É difícil acreditar em nossos pais quando somos filhos adolescentes, sobretudo quando seguido da frase “é para seu próprio bem!”. Esse é o caso do pai britânico Nick Herbert que, frustrado com a falta de respostas às suas mensagens por parte do filho Ben, de 15 anos, criou um aplicativo que bloqueia o aparelho de adolescentes até que a mensagem seja respondida. 

Ou seja, se quiser continuar usando o smartphone, primeiro precisa responder a mensagem do pai.

Além de bloquear o celular do filho, o “RespondASAP”, nome da invenção de Herbert, bloqueia a tela e todas as funções do celular do filho e da filha adolescente, além de soar um alarme que não pode ser colocado no silencioso.

Entretanto, o aplicativo funciona como uma via de mão dupla, fazendo com que o filho ou filha também possa “ganhar controle” momentaneamente do dispositivo da pessoa responsável quando precisa ser respondido com urgência. Tal funcionalidade foi implementada após uma conversa sobre privacidade e consentimento entre o pai Nick e o filho Ben. 

“Sou contra qualquer tipo de invasão de privacidade ou espionagem. A questão é apenas saber se está tudo bem”, afirma Herbert. “Criei o app pelos meus filhos e todos os pais que se preocupam diariamente”.

O aplicativo, lançado em 2017, já foi baixado milhares de vezes desde seu lançamento. 

Neste texto, desenvolvido especialmente para o Dia dos Pais, vamos conhecer histórias como essa, de pais que usaram linhas de código exclusivamente para melhorar a vida e a relação deles com os filhos! Vamos conhecê-los? 

O pai que criou um aplicativo para ajudar o filho a superar o trauma da separação

Pai Kevin e filho Kyle
Kevin Spiteri e seu filho, Kyle. 
Fonte: Kevin Spiteri via Yahoo

O divórcio, assim como outras situações da vida adulta, pode ter impactos gigantescos na saúde mental e no comportamento dos filhos. Para Kyle, 15 anos, a separação de seus pais teve impacto em sua vida enquanto estava na pré-escola. Ele começou a ter problemas de comportamento, agredir colegas, ignorar ordens e ser mandado constantemente para casa por mau comportamento.

O terapeuta ocupacional, Kevin Spiteri (pai de Kyle), após todas as tentativas possíveis de controlar o temperamento do filho, teve uma ideia: ele se reuniu com seu sócio Bryan Saavedra e juntos desenvolveram um aplicativo que ajuda os pais a reforçarem positivamente o comportamento de seus filhos.

O aplicativo recebeu o nome de Behavior World (Mundo do Comportamento, em inglês) e é montado no formato de um videogame que permite que os pais selecionem até 3 problemas de comportamento dos filhos (como fazer a tarefa de casa ou guardar os brinquedos ao terminar de brincar). Ao fazer isso, os filhos selecionam um personagem que mais os agrada para percorrer um caminho que contém tokens.

Cada vez que a criança realiza a tarefa corretamente, ela pode andar pelo mapa. No fim, os pais adicionam uma foto de um prêmio para incentivar seus filhos a percorrerem, e o aplicativo gera certificados, dando a sensação de conquista quando eles atingem o objetivo.

O aplicativo não somente ajudou Kyle a melhorar seu comportamento, como também permitiu que diversas crianças pudessem aprender novas habilidades! Abaixo está o vídeo promocional de divulgação do aplicativo (disponível somente em inglês):

O pai que inventou um aplicativo para ajudar o filho com autismo a não se perder

Doron Somor, CEO do AngelSense e pai de Itamar
Doron Somer e seu filho, Itamar.
Fonte: Reprodução

De acordo com estudos americanos, até metade das famílias com um filho ou filha autista correm o risco da criança se perder quando fazem atividades simples, como voltar da escola caminhando,

Pensando nessa questão, Doron Somer, pai de Itamar (24 anos) que nasceu com a condição do Transtorno do Espectro Autista (TEA), desenvolveu um aplicativo que auxilia a rastrear crianças e adolescentes com necessidades especiais.

“Eu precisava de alguma coisa que fosse como meus ouvidos e olhos virtuais, ajudando-me a ficar conectado com meu filho. Com minha experiência na área de tecnologia, eu me propus a criar o anjo da guarda virtual de Itamar; [Na época], eu não tinha ideia de que estava criando um dispositivo que ajudaria a mudar a vida de milhares de famílias [com pessoas que necessitam de] cuidados especiais. Eu criei o AngelSense, o único rastreador e monitorador desenvolvido para crianças com necessidades especiais”, conta o pai para um artigo no HuffPost.

De acordo com o próprio site, o aplicativo conta com diversos equipamentos que ajudam a precisar a localização da criança ou adolescente.

Um dos recursos permite que uma das pessoas responsáveis emita um sinal de alerta ao se dar conta do desaparecimento da criança, que é recebido instantaneamente por uma equipe de resgate. Tal função ajudou o departamento de polícia de Nova York a localizar e resgatar um adolescente de 17 anos com autismo que ficou desaparecido em 2015.

