Um dos problemas sérios que uma pessoa pode enfrentar ao gerenciar um projeto, seja pessoal ou em uma companhia ou startup, é encontrar as razões pelas quais um produto ou resultado não está satisfatório, está imperfeito ou até mesmo apresenta uma falha. Por vezes, tais razões não são tão fáceis de se localizar e corrigir, o que leva a uma redução na produtividade.

Pensando nesses aspectos em controle de qualidade, Kaoru Ishikawa desenvolveu um diagrama para a indústria de construção de embarcações, por volta de 60 anos atrás, que ainda é muito eficaz e utilizado para as mais variadas áreas. Ele ficou conhecido como diagrama de ishikawa

Que tal conhecer um pouco do diagrama de ishikawa e entender como ele pode auxiliar nos processos de controle de qualidade e localização de falhas em projetos e produtos? Confira o que você vai ver nesse artigo:

Vamos aprender?

O que é o diagrama de ishikawa?

Também conhecido como diagrama de Causa e Efeito ou Espinha de Peixe, é uma ferramenta utilizada para evidenciar as causas de um evento. Seu uso é frequente no desenvolvimento de produtos, pois com ele é possível traçar diferentes passos em um projeto, demonstrar como os erros no controle de qualidade podem afetar o processo e demonstrar quais recursos serão utilizados em cada momento específico.

Em outras palavras, o diagrama de ishikawa serve para elucidar fatores causais de um evento que incidem sobre um determinado produto final, geralmente relacionados a uma falha na produção ou design. 

O formato do diagrama lembra o esqueleto de um peixe, cada um dos ossos laterais sendo as causas. O problema final estará na cabeça do peixe. 

Os 6M do diagrama de ishikawa

O diagrama de ishikawa divide as causas dos problemas em seis categorias, conhecidas como os 6M. Vamos conferir quais são eles.

Método

Esta categoria diz respeito às possíveis causas para erros em relação à metodologia e os procedimentos escolhidos para a execução do trabalho. Nesse campo serão inseridas todas as causas que possam ter influenciado o problema a acontecer, sejam elas a partir da utilização incorreta da metodologia ou alterações na forma de trabalhar. 

Matéria Prima

Será que a qualidade do material reduziu? Deveríamos substituí-lo ou trocar o fornecedor? Esses são questionamentos válidos para essa categoria, que diz respeito à causas referentes à qualidade da matéria prima utilizada para a confecção do produto

Mão de obra

Algumas vezes, o erro pode ter ocorrido por conta de alguma negligência por parte da pessoa colaboradora. As causas mais comuns são imprudência, desleixo, qualificação insuficiente e inadequação nos processos de trabalho. Portanto, nessa categoria são listadas as causas referentes àquela pessoa que está envolvida nos processos de produção.

Máquinas

Apesar de apresentarem um trabalho mecanizado e padronizado, não é impossível que o problema tenha sido causado por um erro proveniente do maquinário utilizado para a produção. Logo, aqui deve-se considerar como fator o funcionamento correto das máquinas, assim como sua utilização adequada

Medição ou Medidas

Uma das causas para uma receita de bolo mal-sucedida pode ser a quantidade de farinha ou leite que você adiciona, certo? Essa situação pode ser aplicada para outras ocasiões, também. Logo, as medidas são fortes candidatas para gerar alguma alteração no produto final. Ao preencher essa categoria, deve-se levar em consideração todas as medidas, métricas, a calibração dos instrumentos de medição, assim como sua eficácia

Meio Ambiente

Frequentemente esquecido, o meio ambiente pode influenciar e muito no produto final de um projeto. Seja sua iluminação, temperatura, localização dos equipamentos e instrumentos, posicionamento e dinâmica das pessoas colaboradoras. Se algum desses fatores estiver muito alterado, pode ser que essa seja a causa do problema. 

Cada uma dessas categorias é colocada ao redor da espinha dorsal da figura do “peixe” no diagrama de ishikawa. Suas ramificações são as causas. Já as ramificações dessas causas podem ser as razões que as ocasionaram. Confira a imagem a seguir para entender melhor:

Para que serve o diagrama de ishikawa?

O diagrama de Ishikawa, em sua essência, está intimamente ligado à área de indústria e manufatura pelos seus elementos primordiais. Desse modo, pode ser usado para resolução de problemas e controle de qualidade de uma produção. Com a ajuda desta ferramenta, é possível localizar clinicamente a origem de um problema ou efeito que prejudica o produto final. 

Diagrama de ishikawa: exemplos de uso!

