Cidades são ambientes que desempenham um papel importante no desenvolvimento da sociedade como um todo, fornecendo infraestrutura eficiente e serviços que só são possíveis graças à aglomeração demográfica. Mesmo assim, ainda há muito o que ser melhorado e muitos problemas para serem resolvidos. Qual será a importância que a tecnologia terá no desenvolvimento de soluções inteligentes para cidades? Com isso, começamos a projetar qual seria a cidade do futuro ideal.

Várias obras literárias, filmes e séries já tentaram imaginar como essas cidades vão se estruturar daqui a 15, 30 ou 50 anos. Mas, será que eles estão alinhados com a evolução tecnológica e com as necessidades urbanas? 

Fique conosco neste texto e descubra os fatores que estão revolucionando a forma de se pensar e construir cidades! Ainda, confira uma lista de cidades que já deram o primeiro passo rumo a esse futuro! Veja:

Boa leitura!

Como será a cidade do futuro: 10 fatores que estão moldando os espaços urbanos no mundo  

De acordo com relatórios, o mundo enfrentou uma reviravolta no ano de 2008, quando, pela primeira vez na história, metade da população humana se encontrava dentro de algum perímetro urbano. Para as próximas décadas, é esperado que o número continue crescendo exponencialmente. Em 2013, é esperado que a população urbana seja de 5 bilhões de pessoas. 

Com isso, surgem uma série de problemáticas e desafios que moldarão o crescimento e evolução das cidades nos próximos anos. Quais são os fatores de atenção para que a cidade do futuro seja capaz de receber esse número gigantesco de pessoas? Vamos conferir a seguir o que está sendo pensado e desenvolvido!

Novos materiais


Problema atual: Não é novidade para ninguém que uma das grandes preocupações das nações no século XXI é a escassez dos recursos naturais. Os materiais de construção habituais, como a madeira, levam ao desmatamento de florestas, assoreamento de rios e outros danos, além de que muitos outros materiais utilizados ajudam a poluir o meio ambiente.

Solução: A solução se encontra na utilização e desenvolvimento de novos materiais de construção. O desenvolvimento da impressão 3D permitiu que uma nova gama de materiais pudessem ser criados. Logo, na cidade do futuro, é muito capaz que encontraremos uma grande diversidade de materiais inovadores e não convencionais. Confira alguns exemplos:

Concreto autocorretor

Esse concreto é composto de bactérias ativadas pela água que produzem calcita, material que recupera o concreto de rachaduras. Isso ajuda a manter uma infraestrutura mais resistente, duradoura, além de reduzir os efeitos do efeito estufa provenientes do concreto comum. 

Grafeno 3D

Material composto de partículas de carbono impressas em 3D que é 10 vezes mais resistente que o aço. Isso oferece uma alternativa mais leve para veículos e construção de edifícios. 

Tijolo de lã

Tijolo composto de uma mistura de lã e polímeros à base de algas marinhas que conseguem ser 37% mais resistentes que tijolos comuns. Ajuda a reduzir os efeitos de gases estufa resultantes da fabricação dos tijolos tradicionais e permite maior isolamento térmico contra o frio. 

Madeira do Futuro

Madeira laminada pré-fabricada por meio de pressão. É mais resistente e leve que a madeira comum, e ajuda a reduzir a emissão de carbono.

Mudanças climáticas


Problema atual: As mudanças climáticas são a maior das preocupações para pessoas líderes de nações para suas principais cidades do futuro. Ela é resultante de emissão natural e antropogênica (feita pela mão humana) de poluentes do ar, especialmente os gases que produzem efeito estufa. 

O aquecimento global, uma das principais consequências das mudanças climáticas, faz as cidades ficarem mais quentes, enquanto a intensa e descontrolada urbanização intensifica esse processo por meio de ilhas de calor. 

Isso resulta em uma piora na qualidade de vida das pessoas que vivem nas cidades, levando a quadros de doenças de saúde;

Solução: Para conseguir reduzir a emissão de carbono e lutar contra o aquecimento global, a cidade do futuro deve se aliar às soluções tecnológicas. Alternativas são materiais que ajudam a reduzir a absorção de calor, pavimentos permeáveis que permitem a reflexão da radiação, resfriamento e absorção da precipitação pelo solo. 

