Apesar do avanço notável na conquista de espaço no mercado de trabalho, as mulheres ainda recebem um salário menor que os homens, ocupam menos cargos na política e, mesmo, estando cada vez mais inseridas no mercado, elas ainda dedicam 73% mais horas que os homens aos cuidados da casa, segundo pesquisa realizada pelo IBGE, em 2018.

Além disso, as mulheres são maioria em relação aos homens quando se trata de ensino superior completo, mas ocupam apenas 44% das vagas registradas no Brasil — em 1950, menos de 14% tinha um emprego. Evidentemente, houve um grande progresso, mas ainda há muitas mudanças a realizar.

Diante desses percentuais, nós preparamos este post para te ajudar a compreender os pontos fundamentais sobre esse cenário. Veja o que vamos abordar, a seguir:

Vamos lá? Boa leitura!

História da mulher no mercado de trabalho

Para falarmos sobre o cenário atual da mulher no mercado de trabalho, é essencial tirarmos um tempo para entender como ela estava inserida nele antigamente.

Antes da industrialização, as mulheres exerciam funções, como realizar as tarefas de casa e cuidar da família. Logo, toda a casa era sustentada unicamente pelo marido. No entanto, a história das mulheres no mercado de trabalho sofreu uma mudança marcante em meados de 1940: as indústrias começaram a se multiplicar e os homens já não supriam a necessidade de mão-de-obra. Foi, então, que as mulheres foram chamadas para ocupar os espaços abertos e se inseriram no mercado.

Contudo, desde o início da inserção das mulheres no mercado, seus salários foram mais baixos em comparação aos dos homens. Consequentemente, as indústrias passaram a optar por elas, uma vez que o custo era menor. Por isso, em 1970 as mulheres brasileiras começaram a lutar por mais direitos e se envolver com as causas feministas. Além disso, elas passaram a ocupar outras profissões, como professoras e costureiras — que se tornaram um estereótipo até os dias atuais.

Desde então, as mulheres vêm ocupando o mercado e tentando equiparar seus direitos aos dos homens. Com isso, houve um aumento de aproximadamente 35% entre 1950 e 2018 na participação de mulheres no mercado de trabalho, segundo dados do IBGE. No entanto, ainda há metas essenciais a conquistar, como igualar a quantidade de homens e mulheres em cargos de gerência e acabar com a desigualdade salarial.

Desigualdade histórica Homens vs. Mulheres

Antes mesmo da entrada das mulheres no mercado de trabalho, a diferença entre os papéis do homem e da mulher já contribuíam para a desigualdade de gênero. A divisão das tarefas de dava com base na ideia de que os homens eram responsáveis pelo sustento da família e de que as mulheres deveriam se dedicar aos afazeres da casa e cuidados.

Entretanto, mesmo com a mudança que vem acontecendo no mercado de trabalho, ainda hoje existem casais que dividem responsabilidades dessa forma e muitas pessoas rotulam atividades do cotidiano como “coisa de mulher” e “coisa de homem”. Isso dificulta o fim da desigualdade e contribui para a manutenção de uma estrutura que coloca as mulheres em posição de inferioridade.

Como é a situação atual da mulher no mercado de trabalho?

Apesar disso tudo, é fato que as mulheres avançaram significativamente no mercado de trabalho e que as empresas já têm se conscientizado a respeito do assunto com o objetivo de promover um ambiente de igualdade de gênero. Exemplo disso é a iniciativa realizada pela ONU, juntamente com o Pacto Social, que está promovendo a equidade de gênero por meio de parcerias.

Com esse incentivo, cada vez mais as mulheres serão inseridas no mercado de trabalho e, por consequência, conquistarão independência econômica. Para compreender melhor o cenário atual da mulher no mercado de trabalho, confira a seguir alguns dados.

Cargos

Como falamos anteriormente, as mulheres vêm conquistando espaços que antes eram ocupados somente por homens. Entretanto, elas ainda são a minoria quando se trata de cargos de destaque e gerência. No Brasil, apenas 36% dos cargos de gerência são ocupados por mulheres, sendo que mais de 43% delas são jovens — até os 29 anos. Diante desses números, é possível concluir que as mulheres não apenas têm dificuldades para alcançar cargos altos, como enfrentam ainda mais dificuldades conforme envelhecem.

