Desde que os seres humanos sentiram a necessidade de fazer transações entre eles, inicialmente por meio do escambo, iniciou-se a ideia de “valor” e de “dinheiro”. As moedas surgiram para representar essa transação, sendo transformadas em signos monetários por conta da representação de materiais nobres e escassos na natureza, como ouro e prata. Com a evolução humana em conjunto com a ainda maior escassez desses recursos naturais na atualidade, viu-se a necessidade de criar outros signos monetários utilizando-se como matéria-prima a tecnologia da informação. Deu-se então o surgimento de elementos como o NFT.

O NFT faz parte de uma onda de digitalização do dinheiro e da moeda, trazendo para o mundo virtual essa questão que existe desde que a sociedade foi instaurada, que é o comércio. Entretanto, é importante reforçar que o NFT não representa a mesma coisa que as criptomoedas e utiliza tecnologia blockchain em sua concepção.

Muitos nomes complicados? Não se preocupe! Preparamos um conteúdo completo para que você saia daqui sabendo tudo o que é necessário sobre essa nova tecnologia que representa uma revolução na forma de se fazer transações na era digital.

Confira só:

O que é NFT?

NFT é um acrônimo para Non-fungible token, que significa “Token Não Fungível”. Ele representa uma nova forma de token criptográfico que tem como singularidade o fato de que seu valor é único e não cambiável.

Difícil essa definição, né? Vamos compreender isso por partes, então. 

Para entender o que é NFT ou qualquer outra forma de circulação monetária, precisamos primeiro entender o conceito de lastro. No sentido figurado, é tido como uma base sólida que serve como fundamento para algo. Na economia, o lastro é um depósito em ouro (ou metal raro) que assegura o valor do papel-moeda e faz com que ele não seja só um pedaço de papel que não vale nada.  

Em outras palavras, a cédula em dinheiro só vale alguma coisa pois, em teoria, existe uma reserva de ouro que a representa guardada em algum lugar. Essa é a base da existência do valor de uma moeda e é por isso, por exemplo, que não podemos imprimir mais dinheiro e colocá-lo em circulação. 

Aplicando isso às moedas digitais e ao NFT, portanto, sabemos que elas precisam ter alguma coisa que assegure seu valor. Em relação ao NFT, ele cria o valor escasso transformando um recurso ou obra digital em algo único e que pode ser rastreado e verificado por meio de tecnologia blockchain (explicado no próximo tópico). Logo, o valor surge de algo que é único, mesmo que isso seja reproduzido inúmeras vezes.

Para entendermos melhor, vejamos o exemplo a seguir:

Abaporu, de Tarsila do Amaral, como exemplo.

Este é o Abaporu, uma das maiores obras artísticas de todos os tempos, criada no Brasil, por Tarsila do Amaral. 

Ou melhor, essa é uma representação digital da obra original, que foi comprada pelo empresário argentino Eduardo Costantini por 1,3 milhão de dólares. Por mais que esteja exposto no Museu de Arte Moderna de Buenos Aires, todas as pessoas sabem que o empresário é o dono da obra original. E, por mais que estejamos vendo uma representação do quadro neste momento, de certo é do interesse de muitas pessoas viajar para ver a peça original. E por quê?

Por que a obra original tem um valor inestimável que é único e que não pode ser quantificado por meio de dinheiro palpável. Logo, ela se converte em um token — um objeto — não fungível, ou seja, algo que não tem outra coisa que tenha valor semelhante. 

Uma nota de um real tem o mesmo valor do que outra nota de um real, ou seja, são fungíveis. Mas o Abaporu não tem o mesmo valor que uma obra de Cândido Portinari, por exemplo. E também não podemos dizer que um vale mais que o outro, pois não podemos quantificá-los. Só sabemos que seu valor é diferente. 

A mesma coisa ocorre com NFTs. Elas são obras digitais, que podem ser de qualquer tipo — como mostraremos adiante —, que têm valor único e, portanto, são convertidas em Tokens não fungíveis.

E qual o lastro dessas obras, ou, como embasamos o valor dessas obras? É aí que entra a importância do blockchain.

A criptografia blockchain e a relação com NFT

Blockchain é uma tecnologia que foi criada para ser uma espécie de livro caixa da internet, ou seja, uma ferramenta para registrar e contabilizar todas as transações financeiras. Ela é um banco de dados compartilhado por uma rede de computadores. Uma vez que um item é registrado em blockchain, é quase impossível alterar seu registro. 

Para garantir que não houve nenhuma corrupção dos dados e que as cópias dos arquivos e suas informações são idênticas, a rede checa constantemente todas elas. 

