A pandemia de Covid-19 acelerou a implementação do trabalho híbrido em larga escala. No entanto, os “knowledge workers”, ou “trabalhadores do conhecimento”, estão em busca de outras condições de trabalho além de alguns dias de home office, conforme mostra uma pesquisa do Future Forum, um consórcio criado pelo Slack em setembro de 2020.

Os dados apresentados no relatório são resultado de entrevistas realizadas com mais de 10 mil profissionais dos Estados Unidos, Austrália, França, Alemanha, Japão e Reino Unido. 

De acordo com o levantamento, o número de trabalhadores que seguem o regime híbrido aumentou para 58% em novembro de 2021, enquanto que em maio do mesmo ano, a porcentagem era de 46%. Já o número de indivíduos que trabalham exclusivamente em casa ou no escritório apresentou uma queda.

Em relação à opinião dos trabalhadores, cerca de 68% dos entrevistados afirmam que preferem o trabalho híbrido. A flexibilidade relacionada ao local, no entanto, não é a única vantagem que os profissionais buscam.

Enquanto que 78% responderam que desejam a flexibilidade de trabalhar de qualquer lugar, aproximadamente 95% dos entrevistados gostariam de ter uma maior flexibilidade de horários. 

Estes números não devem ser ignorados, principalmente se a empresa não está disposta a perder profissionais qualificados para a concorrência. Segundo o estudo, 72% dos trabalhadores que não estão satisfeitos com a falta de flexibilidade por parte dos empregadores afirmam que provavelmente buscarão novas oportunidades este ano. 

Minorias buscam maior flexibilidade no trabalho

O número reflete a realidade de muitos trabalhadores em tentar conciliar a vida pessoal e a profissional. Para aqueles que têm filhos, por exemplo, cumprir os horários tradicionais do mundo corporativo requer uma série de ajustes e sacrifícios para atender as necessidades de casa e do escritório. 

Ainda de acordo com o estudo, a busca por maior flexibilidade é predominante em grupos sub-representados, como minorias étnicas e mulheres. 

Pessoa sentada em uma cama com um computador no colo e um celular em mãos.
De acordo com o levantamento, o número de trabalhadores que seguem o regime híbrido aumentou para 58% em novembro de 2021.

Nos Estados Unidos, 86% dos trabalhadores de origem hispânica e latina afirmam que preferem o trabalho híbrido ou remoto. Entre os profissionais asiáticos e negros, a porcentagem foi de 81%. Já entre os trabalhadores brancos, o número foi 75%. 

Em relação ao gênero, 52% das mulheres buscam flexibilidade para trabalhar de qualquer lugar durante três dias por semana, no mínimo. No caso dos homens, 46% deles manifestaram esse mesmo interesse. 

Cerca de 50% das mulheres com filhos afirmam que gostariam de adotar o trabalho remoto na maior parte do tempo ou em tempo integral, enquanto que 43% dos pais buscam o mesmo. 

Favoritismo no trabalho presencial

Apesar dos benefícios oferecidos pelo trabalho híbrido em relação à flexibilidade, uma das principais preocupações é o surgimento de potenciais desigualdades e favoritismos entre aqueles que estão no escritório e os que trabalham de casa.

Os profissionais que ocupam cargos de liderança tendem a passar mais tempo no local de trabalho. Segundo o estudo, 71% dos executivos afirmam que trabalham do escritório três ou mais dias por semana, enquanto que apenas 63% dos que ocupam cargos mais baixos fazem o mesmo. 

Isso significa que a maior proximidade entre profissionais que trabalham juntos presencialmente pode prejudicar os grupos sub-representados, já que eles tendem a optar pela flexibilidade para conciliar outras demandas, que muitas vezes não fazem parte da realidade dos homens brancos, sem filhos e em cargos de liderança que frequentam os escritórios.

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