Desde que surgiu, a figura do hacker é muito controversa. A mídia e a indústria cinematográfica contribuíram largamente para sua imagem de criminalidade. Por isso, para muitas pessoas, hackers ainda são os piratas que têm como seu domínio os mares da internet, navegando em bandas clandestinas, atacando e invadindo fortalezas e embarcações digitais e pilhando dados, informações e dinheiro. 

Aquelas pessoas que conhecem um pouco mais sobre o assunto podem associar esses indivíduos com o grupo ativista hacker conhecido como Anonymous, famoso pelos seus ataques a uma variedade de governos, instituições e agências. A verdade é que, apesar dessas serem duas realidades condizentes com a cultura hacker, elas estão longe de definirem, na totalidade, o que é ser hacker. 

Você talvez se surpreenda com o fato de que ser hacker é uma das muitas carreiras em tecnologia, e que é algo em que você pode se especializar e trabalhar na área, já que, atualmente, muitas empresas precisam de hackers para ajudar na Cibersegurança

Quer saber um pouco mais sobre a cultura hacker, sua definição e outros detalhes? Então é só continuar a leitura com os seguintes tópicos:

Vamos lá!

O que é hacker e o que faz esse profissional?

Em sua definição elementar, hacker é uma pessoa que utiliza um sistema computacional para obter acesso não autorizado a outro sistema em busca de dados. Ainda, hackers podem deixar um sistema indisponível. 

As origens para o termo que conhecemos hoje parecem indicar a década de 60, quando uma pesquisa popular na universidade MIT designou dois tipos de estudantes, tools e hackers.

Tools seriam estudantes que sempre estão em aula e que, quando estão fora dela, se encontram nas bibliotecas, se empenham e dão seu melhor. Hackers seriam o oposto: estudantes que não se esforçam, não vão às aulas e dormem o dia todo, utilizando a noite para perseguir hobbies, os quais seriam obcecados. 

Uns anos adiante, na mesma universidade, o termo serviria para designar pessoas que exploravam telhados e túneis que não deveriam — os building hackers. Isso demonstra que a origem do termo começou bem ampla antes de se afeiçoar de um único grupo: aquelas pessoas que tinham como hobbies saber tudo possível sobre computadores e fazer com que estes fizessem o que quiserem — os computer hackers. 

Dentro do grupo de computer hacking, podemos encontrar uma infinidade de especialidades, como hackers de algoritmo, que sabem o melhor algoritmo para qualquer situação; ou hackers de sistema, que sabem tudo sobre sistemas operacionais. 

A partir de tudo isso, é importante constatar que uma pessoa que queira apenas quebrar a segurança de algum sistema para ganhos benéficos não pode ser chamada de hacker. Isso não significa que não existam hackers que atuam para o mal. A questão primordial está na ênfase: o interesse primário de hackers é entender como um sistema funciona, o que farão depois com essa informação dependerá de sua conduta. Logo, alguém que fizer o caminho contrário não será um hacker. 

Hacker e cracker: qual a diferença?

Como dito anteriormente, hacker é uma pessoa muito habilidosa, que procura saber tudo sobre computadores e explorar sua capacidade ao máximo. Crackers são a mesma coisa. A única diferença entre esses dois grupos é a conduta. Para os crackers, a quebra da segurança e invasão é feita para fins ilícitos, logo, crackers são taxados de criminosos.

Esse termo foi difundido pela própria comunidade hacker para que a mídia e pessoas leigas parassem de categorizar todas as pessoas hackers como criminosas. Apesar disso, o termo ainda é muito controverso, já que, quando se trata de bem e mal, legal ou ilegal, as linhas podem ficar um pouco difusas em algum momento. Por isso, outros termos são mais adotados pela comunidade atualmente:

  • Chapéu Branco: utiliza seus conhecimentos de forma ética, visando antecipar os movimentos dos chapéus pretos e confrontar suas ações. Geralmente, chapéus brancos são pessoas que trabalham em instituições e grandes organizações, fortalecendo a segurança;
  • Chapéu Preto: hackers que preferem utilizar seu conhecimento de modo ilegal, como roubos de dados e dinheiro ou tirando sistemas do ar. Suas intenções são sempre maliciosas e suas ações são consideradas crimes;
  • Chapéu Cinza: são hackers que são mais interessados em vender suas habilidades para quem pagar mais, logo, a ética geralmente não vem em primeiro lugar.

Como ser um hacker ético?

A área de Ethical Hacking conta com chapéus brancos em sua grande maioria. Uma pessoa que decide seguir carreira nessa área deve se atentar ao ponto de vista da pessoa adversária. 

Essa pessoa profissional procura vulnerabilidades que poderiam ser exploradas por chapéus pretos. Isso permite seja possível mitigar essa falha antes que um ataque real aconteça. Logo, o objetivo principal de hackers éticos é simular ciberataques em um ambiente controlado.

Uma pessoa que trabalha com isso pode ser uma consultora freelancer, convidada por uma empresa que é especializada em simular ofensivas cibernéticas ou funcionária em tempo integral de uma companhia

Para se destacar no ramo, além do desejo em obter conhecimento na área da tecnologia da informação, uma pessoa candidata precisa compreender como funcionam redes com e sem fio, entender a fundo como usar sistemas operacionais como Windows e Linux, além de ter conhecimentos em firewall e sistema de compartilhamento de arquivo. Além disso, precisa entender de servidores, cloud computing e ciência da computação, no geral. 

Para além desses pontos de ética e hard skills, a pessoa candidata precisa apresentar um combo especial de criatividade e pensamento crítico. Isso porque esse tipo de hacker precisa pensar como a pessoa adversária, entendendo seus motivos, estimando quanto tempo levaria para alcançá-los e por qual meio agiria.

Em resumo, a definição de hacker é muito diferente do que a apresentada pela mídia. Essas pessoas são interessadas em descobrir todas as possibilidades de uso dos computadores e suas aplicações, divergindo em sua conduta. Alguns podem agir ajudando na defesa, outros podem usar seus conhecimentos para atos criminosos.

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