Na esfera pública, ainda que exista uma política de cotas (mínimo de 30%) para candidaturas de mulheres em cargos políticos, há uma carência do gênero nesse meio. Segundo o IBGE, somente 1 em cada 10 deputados federais era mulher em 2017 — a taxa mais baixa da América do Sul. Veja o percentual de mulheres parlamentares, a seguir:

  • Senado: 16%
  • Câmara: 10,5%
  • Congresso Nacional: 11,3%

Essa desigualdade prejudica a representatividade desse gênero e dificulta a criação e adoção de políticas, como a construção de delegacias das mulheres. Segundo a Pesquisa de Informações Básicas Estaduais – Munic de 2014, somente 7,9% dos municípios brasileiros têm delegacias destinadas especialmente a elas.

Além disso, as mulheres continuam ligadas à profissões do estereótipo feminino e em posições mal remuneradas. Na educação, por exemplo, elas são maioria no ensino infantil e fundamental, que pagam um salário inferior àquele recebido no ensino médio, formado por um corpo docente majoritariamente masculino. No ambiente corporativo, apenas 16% das mulheres ocupam cargos como CEO.

Também é importante ressaltar a diferença que existe quando se considera o fator racial. Em atividades não remuneradas e que são tidas como estereótipo feminino, as mulheres pretas e pardas são maioria, dedicando 18,6 horas semanais para o trabalho. Enquanto isso, mulheres brancas usam 18,1 horas semanais para essas funções — aproximadamente 73% mais horas do que os homens.

Quanto ao regime de trabalho, 28,2% das vagas de trabalho parcial (até 30 horas semanais) são compostas por mulheres, sendo que 31,3% desse percentual é constituído por mulheres pretas e pardas — novamente, há uma discrepância entre cor. Além disso, apenas 14,1% dos homens se ocupam desse tipo de cargo.

Diferença salarial

Os salários das mulheres é menor que o dos homens desde sua entrada no mercado de trabalho. Atualmente, elas recebem 3/4 do que um homem ganha. Na ponta do lápis, enquanto eles ganham R$ 14,20 por hora trabalhada, em média, elas recebem R$ 13,00. No total, um homem ganha R$ 2579,00 em média e uma mulher, R$ 2000,00.

Essa diferença aumenta quando cargos de destaque são analisados, como diretoria e gerência. Nesse caso, as mulheres faturam até R$ 1 781,00 a menos que os homens, ainda que ocupem o mesmo cargo.

Vale destacar que 16,6% das mulheres realizam trabalhos familiares não remunerados, enquanto que somente 8,6% dos homens têm essa mesma ocupação. Portanto, há uma porcentagem significativa de mulheres que não recebem salário e que, provavelmente, são dependentes de alguém financeiramente.

Por isso, entre 2013 e 2017, as pesquisas sobre o termo “mulher ganha menos” aumentaram 298%, o que nos leva a acreditar que as pessoas estão se interessando mais pelo assunto e se conscientizando. Ainda assim, o tempo estimado para que essa disparidade desapareça é de cem anos de acordo com essa pesquisa.

A importância da mulher no mercado de trabalho

Incentivar mulheres a entrar no mercado de trabalho é uma das maneiras de acabar com a desigualdade de gênero e todas as suas consequências ruins. Além disso, a iniciativa também significaria um grande avanço econômico e social para o Brasil. 

Segundo estudos realizados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil conseguiria expandir sua economia em até R$ 382 bilhões ao longo de oito anos, caso aumentasse em 1/4 a quantidade de mulheres no mercado de trabalho até 2025. A expectativa é de que 5,1 milhões de mulheres entrariam para o mercado de trabalho se o Brasil expandisse 5,5 pontos percentuais.

Além disso, as potências do G20 observaram que é essencial incluir mulheres no mercado de trabalho e investir em sua qualificação para alcançar níveis socioeconômicos melhores. Portanto, países que visam um bom desenvolvimento e crescimento no IDH – Índice de Desenvolvimento Humano precisam colocar a igualdade de gênero como prioridade. Atualmente, o Brasil tem uma das piores desigualdades da América Latina e ocupa 92º lugar no ranking de países mais igualitários.

Quais os desafios para a inserção da mulher no mercado de trabalho?

