A medicina é uma das áreas que tem realizado o maior número de pesquisas envolvendo inteligência artificial. Apesar das controvérsias sobre questões éticas e o próprio desempenho da tecnologia diante de situações de risco, estudiosos continuam a buscar formas de criar novas soluções para aprimorar o trabalho em clínicas e hospitais. 

O avanço mais recente foi realizado por uma equipe internacional de pesquisadores da Austrália, China e Estados Unidos. Eles desenvolveram um sistema de inteligência artificial capaz de detectar e monitorar doenças da retina em larga escala

Aparelho de detecção de problemas na visão.

Batizado de CARE (comprehensive AI retinal expert), o sistema se mostrou promissor após os testes realizados pelos cientistas em que a tecnologia apresentou um desempenho similar ao de oftalmologistas

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Monash University, Sun Yat-sen University, Beijing Eaglevision Technology, Beijing Tongren Eye Centre, Capital Medical University e University of Miami Miller School. 

Sistema utiliza exames de retinografia e deep learning

O CARE foi desenvolvido a partir da combinação da chamada retinografia e um sistema de deep learning, que foi treinado com dados coletados de estudos de caso reais de doenças da retina. 

A retinografia é um exame que consiste em fotografar o interior do olho com o objetivo de identificar possíveis doenças que são imperceptíveis a olho nu. Para o estudo, foram coletadas retinografias de ambientes clínicos em que o CARE poderia ser adotado. 

Conforme explicam os pesquisadores, a inteligência artificial foi treinada para identificar as 14 anormalidades de retina mais comuns. Para isso, eles alimentaram o sistema com 207.228 retinografias coloridas provenientes de 16 clínicas da Ásia, África, América do Norte e Europa

Posteriormente, os pesquisadores validaram o CARE internamente utilizando 21.867 retinografias. O sistema ainda foi testado externamente com 18.136 retinografias obtidas de 35 centros médicos da China, sendo oito hospitais terciários, seis hospitais comunitários e 21 centros de exames. 

Diagnóstico feito pela IA é similar ao de oftalmologistas

Por fim, para avaliar o desempenho do CARE, os autores do estudo compararam os resultados do sistema com a análise de 16 oftalmologistas. Segundo os pesquisadores, a tecnologia foi capaz de identificar doenças da retina com uma precisão similar à dos profissionais.

Além dos experimentos feitos na China, o CARE também foi testado a partir de dados de pacientes de outras etnias. No caso, o que os cientistas observaram foi que o sistema manteve uma alta performance ao detectar doenças nesses grupos também.

De acordo com os autores, esses resultados positivos representam uma oportunidade para realizar mais testes em uma escala ainda maior. Afinal, o objetivo é aperfeiçoar a tecnologia ao máximo para que ela possa ser utilizada em breve no mundo real.

Os pesquisadores esperam que o CARE seja disponibilizado comercialmente na China e, posteriormente, na região conhecida como Ásia-Pacífico, que engloba países como o Japão, Coreia do Sul, Tailândia, Filipinas, Vietnã, entre outros. 
Para continuar a desenvolver o seu sistema, os cientistas também planejam aumentar o banco de dados dos exames de retinografia coletados de pacientes reais para melhorar a precisão da inteligência artificial ao realizar o diagnóstico de doenças.

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