No ano passado, a Meta bloqueou centenas de páginas de serviços de emergência e do governo da Austrália no Facebook. Apesar de a empresa descrever o evento como um acidente, delatores revelaram agora que foi uma tática adotada pela companhia para negociar com o governo federal do país. 

A organização Whistleblower Aid, baseada nos Estados Unidos, anunciou que já apresentou uma queixa ao Departamento de Justiça dos EUA e à Australian Competion and Consumer Comission (ACCC) em nome de ex-funcionários do Facebook.

Eles alegam que a plataforma bloqueou páginas de forma deliberada e exagerada como estratégia para obter um melhor resultados nas negociações com o governo australiano, que queria criar uma legislação para obrigar a Meta a pagar os veículos de comunicação pelos conteúdos jornalísticos. 

O incidente ocorreu em 17 de fevereiro de 2021, quando o Facebook bloqueou todas as notícias em sua plataforma na Austrália, o que incluiu páginas do governo, de informações e serviços de emergência e saúde.

Estratégia de negociação

Apesar de a empresa descrever o evento como um acidente, delatores revelaram agora que foi uma tática adotada pela companhia para negociar com o governo federal do país

Na época das negociações, apesar de manifestar a sua desaprovação em relação à legislação proposta, o Facebook afirmou que o bloqueio das páginas do governo não havia sido intencional. 

Ainda assim, o incidente forçou o governo australiano a retomar as negociações. O resultado final foi que a legislação não se aplicaria ao Facebook e ao Google se ambos pudessem demonstrar que haviam negociado acordos de pagamento com empresas de mídia no país.

Em relação às acusações do bloqueio ter sido proposital, a Meta afirma que os documentos mostram claramente as intenções da empresa de não incluir as páginas do governo nas restrições, “como uma forma de minimizar os impactos dessa legislação equivocada e prejudicial”. 

De acordo com um porta-voz da companhia, não foi possível proteger as páginas devido a um erro técnico, mas a Meta se desculpou e tentou corrigir o problema. Portanto, as acusações do bloqueio ser parte de uma estratégia são falsos, diz a empresa.

As páginas começaram a ser restauradas em 22 de fevereiro, sendo que o incidente só foi resolvido por completo após a legislação ter sido aprovada. 

Propostas ignoradas

Apesar dos argumentos apresentados pela Meta, os delatores afirmam que o Facebook contava com uma “equipe de resposta à ACCC”, que era responsável por desviar ou neutralizar as tentetivas dos funcionário da empresa de corrigir o problema do bloqueio excessivo de páginas durante as negociações.

De acordo com as acusações, o Facebook também não seguiu o processo padrão para evitar o bloqueio excessivo antes que ele ocorresse, como utilizar listas de contas sensíveis que não deveriam ser bloqueadas, além de não haver nenhum processo de apelo formal. 

E-mais vazados mostram que executivos da Meta, incluindo o próprio CEO Mark Zuckerberg, parabenizaram a equipe responsável pelo bloqueio, afirmando que eles haviam atingido o “melhor resultado possível”.

De acordo com a Whistleblower Aid, o Facebook mentiu para o público e para os seus próprios funcionários, sendo que muitos deles se esforçaram para propor soluções ao incidente causado por um “erro técnico”. No entanto, o problema havia sido criado pela própria empresa e, portanto, as soluções propostas foram ignoradas, afirma a organização.

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