Para possibilitar e aumentar a inserção das mulheres no mercado de trabalho é essencial que o Brasil invista em algumas áreas, como a educação. Hoje, as mulheres são maioria na conclusão do ensino superior, mas ainda que isso seja um ponto positivo, é importante que o incentivo continue crescendo para aumentar esse número. Além disso, quanto mais qualificadas elas forem, maior será a chance de conquistar cargos de gerência, os quais contam com menos de 10% de mulheres, segundo o IBGE.

Porém, a discrepância no percentual de mulheres brancas e pretas que finalizam o ensino superior ainda é preocupante: 2,3 vezes mais mulheres brancas concluem a graduação em relação a mulheres pretas e pardas.

Outro desafio que elas enfrentam é a dupla-jornada. Muitas mulheres ainda têm que se dividir entre os cuidados de casa e a carreira. Nesse cenário, os homens enxergam as tarefas de casa e os cuidados com a família como uma função exclusiva delas. Desse pensamento surge a dupla-jornada, que desgasta ainda mais as mulheres.

Prova disso é a pesquisa do Instituto CRESCER, que apontou que 64% das mulheres sentiram suas carreiras serem afetadas após a maternidade, uma vez que tiveram que recusar propostas de trabalho para dar atenção à criança ou deixaram de ser promovidas porque engravidaram. Já o estudo da Fundação Getúlio Vargas identificou que metade das mulheres que engravidam são demitidas até dois anos depois que acaba a licença maternidade.

Grandes conquistas das mulheres no mercado de trabalho

O acesso à educação é uma das maneiras de conquistar a emancipação feminina e avançar no mercado de trabalho No Brasil, em 1827, as mulheres conquistaram o direito de estudar além da escola primária. Pouco mais de 50 anos depois, elas foram autorizadas a ingressar no ensino superior. No entanto, o preconceito se mantinha vivo e as mulheres tiveram de superar desafios para ocupar esses espaços, em que sofriam grande opressão.

Em 1910, foi criado o primeiro partido feminino brasileiro, uma grande conquista para as mulheres que, até 1932, eram proibidas de votar. A criação do Partido Republicano Feminino foi um símbolo da luta feminista e do acesso das mulheres à política, meio essencial para que mais conquistas fossem possíveis para o grupo. 

Uma vitória para as mulheres esportistas aconteceu em 1979, quando elas adquiriram o direito de jogar futebol. Antes disso, o futebol não era permitido para elas porque, segundo o Decreto da Era Vargas, o esporte não era compatível com a “natureza feminina”. Até hoje, o preconceito está presente no futebol.

Figuras importantes para a história das mulheres

Dezenas de mulheres ajudaram na inserção do gênero no mercado de trabalho e fizeram história em diversas áreas. São várias as personalidades que poderíamos citar como grandes inspirações. Por isso, elencamos algumas figuras importantes para a história das mulheres. Confira a seguir:

Malala Yousafzai

Malala ficou conhecida em 2012 quando foi baleada por um grupo do Talibã enquanto saía da escola. Na época, ela tinha apenas 15 anos e estava sendo retaliada por se manifestar contra a proibição dos estudos para as mulheres no Paquistão, após falas de um dos líderes do Talibã, em 2008.

Sem aceitar a situação, Malala decidiu criar um blog para compartilhar as dificuldades de viver no país e sua paixão pelos estudos. Apesar de usar um pseudônimo, não demorou muito para que descobrissem sua identidade. Com isso, as emissoras e jornais passaram a entrevistá-la com frequência.

Pouco depois, em 2012, o Talibã decidiu atacou Malala com a justificativa de que a garota era uma ameaça contra o Islã. A ativista precisou ser transferida para o Reino Unido, onde recebeu tratamento e se recuperou. Dois anos após ao ataque, Malala recebeu o Prêmio Nobel da Paz pela sua dedicação e comprometimento em lutar pelo direito das meninas terem acesso à educação.

Maria Firmina dos Reis

Em 1860, Maria Firmina dos Reis entrou para a história ao se tornar a primeira escritora brasileira. Além disso, Maria deu início à crítica antiescravista da literatura brasileira. Filha de mãe branca e de pai preto, trabalhava como professora antes mesmo de ser escritora e já apresentava ideais antiescravistas.

Foi no jornal “A Moderação”, de São Luís do Maranhão, que a escritora publicou sua primeira história. O romance “Úrsula”, de 1859, chamou atenção quando apareceu em uma das páginas do jornal da região, já que na época não era comum que as pessoas publicassem uma história que criticasse a escravidão. O texto precedeu diversos outros romances abolicionistas e se encaixava em um gênero ainda não visto no Brasil.