O pai que criou um óculos especial para ajudar o filho a enxergar

pais que criaram óculos para o filho enxergar
Menino Biel – Fonte: abs-cbn

O casal de espanhóis, Constanza Lucero, médica, e Jaume Puig, engenheiro elétrico, desenvolveram um óculos com alta tecnologia para auxiliar seu filho, Biel.   

Com apenas dois anos após o nascimento do menino Biel, seus pais identificaram por meio de experiências, como a de subir escadas e até mesmo andar pela casa sem esbarrar em algum móvel ou objeto, que algo envolvendo a visão do filho fugia do padrão.

Com ajuda de uma equipe de profissionais da área da medicina, o casal recebeu o diagnóstico de que Biel apresentava um grave problema no nervo óptico. 

Problemas como esse não podem ser corrigidos por meio de cirurgias ou tratamentos. Sendo assim, o casal Constanza e Jaume buscaram desenvolver uma tecnologia como alternativa para que Biel pudesse viver e desfrutar de qualidade, mesmo com baixa visão.

Foi assim que surgiu a ideia de criação de um óculos de alta tecnologia baseado no padrão já existente de inteligência artificial e visão 3D. 

Criado com base na melhora da percepção espacial de pessoas usuárias, o óculos traz inúmeros benefícios, entre eles estão: caminhar com maior percepção de objetos ao redor, maior qualidade ao desenvolver a noção espacial e até mesmo enxergar uma possível causa de tropeços e quedas.   

O pai que inventou um aplicativo para ajudar o filho autista a se comunicar

Gabriel, filho de Wagner, pai que criou o Matraquinha
Foto: arquivo pessoal | Via Razões para acreditar

O paulistano Wagner e sua esposa, Grazyelle, desenvolveram um aplicativo para comunicação com seu filho autista, Gabriel. 

Com 10 meses de idade, em uma análise de crescimento do menino Gabriel, os pais perceberam que ele estava se desenvolvendo de forma natural, exceto quando o assunto era a percepção e desenvolvimento da fala. Após procurar a ajuda de inúmeras pessoas profissionais na área da medicina infantil, uma neuropediatra enfim possibilitou para a família um diagnóstico: o menino Gabriel tem um grau de autismo.

A ajuda da tecnologia para a vida da família de Wagner, Grazyelle e Gabriel teve início por meio do irmão de Wagner — que, na época, tinha dado início a um curso de programação. O casal, após ser abordado pelo irmão com a possibilidade de sugerir a criação de um aplicativo, apresentou a ideia de desenvolver algo que permitisse a comunicação com Gabriel. 

Grazyelle, por ser educadora voltada à educação especial e infantil, ficou responsável pela parte pedagógica, possibilitando que o aplicativo fosse lançado em julho de 2018. Com o intuito inicial de auxílio para Gabriel, o casal foi além e projetou a ferramenta pensada na forma acessível, sendo gratuito, utilizável fora da conexão de alguma rede de internet e público livre para todas as idades.

A criação do Matraquinha (nome dado ao aplicativo) possibilita a assertividade na interação da criança portadora de autismo com sua família por meio de figuras interativas que, separadas por categorias, podem expressar sentimentos, emoções e até mesmo necessidades. Essas mensagens são transmitidas por meio de sinais sonoros que expressam, por exemplo, “estou com fome”, “gosto de pipoca”, entre outras. 

Sem dúvidas a criação de Matraquinha veio para facilitar a comunicação e a família de Gabriel já estuda as possibilidades de uma maior distribuição e expansão do uso dessa ferramenta criada por eles.       

Tela do aplicativo matraquinha

Aplicativo “Matraquinha”, com foto de divulgação do Google Play. 

O pai que inventou uma incubadora para proteger o filho da poluição do ar e do coronavírus

Jogo Death Strans, Baby Bridge
“Bridge Baby” de Death Strand – (Reprodução)

Já ouviu falar do jogo eletrônico “Death Stranding”? Um dos elementos do novo game é o BB, ou Bridge Baby, um bebê sendo gerado em um ventre artificial. Um pai fã do videogame se inspirou nessa estética para fazer com que seu filho recém nascido não ficasse exposto às poluições do ar e ao vírus da COVID-19. 

Sim, isso mesmo! O cosplayer conhecido como The_Bai_Ying nas redes sociais criou uma incubadora que contém um filtro para que seu filho respire melhor. O dispositivo conta ainda com uma tela que monitora a qualidade do ar. Apesar de toda a tecnologia, o dispositivo ainda não foi testado. 

Inusitado, não?

Pai que criou a incubadora para seu filho
Fonte: Reprodução | via redes sociais

Conhecemos a história de vários pais que não pensaram duas vezes em se desdobrar e utilizar toda sua capacidade para criar algo para melhorar a vida de seus filhos. Isso demonstra que o amor de um pai pelo filho ou filha pode ultrapassar barreiras e vencer obstáculos intransponíveis. 

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