O Reino Unido solicitou que seus ministros das agências governamentais encorajassem todos os funcionário a abandonar o home office e voltar aos escritórios o mais rápido possível. A decisão causou estranhamento ao ir de encontro à crescente onda de flexibilização de horários e local de trabalho observada no setor privado. 

A justificativa apresentada foram os “benefícios do trabalho presencial e colaborativo”, principalmete com o fim das restrições estabelecidades devido à Covid-19.

Também foi compartilhada uma lista dos departamentos que atualmente contam com o maior e o menor número de funcionários em regime presencial. O primeiro lugar foi ocupado pelo Departamento de Comércio e Indústria (DTI), enquanto que o Departamento de Educação ficou em último. 

O levantamento corresponde à quantidade de trabalhadores que vão até os escritórios com frequência desde o dia 4 de abril. De acordo com a análise, cerca de 25% do Departamento de Educação haviam retornado ao modelo presencial. No caso do DTI, a taxa foi de 73%.

A carta foi assinada por Jacob Rees-Mogg, Membro do Parlamento e atual líder da Câmara dos Comuns do Reino Unido. Em seu departamento, cerca de 69% dos funcionários já não adotava, o home office. 

Decisão infundada

Apesar de muitas empresas, de fato, já terem retomado suas atividades presenciais, a solicitação de Rees-Mogg foi recebida com críticas. Dave Penman, secretário-geral do FDA Trade Union, sindicato trabalhista do Reino Unido, fez uma série de declarações sobre a decisão “infundada”, conforme ele descreve. 

Pessoa em homeoffice.
Nos últimos anos, os funcionários públicos e de empresas privadas já demonstraram que são capazes de realizar seu trabalho independentemente se estão no escritório ou em casa.

De acordo com Penman, o governo costumava liderar o movimento do trabalho flexível, mas o comunicado recente faz com que eles pareçam luditas, termo utilizado para se referir àqueles que eram contra a industrialização. 

Nos últimos anos, os funcionários públicos e de empresas privadas já demonstraram que são capazes de realizar seu trabalho independentemente se estão no escritório ou em casa, argumenta Penman. Segundo ele, o governo deveria se preocupar mais com o trabalho que está sendo entregue em vez de o local em que estão as mesas dos funcionários. 

Ainda de acordo com ele, a decisão não foi acompanhada de qualquer evidência de que há uma queda de produtividade associada ao regime de trabalho híbrido. Caso o governo continue a insistir com a decisão, eles correm o risco de afastar potenciais talentos que poderiam ser recrutados e desmotivar a equipe atual. 

Descentralização 

No caso do Reino Unido, a discussão sobre o trabalho remoto versus presencial no setor público envolve uma série de outros fatores. Já existe há algum tempo, por exemplo, um debate sobre os serviços civis estarem concentrado de forma excessiva no centro de Londres.

Considerando que a tecnologia tem permitido que cada vez mais tarefas possam ser realizadas de qualquer lugar, alguns departamentos do governo já foram realocados para outras regiões fora de Londres.

Um dos benefícios dessa descentralização é o fato de que os cargos públicos costumam acarretar em profissionais altamente qualificados e com salários elevados, o que pode auxiliar no crescimento de economias locais. 

Ao residir em outras áreas fora da chamada “bolha de Wesminster”, os funcionários públicos também podem obter perspectivas diferentes que contribuam para o seu trabalho, e ainda encontrar um melhor equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

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