No entanto, depois de poucas produções, o nome da escritora desapareceu e só foi ser reconhecido em 1962, quando sua obra foi recuperada por um historiador paraibano. Ainda hoje, não se sabe muito sobre a vida de Maria Firmina, mas é inegável a diferença que ela fez na literatura brasileira e na luta antiescravista.

Margaret Heafield Hamilton

A norte-americana Margaret foi uma figura importante para história e na área de computação e engenharia de software. A cientista fez pós-graduação no MIT, um dos institutos mais renomados do mundo e, logo em seguida, foi convidada para seguir carreira no local, desenvolvendo programas de previsão climatológica.

Oportunidades ainda maiores surgiram quando a cientista desenvolveu um software para um computador de intercepção do MIT. O programa tinha como objetivo procurar por aeronaves estranhas e que poderiam ser uma ameaça. Depois desse projeto, Magaret chamou a atenção da NASA e se tornou diretora e supervisora de programação de software para o projeto Apollo.

Ela e sua equipe foram responsáveis pela orientação de bordo do Apollo, o que permitiu que a tripulação desse a volta na lua e pousasse em segurança. O projeto foi um grande sucesso e, por isso, foi utilizado em outras missões, como a Skylab.

Antonieta de Barros

Antonieta de Barros foi a primeira parlamentar preta do Brasil, em 1934. Filha de uma escrava abolida, Antonieta iniciou sua carreira como jornalista em 1921. Ela criou e dirigiu o jornal “A Semana”, que finalizou suas atividades em 1927. Além disso, trabalhou até o fim de sua vida como educadora e foi fundadora do Curso Antonieta de Barros.

Grande defensora do voto feminino, Antonieta se candidatou a deputada estadual pelo Partido Liberal Catarinense nas primeiras eleições que as mulheres puderam se candidatar e votar em 1934 e foi eleita, tornando-se um símbolo de conquista na luta feminina e preta.

Ruth de Souza

Primeira atriz preta a protagonizar uma telenovela, Ruth de Souza foi a pioneira no teatro e na dramaturgia brasileira. Nascida no Rio de Janeiro, em 1921, a atriz sofreu racismo por querer seguir a profissão em um país estruturalmente racista. Na época em que se envolveu com a atuação, na década de 40, Ruth chamou a atenção da imprensa desde o início de sua carreira no teatro.

Pouco tempo depois, ela passou a atuar em filmes brasileiros. Logo em seguida, mudou-se para os Estados Unidos com o auxílio de uma bolsa da Fundação Rockfeller para se dedicar ao cinema estrangeiro.

Após meses de estudos na América do Norte, Ruth retornou ao Brasil e se tornou um sucesso nas novelas transmitidas pela TV Tupi e Record. Já em 1969, foi contratada pela Rede Globo como protagonista da telenovela “A Cabana do Pai Tomás”. Apesar de sua atuação exemplar, ela enfrentava o racismo no ambiente de trabalho constantemente.

Por que a diversidade é tão importante para o mercado de trabalho?

Um mercado de trabalho com diversidade é uma das principais formas de desconstruir preconceitos. Quando as mulheres ocupam os mesmos espaços e cargos que os homens, elas se empoderam e conquistam a emancipação feminina.

Diante dos dados que vimos anteriormente, é nítido que não basta só incentivar o ingresso de mulheres no mercado de trabalho, mas saber que há um abismo entre as mulheres brancas e as pardas e pretas. Portanto, apesar de a totalidade das mulheres sofrer discriminação, o cenário é ainda mais desigual quando comparamos mulheres pretas e pardas aos homens brancos no mercado de trabalho.

Para combater essa situação, é preciso não só promover a igualdade de gênero, como também se conscientizar sobre o racismo estrutural, como ele afeta as mulheres pretas e pardas e as distancia das mulheres brancas. Isso porque só haverá igualdade se todas as mulheres estiverem equiparadas aso homens, independentemente de cor.

É inegável a evolução das mulheres brasileiras no mercado de trabalho, mas é fato que ainda há grandes passos a dar para que haja igualdade de gênero.

Gostou do conteúdo? Aproveite a visita em nosso blog e descubra como é a participação das mulheres na programação!

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