Adicionalmente, internet das coisas e Big Data podem auxiliar em uma melhor gestão e organização do fluxo das cidades, ajudando no gerenciamento dos recursos disponíveis. Sensores e sistemas automáticos podem auxiliar na retenção e no reuso de recursos hídricos.

Arquitetura tecnológica

Problema atual: Atualmente, o desenho e construção das cidades é pautado em um plano linear, que se inicia pela extração de matéria-prima, passa pela construção de edifícios, sua operação e vida útil e, por fim, demolição. Entretanto, esse modelo não representa uma maneira sustentável e prática de arquitetura. Além disso, cada vez menos extensão territorial está disponível para a tradicional construção e expansão horizontal das cidades

Solução: Muito influenciadas pela corrida para assentamento extraterrestre, pessoas pesquisadoras pretendem aplicar as novas tecnologias que permitam a construção de moradias fora da terra também na cidade do futuro. 

Em um desses projetos, há a experimentação da inclusão de sistemas biológicos e algoritmos de aprendizagem, o que permite que edifícios tenham maior adaptabilidade a cada contexto e clima. Isso se integrará com o fato das cidades se tornarem inteligentes, com o uso de Big Data e Internet das coisas.

Outro ponto importante é a ideia de que as cidades do futuro deverão ser cada vez mais verticais, para conseguir lidar com o aumento populacional e com a escassez de espaço disponível para sua expansão.

Tecnologias disruptivas

Problema atual: A digitalização segue crescendo em ritmos assustadores. Muitas empresas já estão de olho na construção de realidades cada vez mais virtuais e digitais como o metaverso. Essa visão para o futuro abre novos horizontes para que cada vez mais tecnologias disruptivas, ou seja, completamente novas, surjam. Como irão se adaptar essas novas tecnologias no contexto e nas problemáticas socioculturais da cidade do futuro?

Solução: As tecnologias disruptivas devem estar presentes e devem ser aproveitadas como um todo, desde as estruturas mais complexas, como a interligação da cidade tornando-a inteligente, até produtos que são mais simples e destinados diretamente à pessoas usuárias. Desse modo, as profissões terão que se adaptar a um mundo cada vez mais multidisciplinar, em que internet das coisas e Big Data serão uma realidade. 

Big Data

Problema atual: Uma das grandes preocupações da atualidade é com a segurança dos dados. Cada vez mais, com a intensa digitalização, dados sensíveis de pessoas estão sendo armazenados. Com a cidade do futuro integrada e inteligente, como será sua relação com os dados das pessoas cidadãs?

Solução: A cidade do futuro deverá ser projetada para funcionar como um ecossistema. Ou seja, um sistema que convive e interage diretamente com diversas comunidades e entidades. Para lidar com o enorme fluxo de dados, esse sistema terá de ser flexível, adaptável e muito seguro. Afinal, ele estará interligado a toda a malha de funcionamento da cidade. Questões de privacidade e sigilo deverão ser colocadas em discussão para garantir o bem estar das pessoas cidadãs do futuro. 

Planejamento urbano

Problema atual: Como já dissemos anteriormente, há algumas pautas críticas que são mais urgentes ao pensar na cidade do futuro. Para o planejamento e desenho das cidades, duas são indiscutivelmente essenciais: a densidade demográfica e as mudanças climáticas. Com a população nas cidades cada vez maiores, mais moradias e áreas residenciais deverão ser criadas para comportar esse número de pessoas. Entretanto, os recursos naturais já estão escassos e não há mais espaço territorial para uma expansão desse tamanho.

Solução: Para a questão dos recursos, já abordamos as inúmeras pesquisas envolvendo a criação de novos materiais, mas abrangentes, sustentáveis, resistentes e ecológicos. Porém, como resolver a questão do espaço? Como não é possível expandir para os lados, só existem duas outras direções: ou subir, ou descer! 

Algumas pessoas defendem que o desenho urbano deva ser pensado para abordar construções subterrâneas. Nessa alternativa, o desafio seria iluminação natural e ventilação.

Outras pessoas defendem que as cidades devem se tornar cada vez mais verticais, com prédios mais altos e mais robustos. Dessa forma, materiais mais leves e resistentes às ações da natureza devem ser explorados. 

População

Problema atual: Como já abordado em alguns fatores transversais, a população é um dos fatores mais críticos para a modulação da cidade do futuro. No futuro, as cidades terão populações maiores e mais velhas. Então, além do fato de que a migração para o ambiente urbano aumentará e que a taxa de nascimentos continuará ocorrendo, a população viverá mais tempo. Tudo isso indica que as cidades do futuro serão lares de superpopulações. 

