A movimentação para abandonar o trabalho remoto e trazer os funcionários de volta aos escritórios, seja de forma permanente ou no modelo híbrido, tem levando uma série de debates sobre os impactos dessa mudança de rotina. 

Diante do contexto econômico atual, o deslocamento diário até o local de trabalho implica maiores gastos com energia, combustível ou transporte público. Portanto, a expectativa dos trabalhadores é que as empresas levem esses fatores em consideração.

De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa de software Citrix, 74% dos profissionais acreditam que seus empregadores deveriam cobrir os gastos associados à inflação, enquanto que 45% gostariam que seus salários fossem aumentados para se adequar à nova realidade. 

O estudo, que contou com a participação de 500 funcionários dos Estados Unidos, ainda mostra que 92% dos trabalhadores do conhecimento (“knowledge workers”) estão preocupados com o aumento dos custos para se deslocar até o escritório e esperam que seus empregadores ofereçam algum suporte.

Preferência pelo home office

Apesar da expectativa de um auxílio financeiro para retornar aos escritórios, isso não significa que os trabalhadores estejam de acordo com o fim do home office. Segundo o levantamento da Citrix, 57% dos entrevistados afirmam que preferem o trabalho remoto como solução para a questão dos gastos com deslocamento.

Além disso, cerca de 38% dos trabalhadores considerariam pedir demissão e buscar outro emprego caso eles não tenham a opção do trabalho remoto. Já 23% afirmam que trocariam de emprego se uma empresa oferecesse condições de trabalho mais favoráveis.

Ainda assim, o retorno ao escritório parece algo inevitável para grande parte dos profissionais. Dentre os 500 entrevistados, 73% afirmaram que já haviam retomado o regime presencial, ainda que parcialmente, enquanto que 41% disseram ter retornado ao local de trabalho por ordens da empresa. 

Cerca de 26% dos participantes já trabalham no escritório cinco dias por semana; 19% estão no regime presencial de três a quatro dias; e 17%, apenas uma ou duas vezes por semana. 

Sala de trabalho vazia.
O retorno ao escritório parece algo inevitável para grande parte dos profissionais.

No caso dos trabalhadores que ainda não retornaram ao modelo presencial em tempo integral, ou que não planejam retornar, 53% citam a preferência pela flexibilidade do trabalho remoto como a principal causa, enquanto 51% afirmam que o home office ajuda a balancear o trabalho com as responsabilidades domésticas, e 39% acreditam que o trabalho remoto ajuda a poupar tempo e dinheiro.   

Retenção de talentos

Assim como outras pesquisas já indicaram, as empresas que esperam retomar as políticas corporativas anteriores à pandemia correm o risco de enfrentar a insatisfação dos trabalhadores, que já se acostumaram com a flexibilidade oferecida pelo trabalho remoto. 

O movimento conhecido como “The Great Resignation” já tem resultado em pedidos de demissão em larga escala. Algumas das causas são a própria decisão dos trabalhadores de reavaliar suas prioridades pessoais e profissionais, além da crescente competição por profissionais qualificados, principalmente no setor de tecnologia. 

O estudo realizado pela Citrix indica que 18% dos trabalhadores nos EUA já pediu demissão pelo menos uma vez no último ano, enquanto que 26% estão atualmente considerando deixar o emprego atual. 

O valor do salário foi citado por 39% dos entrevistados como o fator principal na decisão de mudar de emprego. Ainda assim, 28% listaram como fator uma má experiência no trabalho atual, e 28% mencionaram a falta de flexibilidade como motivo para deixar a empresa. 

Apesar da elevação dos preços da energia e combustível ser um dos principais motivos para os trabalhadores buscarem maior flexibilidade, por outro lado, cerca de 24% dos profissionais afirmam que trabalhariam presencialmente com uma frequência maior exatamente para evitar as contas domésticas mais caras.

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