Cientistas criaram uma solução que utiliza inteligência artificial para monitorar os alimentos consumidos em casa de repouso, com o intuito de combater a desnutrição e melhorar a saúde dos residentes.

O sistema foi desenvolvido por pesquisadores da University of Waterloo, do Schlegel-UW Research Institute for Aging e da University Health Network. Basicamente, o que a tecnologia faz é analisar fotos dos pratos de comida após as refeições.

Publicado na revista acadêmica Scientific Reports, o artigo explica que a desnutrição é um problema que afeta 54% dos adultos em casas de repouso no Canadá. Os autores ainda afirmam que, atualmente, não há como saber se os residentes consumiram a quantidade de nutrientes, como proteínas ou carboidratos, suficientes.

Com o objetivo de oferecer uma resposta a essas questões, os pesquisadores criaram um software capaz de examinar a cor, profundidade e outras características visíveis em uma foto para estimar a quantidade que foi consumida de cada tipo de alimento e, assim, calcular seu valor nutricional. 

Análise de imagens

O sistema está associado às receitas utilizadas em casas de repouso e utiliza inteligência artificial para monitorar a quantidade de alimentos consumidos, garantindo que cada residente atenda às suas demandas nutricionais específicas, afirmam os pesquisadores. 

O método utilizado atualmente para avaliar a ingestão de alimentos consiste no acompanhamento feito por funcionários, que anotam uma estimativa do consumo de cada indivíduo após observarem o que foi deixado ou não nos pratos após as refeições. 

Imagem com um sistema de dados.
O sistema foi testado em conjuntos de dados que incluíam imagens de 689 pratos, com 36 tipos de alimentos diferentes. 

O problema é que esse processo manual resulta em uma taxa de erro de 50% ou mais, de acordo com os autores do estudo. Já o sistema que utiliza inteligência artificial conseguem diminuir esse valor para 5%, oferecendo uma precisão muito maior e informações mais detalhadas sobre os padrões de consumo. 

Para o estudo, os pesquisadores utilizaram uma câmera RGB-D, capaz de quantificar o volume de comida deixada no prato pelos residentes em relação às porções originais, além de analisar a textura modificada dos alimentos.

O sistema foi testado em conjuntos de dados que incluíam imagens de 689 pratos, com 36 tipos de alimentos diferentes. 

Economia de tempo e maior precisão

A pesquisa foi realizada em colaboração com os trabalhadores de casas de repouso, como cuidadores e nutricionistas, que contribuíram para o desenvolvimento do sistema. Os autores do estudo citam a economia de tempo e o aumento da precisão como os principais benefícios oferecidos pela nova tecnologia. 

A expectativa é que o software seja implementado nos dispositivos já utilizados pelos trabalhadores na linha de frente para manter registros eletrônicos. 

Os pesquisadores ainda esperam que o sistema possa não apenas monitorar, mas impulsionar novas tendências de consumo de alimentos, funcionando como uma espécie de termômetro para avaliar a saúde dos residentes de uma forma geral, auxiliando, inclusive, no controle de infecções. 

Conforme cita o estudo, a desnutrição ou risco de desnutrição afeta mais da metade dos residentes de casas de repouso. O número é preocupante, considerando as ramificações clínicas dessa condição, como morbidade e redução na qualidade de vida. 

A principal causa da desnutrição é a baixa ingestão de alimentos. Por isso, monitorar e prevenir o consumo inadequado de alimentos é essencial para combater o problema, defendem os pesquisadores.

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