Seja durante aulas virtuais ou presenciais, decifrar a reação dos alunos pode ser um grande desafio, mas uma nova ferramenta de inteligência artificial promete auxiliar os professores ao indicar se um estudante está confuso, distraído ou entediado.

A tecnologia foi desenvolvida pela Intel em parceria com a Classroom Technologies, que fornece um software para aulas virtuais chamado Class, e funciona na plataforma de videoconferência Zoom.

De acordo com a Intel, o sistema usa inteligência artificial para detectar as emoções de um estudante a partir das suas expressões faciais e da forma como ele interage com o conteúdo educacional.

Além de indicar essas reações dos alunos durante a aula, a tecnologia ainda oferece insights para que os professores possam se comunicar melhor com os jovens. 

Segundo a Classroom Technologies, o engajamento entre educadores e educandos tornou-se um desafio ainda maior com as aulas virtuais durante a pandemia. Por isso, a ferramenta foi desenvolvida com o propósito de oferecer uma resposta a esse problema.

Análise de engajamento

Com a parceria, a Classroom Technologies pretende testar a ferramenta de análise de engajamento da Intel. Ela consiste em capturar imagens dos rostos dos alunos com uma câmera de computador e com a tecnologia de visão computacional. 

Pessoa em sala de aula.
Com a parceria, a Classroom Technologies pretende testar a ferramenta de análise de engajamento da Intel.

Este material é, então, combinado com a informação contextual sobre o que o aluno está fazendo no momento para avaliar o seu nível de compreensão. 

Para categorizar os dados utilizados para treinar os modelos algorítmicos, os pesquisadores contrataram psicólogos. Após visualizarem os vídeos dos alunos, os profissionais classificaram as emoções identificadas a partir das expressões faciais.

A expectativa da Intel é transformar a tecnologia em um produto que possa ser distribuído de forma mais ampla.

Além de informar os professores quando um aluno precisa de ajuda, o objetivo é que cada vez mais instituições de ensino possam usar a ferramenta para obter insights sobre o material didático adotado e alterá-lo caso necessário.  

Afinal, altos níveis de desinteresse entre os estudantes pode indicar que o material não é adequado ou não está sendo aproveitado como deveria. 

Resultados imprecisos e invasão de privacidade

Embora a ferramenta de inteligência artificial possa, de fato, auxiliar em determinados desafios educacionais, um ponto a ser considerado é o fato de que as expressões humanas não são uma ciência exata.

Pesquisadores já alertaram que, considerando que as pessoas se expressam através de centenas de expressões faciais, gestos e sinais fisiológicos sutis e complexos, categorizar o seu estado emocional com um rótulo único pode ser uma abordagem equivocada. 

Outros cientistas também argumentam que a maneira como as pessoas comunicam sentimentos como raiva, medo e surpresa varia de acordo com a cultura e as diferentes situações. Além disso, também devem ser levadas em consideração as divergências a nível individual. 

A vigilância excessiva e a invasão de privacidade dos alunos também representam outra preocupação emergente entre educadores e grupos ativistas. Sistemas de reconhecimento facial, por exemplo, estão sendo adotados por um número cada vez maior de instituições de ensino para fins de segurança. 

Segundo a Intel, o objetivo da nova tecnologia de inteligência artificial não é vigiar ou penalizar os alunos, mas fornecer informações adicionais aos professores para que eles possam identificar quando um estudante precisa de ajuda.

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