A problemática da população é bastante delicada, uma vez que envolve questões de moradia, alimentação, recursos básicos, e questões sociais, culturais e políticas. A cidade do futuro continuará perpetuando os erros que as cidades atuais já cometem, como a marginalização de uma parcela da população? Como será a gestão e distribuição de recursos para uma população ainda maior? Aumentará a discrepância entre as diferentes classes sociais?

Solução: A solução para esse tópico não é muito evidente ainda. É essencial que a cidade do futuro seja acessível para todos os tipos de pessoas, independentemente de condição financeira e classe social. A solução para isso deverá vir de uma junção das forças do conhecimento gerado pelas universidades e por modelos de governo mais justos. 

Alguns projetos já estão em pesquisa para garantir que a cidade do futuro inteligente seja também livre de injustiças. O projeto Favelas 4D do MIT propõe tornar visível, por meio de escaneamento 3D a laser, áreas irregulares — como a da Favela da Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro. Com esses dados, será mais fácil de oferecer intervenção e políticas públicas. 

Profissões

Problema atual: Estamos em um momento muito instável em relação ao mercado de trabalho, afinal, é um período de transição. As profissões que antes eram pioneiras e ligadas à internet nos dias de hoje se tornaram comuns ou até mesmo já estão obsoletas. Com a quantidade de tecnologias disruptivas despontando no horizonte, há todo um conjunto de profissões que será criado, assim como outro deverá deixar de existir. Como será o panorama profissional da cidade do futuro?

Solução: Como já afirmamos mais de uma vez, a cidade do futuro será inteligente, como um organismo vivo. Para conseguir lidar com as incertezas do mercado de trabalho, as pessoas profissionais de hoje em dia devem voltar sua atenção para carreiras da área tecnológica, como Big Data ou internet das coisas, ou aquelas que lidam diretamente com a atenção e assistência humana, uma vez que isso não será substituído tão rapidamente pela tecnologia ou inteligência artificial.

Mobilidade

Problema atual: No último século, as máquinas automotivas revolucionaram o mercado da mobilidade urbana. Quase 100 anos depois, com a popularização desses automóveis, colhemos os frutos dessa inovação: poluição dos ares e sonora, grandes acúmulos de automóveis promovendo intenso tráfego nas cidades, acidentes, etc. Como a cidade do futuro lidará com esse problema?

Solução: Pensando já nas constantes preocupações com o meio ambiente e também com a nada prática quantidade de veículos nos perímetros urbanos, a cidade do futuro deverá focar menos em automóveis e mais em outros métodos de locomoção. Os automóveis que sobrarem serão pouco utilizados, dando espaço para os que são compartilhados. Confira alguns exemplos a seguir:

Andar

Pode parecer esquisito, que, em uma cidade do futuro completamente tecnológica, andar ainda seja uma opção. Porém, não só é uma opção como será a mais indicada! A questão aqui é que você não precisará andar muito, os lugares que você precisará chegar é que estarão mais próximos!

Hyperloop

É um método de locomoção e transporte de carga que consiste em um trem de alta velocidade que se locomoverá em tubos selados. Como não existirá resistência do ar, ele poderá chegar a até 1200 km por hora. É um projeto da SpaceX com a Tesla. 

Veículos voadores

Já estamos testemunhando o nascimento de alguns projetos de carros voadores. Por enquanto eles não são nada baratos e nem mesmo práticos. Porém, isso deve mudar com o descobrimento e desenvolvimento de novos materiais. Vai demorar um pouco até que esse tipo de transporte seja comumente utilizado por pessoas civis, mas, na cidade do futuro, é capaz que eles já sejam parte da nossa vida.

Economia

Problema atual: Atualmente, ainda vivemos sob hegemonia econômica global dos Estados Unidos da América, que definem sua moeda como padrão no globo. Isso faz com que o país seja potência e avance no desenvolvimento de novas tecnologias e na construção de cidades inteligentes e avançadas. Entretanto, como será o cenário econômico das cidades no futuro. Elas estarão todas concentradas em apenas um país ou estarão divididas ao redor do mundo? O dólar ainda será a referência monetária mundial?