O banco de dados do Blockchain

O banco de dados do blockchain é formado por três elementos básicos que se relacionam diretamente:

  • dado: pode ser qualquer coisa, desde uma informação a uma transação financeira;
  • bloco: esse é o “block” do blockchain. Um bloco é formado por um conjunto de dados;
  • corrente: o “chain”, de blockchain. Os blocos se interligam em uma enorme corrente, formando uma cadeia de blocos. 

Para exemplificar uma transação de NFTs, vejamos como funciona o blockchain:

  1. Uma pessoa vende uma obra de arte (NFT). O sistema registra essa transação no banco de dados, convertendo-a em um dado com uma assinatura digital de ambos lados (comprador e vendedor), assegurando sua veracidade.
  2. Esse dado, agora no banco de dados, é reconhecido pela rede blockchain, que é formada por vários computadores. Cada computador nessa rede é chamado de . Cada um desses nós verifica que o dado tem informações válidas. 
  3. Sendo aceito, o dado está pronto para compor um bloco. Cada bloco tem um “hash”, uma sequência de código única. Para garantir que esteja interligado com a corrente, esse bloco também recebe o número do “hash” do bloco que foi colocado anteriormente, vinculando-os como se fossem elos.
  4. O bloco fechado é então inserido nessa corrente de blocos, que recebe uma certa ordenação a partir dos códigos hash presentes em cada um deles. 

Essa transação é segura pois:

  • Os códigos hash são gerados a partir de funções matemáticas complexas que têm como resultado uma sequência de números e letras que vai ser sempre do mesmo tamanho, independentemente se o produto for um simples tweet ou um livro. 
  • Para “roubar” ou alterar a veracidade de um desses dados, uma pessoa mal-intencionada teria que mexer na composição desse dado. Qualquer alteração em qualquer dado do bloco gera um novo código hash. Porém, o próximo bloco contém informações sobre o anterior, o que faz com que ela tenha que alterar todos os blocos da corrente na sequência. E se não o fizer, qualquer alteração em um bloco quebraria a corrente toda. 

Qualquer um pode adicionar blocos no blockchain e vender NFTs?

Não. Para assegurar que você possa se juntar à rede e adicionar apenas um bloco (ou parte de um) em um blockchain, o computador deverá provar seu valor resolvendo — ou ajudando a resolver — um problema matemático de altíssima complexidade, o que pode levar um tempo indeterminado a depender de seu processamento. Conforme o progresso, os “nós” recebem recompensas, que podem ser blocos, tokens/criptomoedas. E estes podem ser vendidos ou comercializados. 

Exatamente, é desse jeito que você consegue “minerar” uma criptomoeda! Entretanto, é importante frisar que uma criptomoeda não é a mesma coisa que um NFT, pois ela ainda compõe o grupo dos tokens fungíveis, ou seja, você consegue trocar uma criptomoeda por outra e ainda assim, garantirá que está recebendo o mesmo valor. O mesmo processo não ocorre com NFTs.

Para deixar bem explícito, em resumo, ter um NFT significa ter um espaço, um dado dentro dessa rede blockchain, que é difícil de ser acessada. Esse é o lastro que assegura o valor do NFT e que faz com que seu registro seja possível de ser acessado e rastreado. 

Assim, qualquer um que tiver um “espaço” dentro dessa corrente, pode pegar qualquer coisa única na internet, como um meme, por exemplo, e vendê-lo. Ao ser registrado, esse meme poderia ser reproduzido inúmeras vezes pelas redes sociais, mas o registro de sua posse estaria no nome da pessoa que o registrou e comprou. É a mesma ideia de comprar uma obra de arte caríssima, como o Abaporu, e expô-la em um museu. Afinal, qual o valor de algo se ninguém vai apreciá-lo?

Para que serve o NFT?

Já vimos que qualquer coisa de fato pode ser um NFT, basta ser único. Entretanto, vamos conferir algumas representações mais concretas do uso de NFTs atualmente:

Arte digital

NFT de Beeple, Everydays

Representação da obra “Everydays” de Beeple

Arte digital é um dos casos mais comuns de uso de NFT, por conta da habilidade do blockchain de garantir que a peça, que pode ser viralizada, tenha um registro. 

Por exemplo, a peça de arte digital “Everydays — The first 5000 days” do artista Mike “Beeple” Winkelmann foi vendida por um valor de 69 milhões de dólares no ano de 2021. Essa foi a terceira maior audição da história de um artista ainda em vida. 

Colecionáveis

LeBron James vendido como card NFT

Lembra-se da época em que cards, figurinhas e tazos eram trocados a todo instante, e pessoas pagavam muito dinheiro para ter uma edição rara ou de colecionador? Pense que isso pode voltar a ser uma realidade, com esses objetos em versões digitais sendo vendidos. Isso já é uma realidade, sendo que uma carta do jogador de basquete da NBA LeBron James foi vendida por 208 mil dólares em fevereiro de 2021!

