Pesquisadores da Dartmouth College, Dartmouth’s Tuck School of Business e Indiana University descobriram uma nova função para a tecnologia de inteligência artificial: escrever avaliações de produtos.

O artigo, publicado na International Journal of Research in Marketing, detalha como a IA é capaz de ajudar consumidores, empresários e avaliadores profissionais. No estudo, os autores também identificam alguns desafios éticos envolvidos no uso de conteúdos gerados por computador.

Foram estabelecidos dois desafios para a pesquisa. O primeiro deles foi determinar se era possível ensinar a IA a escrever avaliações originais e similares a de humanos utilizando apenas uma pequena quantidade de características de produtos após ela ser treinada com uma série de conteúdos já existentes. 

O segundo desafio consistiu em verificar se os algoritmos de machine learning poderiam ser utilizados para escrever uma síntese de avaliações de produtos que já contavam com uma grande quantidade de reviews.

De acordo com os pesquisadores, a expectativa é que a tecnologia possa beneficiar os avaliadores profissionais que lidam com grandes cargas de trabalho, assim como os próprios consumidores que se deparam com um excesso de conteúdos sobre produtos. 

Reviews escritos por máquinas

Maquina escrito "inteligência artificial".
Ao comparar as avaliações geradas pela máquina com a de humanos para os mesmos vinhos, os pesquisadores descobriram que elas eram similares.

O estudo focou em avaliações de vinho e cerveja. O motivo foi que já existe um extenso material disponível para treinar os algoritmos. Além disso, as avaliações desses produtos contam com vocabulários específicos, o que representa uma vantagem ao trabalhar com sistemas de inteligência artificial. 

Para determinar a capacidade da tecnologia de escrever avaliações úteis do zero, os pesquisadores treinaram um algoritmo com cerca de 180 mil reviews de vinho existentes. Os metadados para fatores como a origem do produto, tipo de uva, nota e preço também foram utilizados para treinar o sistema. 

Ao comparar as avaliações geradas pela máquina com a de humanos para os mesmos vinhos, os pesquisadores descobriram que elas eram similares. O resultado manteve-se o mesmo inclusive quando a quantidade de dados utilizados como referência foi alterada.  

Os conteúdos criados pela inteligência artificial também foram analisados por participantes do estudo, que não eram experts no assunto, a fim de testar se eles eram capazes de identificar quais reviews haviam sido escritos por um humano ou pela IA. 

O estudo ainda verificou se a intenção dos participantes em comprar um determinado vinho era a mesma no caso das avaliações feitas por uma máquina e por humanos.  

Síntese de avaliações

No caso das avaliações de cerveja, os pesquisadores observaram a eficácia da inteligência artificial em escrever sínteses. Ou seja, em vez de treinar o sistema para escrever novos reviews, o objetivo foi fazer com que o algoritmo agregasse elementos de avaliações já existentes de um mesmo prodduto.

Para essa outra etapa do estudo, os autores treinaram o sistema com 143 mil reviews existentes de mais de 14 mil cervejas. Assim como no caso dos testes com vinho, o texto de cada avaliação foi combinado com metadados que incluíam o nome do produto, teor alcoólico, estilo e a nota dada pelos avaliadores originais. 

Os testes com cerveja também contaram com participantes do estudo para avaliar se os resumos escritos pela máquina eram capazes de interpretar e condensar a opinião de uma série de reviews de forma similar a de um humano.

De acordo com os pesquisadores, os resultados promissores do estudo indicam que, futuramente, a inteligência artificial poderia auxiliar restaurantes que não têm condições de contratar sommeliers ou ainda vendedores independentes em plataformas online que contam com centenas de produtos. 

Em relação aos desafios éticos envolvidos no uso de algoritmos para influenciar o comportamento do consumidor, os autores do estudo defendem a transparência ao utilizar uma avaliação gerada por computador, em vez de atribuí-la a um humano como forma de obter uma maior receptividade do público.

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