Solução: Isso não é exatamente uma solução, já que o problema não é exatamente um problema, apenas uma leitura conjuntural econômica. Porém, é muito capaz que as cidades do futuro não estejam mais tão dependentes do dólar e da hegemonia norte-americana. Até 2015, prevê-se que a economia mundial terá dobrado em tamanho, com países emergentes liderando o cenário econômico mundial. Países como Índia, Indonésia e Brasil subirão no ranking das maiores economias, destronando antigas potências. A China deverá se estabelecer como soberana no topo do ranking. 

O uso de referências monetárias descentralizadas, como criptomoedas, blockchain e NFT devem se popularizar e concretizar-se como parte fundamental da economia mundial. 

Dito isso, as cidades do futuro poderão ser encontradas ao redor do mundo, com maior incentivo ao desenvolvimento de novas tecnologias em países emergentes, como o Brasil. 

4 exemplos de cidades que estão no caminho para se tornarem cidades do futuro!

Toronto 

O que estão fazendo?

A Sidewalk Lab, subsidiária de inovação urbana da Alphabet Inc (conglomerado que contém a Google) colocará em prática um ousado plano de criação de Quayside, um “bairro” futurista, dentro do perímetro urbano de Toronto.

Quayside, Toronto
Área de construção de Quayside, em Toronto, Ontário, Canadá. 
Fonte: Toronto.ca

A ideia é construir um bairro inteligente, que vai revitalizar uma área industrial que estava em situação de abandono. A aposta está na digitalização da gestão e utilização de aplicativos para reunir dados sobre o que a comunidade pensa e necessita.



Como será?

Quayside projeto de cidade do futuro
Projeto de construção Quayside
Fonte: Sidewalk Labs

Quayside será o primeiro passo. Ele será um bairro que chamará atenção por seu design inovador e que pretende gerar até 44.000 empregos. Depois, a cidade vai se estendendo pela região do River District, alterando as estratégias de deslocamento urbano com bairros em que as pessoas podem suprir qualquer necessidade em no máximo 15 minutos. 

Depois, Villiers West será a nova sede do Google no Canadá. Serão 5 núcleos conectados por uma linha de trem. As ruas serão projetadas com um conceito de pensar primeiramente nas pessoas pedestres, com calçadas maiores. Veículos autônomos serão utilizados para auxiliar o trajeto para o trabalho, cortando a necessidade de cada pessoa ter seu próprio veículo.

A ambiciosa cidade ainda pretende controlar o clima utilizando pavimentos inteligentes e sistemas de calefação, fazendo com que seja possível sair na rua nos dias frios e, ainda, garantindo que não haja gelo. 

Para as moradias, será utilizado um software que coordenará recursos e construções. O material utilizado será madeira e gesso composto de algas e cascas de ovos, garantindo uma maior sustentabilidade. 

O projeto estava marcado para iniciar em 2022, mas sofreu atrasos por conta da pandemia de COVID-19. Isso fez com que o futuro da cidade do futuro ficasse um pouco incerto. No momento, não há exatidão de qual será o destino que tal projeto terá. 

Songdo

O que estão fazendo?

Songdo International City é uma cidade que fica a 65 km da capital Seul, na Coreia do Sul. Ela foi construída do zero em uma zona que foi completamente aterrada, misturando o conceito de táxis de Nova Iorque com os canais de água de Veneza. 

Em seu centro há um parque central, que já estava nos planejamentos da cidade assim que ele começou. A cidade é reconhecida por sua infraestrutura complexa e caráter internacional. 

Songdo International City, cidade do futuro na Coreia do Sul

Como é?

A cidade foi concluída em 2015, e representa uma das primeiras cidades a ser reconhecida como sustentável e inteligente. 

Ela é chamada assim por utilizar a tecnologia a seu favor. As moradias contam com uma tela que projeta o consumo de energia em tempo real. Assim, as pessoas sempre sabem o quanto estão gastando. 

Seu sistema de reciclagem é uma das coisas que mais chama atenção. Ele aspira o descarte desde a cozinha das residências, levando-o por uma rede subterrânea até a área de processamento. Isso faz com que os tradicionais caminhões de lixo não sejam necessários.

Songdo Parque

O tráfego da cidade é controlado por um centro de controle, que controla quantas pessoas entraram na cidade. Apesar disso, tudo é muito acessível por outros meios de locomoção como bicicletas. 

Medellín

O que estão fazendo?

Medellín já é reconhecida como a cidade mais inteligente da América Latina. A segunda maior cidade da Colômbia conta com uma trajetória polêmica, mas agora se destaca pela inovação. 

