A companhia de reconhecimento facial Clearview AI, que diz ser a maior rede mundial de rostos no mundo, pode levar uma multa de 17 milhões de libras no Reino Unido por violar regras de proteção de dados no país, informou o The Guardian.

A empresa, de origem americana, funciona recolhendo dados de rostos de usuários do Facebook e de outras redes sociais e atualmente possui uma base de dados com mais de 10 bilhões de imagens de rostos de seres humanos.

O problema, segundo o governo inglês, é que a empresa pode ter recolhido dados de moradores do país sem o seu consentimento, o que vai contra as leis locais.

Na prática, o que a companhia faz é armazenar o máximo possível de dados de rostos de indivíduos em um banco de dados. Ela então vende o acesso a este banco de dados para outras empresas ou governos que queiram usar a base de dados para reconhecer rostos.

A tecnologia de reconhecimento facial em geral é controversa porque está sendo usada por forças de segurança em países autoritários para reprimir minorias. 

Em países democráticos, as preocupações vão em linha com a privacidade da população e com possíveis abusos que possam ser cometidos pela polícia ao usar as ferramentas.

A tecnologia da Clearview foi oferecida inclusive para as forças policiais inglesas, o que indicaria que de fato eles possuem dados de moradores daquele país. A empresa, por sua vez, afirma que as conclusões traçadas pelo governo estão repletas de erros factuais e legais e que deve apelar da decisão que resultou na multa.

De acordo com o governo inglês, a Clearview falhou em proteger os dados que recolheu, e não informou às pessoas que estava fazendo esta coleta.

Câmera de segurança em um poste.
A tecnologia de reconhecimento facial em geral é controversa porque está sendo usada por forças de segurança em países autoritários para reprimir minorias.

“Tenho grande preocupação com o fato de que os dados pessoais foram processados de uma forma que ninguém no Reino Unido esperava”, disse a comissária de informação do Reino Unido, Elizabeth Denham ao Guardian. 

Esta está longe de ser a primeira polêmica envolvendo a Clearview. 

O Canadá e a Austrália também concluíram que a Clearview quebrou leis locais ao coletar dados de usuários, diz o site Tech Crunch.

A Comissária de Informação australiana Angelene Falk exigiu que a empresa parasse de coletar dados de rostos de australianos e ordenou a companhia a destruir os dados que possui.

“Isso acarreta um risco significativo de danos a indivíduos, incluindo grupos vulneráveis, como crianças e vítimas de crimes, cujas imagens podem ser pesquisadas no banco de dados do Clearview AI”, disse Falk em uma declaração à imprensa na época.

A polêmica, porém, não para por aí. Em alguns países, como a Alemanha, governos já estão considerando banir completamente a tecnologia para monitoramento em massa de pessoas em espaços públicos.

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