Jogos

representação dos NFT no mundo dos Jogos

Recursos dentro de jogos estão sendo negociados em NFTs também, por exemplo, blocos de terra dentro de jogos que poderão estar à disposição da pessoa jogadora em vez de desenvolvedores. 

Músicas

Representação dos NFT no mundo da música

A tecnologia de NFTs permite que artistas e grupos musicais transformem e publiquem suas músicas em formato de token, ampliando assim a lista de possibilidades que eles têm de monetizar e lucrar com seus trabalhos. 

Filmes

Poster do documentário Claude Lanzmann, primeiro longa NFT

Assim como as músicas, os filmes mais apreciados pela indústria cultural podem ser leiloados como NFTs. Dez cópias da primeira edição do documentário indicado ao Oscar Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah foram colocadas em leilão, sendo o primeiro longa-metragem a conseguir esse feito. 

NFT e DeFi: Qual a relação?

Acabamos de ver que, para os usos de NFT, a imaginação é o limite! Desde áreas como arte, video games, até música e vídeo, esses tokens podem ser vendidos ou até mesmo fracionados dentre diferentes pessoas!

É aí que entra a relação de NFT com DeFi.

DeFi é uma contração em língua inglesa para “Finanças descentralizadas”. Isso significa que não há apenas uma pessoa ou entidade responsável por essas transações, elas podem ocorrer independentemente, por meio de contratos.

Logo, NFT pode ser considerado um tipo de projeto DeFi, uma vez que sua comercialização ocorre descentralizadamente via Blockchain, sem ter uma entidade por trás que atue coordenando.

Qual foi o primeiro NFT?

Primeiro NFT vendido, Quantum

O primeiro NFT criado foi o “Quantum”, uma forma octogonal animada criada pelo artista Kevin McCoy. A arte foi associada ao certificado criptográfico NFT em maio de 2014, que foi três anos antes do próprio termo [NFT] ter sido utilizado pela primeira vez. Um dia depois de ter ido à venda, seu valor já era de 140 mil dólares. 

Vale a pena investir em NFT?

O sucesso dos NFTs é inegável. Entretanto, será que esse cenário é permanentemente estável? Alguns especialistas dizem que não. Logo, a resposta é: depende. Especialistas afirmam que a febre dos NFT pode sim se tratar de uma bolha que pode ser estourada em breve. Portanto, o assunto divide opiniões.

Apesar de ser unânime a ideia de que a bolha poderá estourar em breve, pensa-se que a queda não será tão brusca como quando as criptomoedas tiveram seu colapso em setembro de 2018. A razão para isso é que, como os ativos são fixos e únicos, os valores das obras não devem ser afetados, sendo apenas um desaquecimento.

Entretanto, é importante ter em mente que nem sempre NFT representa um investimento, uma vez que, por ser colecionável, o recurso pode não ter variação de valor e nem ser valorizado no futuro. 

Em síntese, deve-se ter muita cautela ao investir em NFT e pensar se é de fato um bom negócio investir em algo cujo valor é fixo e possivelmente não se valorize no futuro. É mais recomendado caso queira algo por valor sentimental ou por ser colecionável.

Quais os NFTs mais curiosos já comercializados?

Como o mercado de NFTs é composto em grande parte por arte e colecionáveis, alguns itens vendidos podem ser bastante curiosos. Confira a seguir alguns dos NFTs mais curiosos já comercializados.

Nyan Cat

Nyan Cat gif

Você lembra do gatinho voador mais amado do YouTube? O Nyan Cat viralizou com mais de 185 milhões de visualizações há mais de uma década. Seu NFT acabou sendo vendido por 531 mil dólares

O primeiro tweet de Jack Dorsey, o co-fundador e CEO do Twitter. 

Primeiro tweet de Jack Dorsey

“Apenas ajustando aqui meu twttr” disse Jack Dorsey, CEO do Twitter, em 2006. Esse tweet foi convertido em NFT e vendido por apenas 2.9 milhões de dólares! O dinheiro foi destinado a instituições de caridade que ajudavam países africanos durante a pandemia de COVID-19.

NFTs são uma nova febre em transações financeiras e prometem revolucionar o mercado de arte e colecionáveis. Com qualquer coisa podendo se transformar em um artigo de arte digital e ser comercializado, é possível que os rumos da negociação de arte e da indústria cultural sejam revolucionados por completo. Vamos nos manter acompanhando essa tendência de perto para ver quais serão os seus desdobramentos!

Gostou da nossa explicação sobre NFT? Aprenda um pouco mais agora sobre a China e quais são os planos dela para a tecnologia mundial!

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