Vsita panorâmica de Medellín, Colômbia
Fonte: Forbes



Como é?

A cidade, que antes era conhecida por sua violência e por abrigar Pablo Escobar, agora conta com uma série de inovações que a colocam na lista de cidades do futuro. 

A cidade conta com a melhor rede de transporte público da américa latina. Há teleféricos que atendem a uma população mais carente e que moram em lugares altos, conectando-os ao centro da cidade. 

Teleférico em Medellín

Há acesso Wi-fi público em cada canto da cidade, além de ser lar do maior centro de inovações da América Latina. Medellín ainda conta com o maior número de bibliotecas públicas. 

Apesar de ainda haver uma discrepância social muito grande, Medellín tem focado em um desenvolvimento urbano com viés social, tentando aproximar o abismo entre classes. 

Atualmente, Medellín é lar para uma série de inovações tecnológicas e startups, servindo inclusive de comparação com o Vale do Silício. 

Woven City

O que estão fazendo?

Pensando na mobilidade e na sustentabilidade, a empresa japonesa Toyota está criando no Japão Woven City, uma cidade que será incubadora de desenvolvimento tecnológico. Seu projeto foi anunciado em janeiro de 2020, e sua construção se dará aos pés do Monte Fuji.

Woven City, no Japão, cidade do futuro da Toyota


Como será?

De princípio, a Toyota convidará 2 mil pessoas para residirem na cidade, entre pessoas residentes e pesquisadoras. O objetivo é tornar-se uma cidade neutra na emissão do carbono, criando um lugar “entrelaçado”, como o nome, Woven, sugere. 

Os edifícios serão construídos com materiais à base de madeira para evitar a emissão de carbono e terá como base painéis de energia fotovoltaica. Os cidadãos terão a sua disposição carros autônomos para a locomoção movidos a hidrogênio. 

Cidade interligada Woven City
Fonte: Toyota

Serão utilizadas tecnologias de robótica e inteligência artificial para auxiliar as pessoas em suas tarefas cotidianas, inclusive para monitorar seus estados de saúde.

Qual a relação entre cidade do futuro e cidade sustentável?

Cidade sustentável é um conceito que abrange zonas urbanas que compreendem a importância de alinhar o desenvolvimento econômico com a preservação do meio ambiente. Dessa forma, essa cidade pauta seu consumo, produção e uso de recursos naturais a partir de aspectos socioambientais. 

A partir desse conceito, é impraticável desassociar o conceito de cidade do futuro do de cidade sustentável, uma vez que, parte da premissa do desenvolvimento urbano é pensar soluções que não prejudiquem o meio ambiente. 

Em síntese, todo desenvolvimento atualmente não é de fato um progresso se não levar em consideração a vertente socioambiental. Afinal, os níveis de emissão do carbono e o aquecimento global estão em graus alarmantes e seus efeitos já podem ser irreversíveis, segundo relatório da ONU. 

O que não haverá mais nas cidades do futuro?

Estamos em um estado de constante evolução e transição, em que uma tecnologia surge para dar espaço para outra. Como esse movimento é inevitável, algumas coisas devem não mais fazer parte do nosso cotidiano na cidade do futuro. 

Já falamos bastante sobre como o sistema da cidade do futuro será inteligência e orientado a dados. Dessa forma, a primeira grande mudança que poderemos deixar de ter em nossa vida urbana é a existência dos cabos. Tanto os cabos de energia elétrica, quanto os de telefone devem desaparecer, dando espaço para tecnologias semelhantes ou mais avançadas que a fibra óptica. Nas casas, os cabos também desaparecerão. Tudo será comandado pela internet das coisas, por meio de WiFi ou Bluetooth. 

Carros não serão mais tão comuns, uma vez que novas formas de mobilidade surgirão e se tornarão mais acessíveis. A gasolina deve deixar de ser utilizada, pois o combustível fóssil é um grande poluente de nossa atmosfera. Em seu lugar, carros serão movidos a energia elétrica e outras fontes, como hidrogênio. 

Outra coisa que possivelmente desaparecerá e que não sentiremos falta é a poluição do ar. Com menos poluentes sendo lançados na atmosfera, devemos sentir uma melhora na qualidade do ar. 

Outra coisa que poderá deixar de ser comum são os longos campos de plantações. A biotecnologia se aliará ao cultivo de alimentos para criar hortas verticais que possivelmente ficarão dentro de edifícios, no centro da cidade!

