Embora o modelo de trabalho híbrido já fosse uma opção a ser considerada por algumas empresas, a pandemia de Covid-19 acabou acelerando a sua adoção. 

Mesmo com a vacinação em estágio avançado e a flexibilização de restrições em muitos países, a tendência é que o home office ganhe cada vez mais força.

Com as medidas de distanciamento social, o trabalho remoto alternado com o presencial passou a ser adotado não apenas por multinacionais de tecnologia, como também por áreas consideradas mais conservadoras, como o setor público.

De acordo com um novo relatório divulgado pela Forrester, empresa de pesquisa de mercado, esta área especificamente passará por muitas transformações.

Estas mudanças, por sua vez, impactarão toda a economia mundial, considerando que o setor público emprega 33% da mão de obra global e seus gastos correspondem a cerca de 30% do PIB mundial.

Para o ano de 2022, a previsão da Forrester é que o setor público global responda às principais tendências sociais e econômicas. Isso inclui desde preocupações sobre o futuro do trabalho e da economia até outras questões mais abrangentes, como mudanças climáticas e privacidade digital.

Trabalho híbrido permanente

Uma das previsões apresentadas no relatório é que um terço dos funcionários públicos globais trabalharão em regime híbrido permanentemente em 2022. A Forrester pontua, no entanto, que a implementação desse modelo deve variar de acordo com o cargo, tipo de departamento e localização geográfica. 

A expectativa é que os funcionários públicos em cargos relacionados a conhecimentos técnicos serão aqueles que vão se beneficiar mais, podendo exigir a possibilidade de trabalho híbrido em seu trabalho atual ou em uma nova empresa. 

Pessoa sentada em casa com um computador em mãos.
Mesmo com a vacinação em estágio avançado e a flexibilização de restrições em muitos países, a tendência é que o home office ganhe cada vez mais força.

Isso significa que os departamentos e organizações que não oferecerem essa modalidade de trabalho remoto combinado com o presencial poderão enfrentar uma “fuga de cérebros”, principalmente no caso de cargos com alta demanda por profissionais.

Afinal, os funcionários de destaque não hesitarão em buscar oportunidades em outras organizações do setor público ou até mesmo no setor privado se eles oferecerem maior flexibilidade.  

Aliada à adoção do trabalho híbrido, a previsão da Forrester é que 10% da carga de trabalho administrativo do setor público seja automatizada em 2022. A expectativa é que os governos utilizem a automação robótica de processos (RPA) para eliminar tarefas repetitivas e consideradas de baixo valor.

A implementação da RPA, no entanto, poderá ser acompanhada de uma série de desafios. Segundo o relatório, muitas organizações encontrarão dificuldades com mudanças de gerenciamento, relocação de trabalho e esforços para padronizar tarefas.

A solução será recorrer a centros de automação de excelência para que eles possam auxiliar os departamentos nessa transição, oferecendo estratégias, operações e treinamentos para reduzir essa tensão organizacional. 

Investimentos em TI

Embora muitos governos, como dos Estados Unidos e China, estejam investindo em TI para auxiliar programas de recuperação pós-Covid-19, a Forrester aponta dois obstáculos principais que impedem que esses fundos sejam gastos de forma eficaz.

O primeiro deles é a baixa tolerância a riscos devido a auditorias e pressões advindas de órgãos de supervisão. De acordo com as equipes de TI, isso representa um obstáculo à adoção de práticas de tecnologia modernas 

O segundo refere-se a proibições e requisitos de tecnologia associados a questões políticas, que os profissionais da área também enxergam como uma forma de restringir a aquisição de soluções.

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