Em parceria com a King’s College London, a companhia farmacêutica britânica GSK vai utilizar inteligência artificial para estudar o papel da genética no desenvolvimento de câncer e, assim, criar tratamentos personalizados contra a doença. 

O objetivo é utilizar a tecnologia para investigar o motivo de apenas um quinto dos pacientes responderem aos tratamentos de imunoterapia de forma positiva. Para isso, a pesquisa contará com a colaboração de 10 especialistas em inteligência artificial da GSK e 10 especialistas em oncologia da King’s College. 

Na pesquisa, serão utilizados medicamentos contra câncer produzidos pela GSK. O foco inicial dos testes será cânceres malignos, como torácico, gastrointestinal e aqueles que afetam as mulheres. 

A inteligência artificial vem sendo utilizada na indústria farmacêutica para coletar grandes quantidades de dados que possam ajudar a desenvolver novos medicamentos, além de auxiliar em estudos sobre o motivo de algumas pessoas serem suscetíveis a determinadas doenças. 

O objetivo final da parceria entre a GSK e a King’s College é utilizar os dados coletados para aprimorar e personalizar o tratamento de pacientes com câncer, evitando que um procedimento padrão beneficie apenas algumas pessoas. 

Inteligência artificial permite “jogar xadrez” com a doença

A equipe da GSK e da King’s College utilizará um modelo celular 3D da doença de um paciente para analisar como as células cancerígenas de pacientes que estão passando por tratamento interagem com células imunes.

Segundo os pesquisadores, a ideia é “jogar xadrez” com a doença. A partir da capacidade de previsão da inteligência artificial, seria possível planejar potenciais estratégias para driblar a doença. 

Caso seja necessário, a equipe está disposta a utilizar até mesmo o supercomputador Cambridge-1, desenvolvido pela Nvidia, para auxiliar na pesquisa. Ele é capaz de implantar métodos de inteligência artificial e está disponível para diversas organizações, incluindo a GSK e a King’s College.

Estudo vai analisar casos de recaída 

Durante o estudo, serão monitorados biomarcadores dinâmicos capazes de prever a resistência de um paciente durante um tratamento ou uma posterior recaída. Os biomarcadores, nesse caso, são moléculas encontradas no sangue, fluidos corporais ou tecidos que possam ser um sinal de doença. 

A tecnologia utilizada no projeto se trata de um novo modelo de machine learning que integra dados multimodais, características genéticas e moleculares, a localização do tumor, imagens e exames de sangue. 

Uma das questões que o estudo pretende investigar é o fato de que metade dos pacientes que foram diagnosticados com câncer em estágio avançado, mas que ainda poderia ser operado, retornou dentro de um a dois anos após o tratamento porque a doença havia se espalhado para outras partes do corpo. 

A estratégia adotada pela equipe para identificar as pessoas que teriam um risco mais elevado de passar por essa situação foi criar um “gêmeo biológico digital” do paciente. 

Com isso, será possível testar medicamentos, doses múltiplas, entre outras técnicas e fornecer um feedback imediato para ser considerado em testes clínicos e pelos próprios algoritmos utilizados em pesquisas. 

O gêmeo de um paciente também poderá fornecer outras informações valiosas, como a forma que o sistema imunológico responde às células cancerígenas. A expectativa é que durante os cinco anos de pesquisa, seja possível desenvolver equipamentos especializados para estudar a doença. 
Veja também: Inteligência Artificial auxilia em Estudos Colaborativos sobre Células

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