É evidente que todas essas informações não são certeza. Elas são pautadas em suposições acerca do que está sendo desenvolvido no momento. 

Quais são os riscos das cidades brasileiras no futuro?

Diferentemente do que foi demonstrado em outros tópicos, o Brasil ainda não tem nenhum projeto de construir uma cidade do futuro do zero. Dessa forma, o que deve-se esperar é que as cidades adaptem-se às novas realidades, colocando-se rumo ao futuro.

Entretanto, como essa mudança deve acontecer em uma cidade que já está estabelecida, isso pode levar à ocorrência de alguns problemas, fazendo com que haja alguns riscos. Confira quais são eles abaixo

Crise hídrica

Apesar de termos muita água disponível no Brasil — afinal, temos os maiores cursos de água e aquíferos do mundo — esse recurso atualmente não é muito bem gerenciado. Adicionalmente, grande parte da matriz energética brasileira é baseada em hidrelétricas, que utilizam recursos hídricos para gerar energia. 

Pensando em um cenário de grande utilização energética e desenvolvimento tecnológico, as cidades do futuro brasileiras podem enfrentar um grande problema de abastecimento de água e de geração de energia caso esse cenário não mude imediatamente

Discrepância social

Assim como o exemplo dado de Medellín, o Brasil tem um grave problema de disparidade econômica em suas maiores cidades, sendo nítido em lugares como Rio de Janeiro e São Paulo. Esse fato complica a implementação de novas tecnologias e a transformação de cidades em lugares inteligentes. 

Isso porque, caso não seja feita de maneira a respeitar e incluir a população que vive mais às margens das cidades, poderá acabar ampliando esse abismo social, causando uma ainda maior desigualdade

Desemprego

Diferentemente de alguns países, a indústria brasileira ainda é muito pautada na mão de obra humana, e compõe 20,4% de participação no emprego formal de pessoas trabalhadoras, segundo o portal da indústria. Muitos desses cargos poderão desaparecer daqui há alguns anos, dando espaço para máquinas e robôs. 

Essa transição será necessária para que a cidade do futuro possa se estabelecer e o Brasil possa atingir um patamar elevado de desenvolvimento e aporte tecnológico. Porém, isso deve ser feito de uma forma estratégica. Assim, um desafio que as cidades do futuro terão será readaptar o mercado de trabalho, de forma a remanejar essa porcentagem de pessoas trabalhadoras para outras funções, ou haverá o risco do nível de desemprego aumentar. 

Qual capital brasileira está mais preparada para o futuro?

Segundo o Ranking do Connected Smart Cities de 2021, a cidade que mais apresenta um nível de inteligência e, portanto, está a um passo de estar mais preparada para ser uma cidade do futuro no Brasil é São Paulo

Logo após vieram, consecutivamente, Florianópolis (SC), Curitiba (PR), Brasília (DF) e Vitória (ES). 

As cidades foram avaliadas segundo critérios que envolviam tecnologia, inovação, mobilidade, governança, meio ambiente, entre outros. 

Dentre os destaques que levaram São Paulo a essa posição está o fato de que a cidade tem 99,8% de cobertura 4G, apresenta inovações ao permitir pagamento PIX em aplicativos para utilizar no transporte público, permite agendamento de horários no sistema de saúde via internet, além de contar com uma rede de semáforos inteligentes. 

Neste artigo, conhecemos um pouco do que se espera acerca da cidade do futuro e seus fatores. Ficou evidente que nenhum futuro será ideal se não houver uma preocupação com o meio ambiente e com as questões sociopolíticas da população. Afinal, as cidades do futuro terão um desafio ainda maior pois serão lar de sociedade que estará cada vez maior. Dessa forma, diversos fatores impactam o que devemos esperar dessas inteligentes zonas urbanas. 

Por fim, conferimos alguns exemplos de cidades que já deram o primeiro passo rumo a esse futuro, que pode não estar tão distante assim como pensamos. Apesar de tudo ainda ser um grande mistério, sobrando apenas algumas deduções plausíveis, somos capazes de projetar como será essa realidade baseada no desenvolvimento tecnológico. 

O que achou sobre as cidades do futuro? Não pare de aprender aqui, confira nosso texto sobre Reconhecimento facial e conheça essa tecnologia que promete estar muito presente no futuro!

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