionando com segurança, independentes de qualquer instituição financeira. Por ela atuar simultaneamente em computadores ao redor do mundo (para realizar os registros e zelar pela proteção monetária), houve uma crescente preocupação em termos de consumo de energia.

Por sinal, certas criptomoedas usam mais energia que países europeus (como a Suíça) para se manter. Se sabemos que o blockchain é popularmente conhecido como “insustentável”, qual a justificativa para ele continuar em crescimento? Há algo que possamos fazer? Descubra a seguir.

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Como explica uma publicação do site americano The Verge, o grande motivo por trás da exagerada carga de consumo do blockchain é o sistema em que ele funciona. 

O tal proof of work (traduzido literalmente como “prova de trabalho”) foi um método empregado para garantir a segurança da tecnologia, agindo em múltiplos computadores, resolvendo complexos quebra-cabeças criptográficos.

Três criptomoedas.
A tecnologia blockchain é o que mantém criptomoedas funcionando com segurança.

Abreviado como PoW, ele garante que cada novo bloco adicionado ao blockchain seja verificado e validado, além de garantir que o sistema esteja funcionando sem nenhum problema.  

Lembrando: o blockchain é um conjunto imutável (e crescente) de blocos de informação. Caso o blockchain utilize o PoW para validar os blocos de sua composição, ele requer muito poder computacional para completar as transações. Por consequência, vemos um uso abundante de energia.

Quanto de energia é gasto?

Além da comparação com a Suíça, pode-se ter um paralelo mais palpável quando falamos especificamente sobre uso do Bitcoin. Por referência, o Bill Gates afirmou que o Bitcoin usa mais eletricidade para cada transação “do que qualquer outro método conhecido pela raça humana”.

De acordo com uma pesquisa do Digiconomist, uma transação de Bitcoin equivale à pegada de carbono de 735,121 transações com um cartão de crédito comum, ou 55,2 mil horas assistindo ao YouTube.

Vale lembrar que o valor é diferente, pois a transação média de cartões de crédito giram em torno de 50 dólares, enquanto a média do Bitcoin supera as dezenas de milhares de dólares. 

Portanto, em individual, o blockchain não usa energia em excesso, e sim a sua validação e os usos com criptomoedas – e a existência do blockchain não ajuda em nada.

Alternativas ao PoW

A maioria das aplicações da tecnologia que conhecemos hoje, como Bitcoin e Ethereum, usam PoW, mas esta felizmente não é a única opção de quem trabalha com criptomoedas.

Existe também o PoET, ou Proof of Elapsed Time (“Prova de tempo decorrido”), um sistema amigável ao meio ambiente. Diferente do PoW, o PoET não precisa resolver um enorme quebra-cabeças criptográfico, usando ao invés disso o tempo de execução/trabalho para garantir uma segurança equivalente.

Ele gera um sistema de loteria para selecionar o nodo (computador de trabalho do blockchain) para “vencer” o novo bloco. O grande ponto negativo é ter que confiar em terceiros para que funcione. Por “sorte”, um dos pioneiros nisso é a Intel, que aplicou este sistema no Hyperledger Sawtooth, em 2016/17.

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