Existem diversos outros modos de se utilizar o diagrama de ishikawa para além do que já falamos até agora, nas mais diversas áreas de atuação. Por exemplo, veja sua aplicação para pessoas que têm carreira na área de Tecnologia.

Seria fantástico se as pessoas desenvolvedoras não sofressem com problemas e erros. Mas, com toda a demanda do mercado e a constante ampliação da área, desenvolver softwares está cada vez mais semelhante a um processo industrial. Com isso, vem toda a divisão do trabalho e outros modos de gerenciamento, como a autogestão.

Assim, é imprescindível que todas as áreas estejam trabalhando de maneira sistêmica e harmônica. Quando isso não ocorre, é muito comum que o projeto em andamento tenha atrasos, que podem constituir um problema grave para a empresa ou startup para a qual se trabalha. Nesse caso, o diagrama de ishikawa pode ajudar!

Para isso, basta somente adaptar um pouco o significado de cada categoria. Por exemplo, pode ser que o processamento dos computadores utilizados no processo de compilação não seja suficiente, caracterizando uma causa de máquina, ou que a linguagem de programação escolhida seja muito complexa para o tipo de projeto, causando um problema de material. 

Caso as pessoas colaboradoras não tenham domínio da linguagem, o problema seria por conta da mão de obra, e se o tempo estipulado para a produção foi curto, significa que a causa está nas medidas. 

Como outro exemplo, podemos citar a situação de pessoas que trabalham com Marketing de Conteúdo. Nessa área, assim como na programção, os resultados não serão satisfatórios se todos os procedimentos não estiverem alinhados. Da mesma forma, o diagrama de ishikawa será útil para alinhar essas etapas. 

Vamos supor que um determinado blog não receba a quantidade de acessos estimada. Sendo assim, como ficariam as divisões nas categorias do diagrama?

As causas levantadas podem incluir posts que não são bem ranqueados nas páginas de pesquisa por conta de serem rasos e com pouco conteúdo, o que caracterizaria um erro de material. Outro motivo poderia incluir a má estruturação do blog ou seu baixo apelo visual, apresentando uma causa referente ao meio ambiente. Por vezes, as palavras-chave utilizadas não são as mais relevante para o assunto, causa que pode ser incluída na categoria de métodos. 

Esses são apenas alguns exemplos de como flexibilizar o diagrama de ishikawa para que ele possa auxiliar outras áreas e solucionar problemas independentemente de sua carreira

Diagrama de ishikawa: como fazer?

Depois de muito falar sobre o diagrama de ishikawa, chegou o momento de aprender a utilizá-lo. O primeiro passo é reunir uma equipe e garantir que haja um espaço à vista de todos em que se possa escrever e desenhar. Pode ser um quadro branco ou uma cartolina. Uma dica é utilizar canetas de cores diferentes para cada categoria.

1. Decida o problema central

Pode parecer um pouco básico, entretanto, é de suma importância que todas as pessoas colaboradoras tenham em mente qual o problema a ser enfrentado. Portanto, discuta brevemente até que se chegue em um consenso sobre qual é a melhor definição verbal do problema. 

Após isso, desenhe uma seta no centro do quadro ou cartolina no sentido horizontal, parando um pouco antes do final. Escreva o problema na frente da seta, no espaço reservado ao traçar a seta

2. Liste as causas

Faça um brainstorming com a equipe e escreva em um pedaço de papel todas as possíveis causas levantadas para o problema. Não descarte nenhuma ideia. 

3. Categorize as causas

Trace linhas da seta central (ficará parecendo o esqueleto de um peixe), encaixando as seis principais categorias nela. Quando todos os 6M estiverem colocados no diagrama, comece a desenhar linhas menores em cada categoria, encaixando as causas gerais dentro da categoria mais adequada

4. Pergunte

Para cada causa colocada na categoria, pergunte às outras pessoas “Por que isso acontece?”. Vá listando razões para tais causas e adicione mais causas gerais se elas forem surgindo com a pergunta. Pergunte até que não haja mais espaço ou respostas a serem dadas.

5. Revise

Peça à equipe para verificar se há espaços ou brechas no diagrama, se há algo que possa ser acrescentado ou se há lugares que ainda possam ser melhor reforçados. 

Como vimos, o diagrama de Ishikawa é uma ferramenta importante de controle de qualidade e solução de problemas. A partir dele, é possível destacar quais causas são as principais agentes do efeito apresentado. Como consiste de uma ferramenta flexível, ela pode ser utilizada em diversas áreas

Se você achou esse artigo relevante, talvez goste de conhecer mais sobre mapa conceitual, além de descobrir o passo a passo de como fazê-lo

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