Enquanto o mercado de trabalho enfrenta um desemprego crescente em diversas áreas, o setor de tecnologia apresenta um déficit gigantesco de profissionais com qualificação. Ou seja, sobram vagas e faltam pessoas capacitadas para desempenhar as diversas funções relacionadas à atuação tecnológica.

Contudo, mesmo nesse cenário de escassez, as mulheres precisam lidar com a desigualdade de gênero, tão presente na sociedade em geral. A presença de mais profissionais femininas ajudaria a resolver a baixa capacitação na área, mas ainda vemos poucas mulheres nesse setor. Por que isso ocorre?

Para saber quais são os principais desafios enfrentados pelas mulheres na área tecnológica e conhecer figuras importantes na tecnologia, confira os tópicos a seguir:

Boa leitura!

Mercado de trabalho e desafio das mulheres na tecnologia

Segundo a ONU Mulheres Brasil, há poucas mulheres nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Elas representando apenas 35% das pessoas estudantes matriculadas em cursos dessas áreas nas universidades. Além disso, as mulheres ocupam apenas 20% dos cargos no mercado de TI conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE.

A falta de mulheres na tecnologia se dá, principalmente, pela falta de interesse, baixa crença em seu potencial para a área e discriminação de gênero. Incentivadas desde pequenas a brincadeiras de cuidado com bonecas e afins, as meninas crescem com pouco interesse pela tecnologia — enquanto meninos costumam ser mais estimulados e brincar com videogames e computadores.

Essa divisão reflete os estereótipos de gênero construídos ao longo da história. Além disso, adiscriminação no ambiente de trabalho por causa do gênero deixa a maioria das mulheres fora dos cargos mais altos do setor. Entretanto, em uma sociedade que depende cada vez mais da tecnologia, a formação de meninas focada na sua inserção no mercado de TI é um passo importante no combate à desigualdade.

Oportunidades no setor de tecnologia

As mulheres brasileiras vêm buscando seguir carreira em áreas mais inovadoras, criativas e inspiradoras, com opções de trabalho que as desafiem. Apesar dos desafios, o setor da tecnologia não para de crescer e cumpre os critérios idealizados por elas para suas aspirações e seu emprego dos sonhos.

Para quem tem capacitação na área de TI, o mercado é bastante promissor e oferece cada vez mais vagas, pois as empresas que buscam se modernizar e investir em novas ferramentas encontram escassez de profissionais no setor.

Além da baixa oferta de profissionais, temos um movimento de valorização da mulher no mercado de trabalho, com campanhas contra o assédio e a discriminação. Essas iniciativas vem ajudando a criar ambientes profissionais mais respeitosos e atraem empresas que desejam promover uma transformação na cultura organizacional e ganhar mais destaque na sociedade por meio da diversidade.

Desse modo, surgem mais oportunidades para as profissionais na área de TI e, embora ainda estejamos longe de uma realidade igualitária, o cenário tem se apresentado mais favorável graças ao volume de mulheres se capacitando e se qualificando em busca de melhores posições.

As 10 figuras femininas importantes para a tecnologia

Hoje, quem vê as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no mercado, provavelmente não imagina o impacto que a presença feminina sempre teve no setor. Conheça, a seguir, as 10 figuras femininas mais importantes para a tecnologia!

1. Ada Lovelace

Ada Augusta King — a Condessa de Lovelace — viveu durante o século XIX e, desde pequena, demonstrou grande interesse pela matemática, recebendo incentivo de seus pais — Anne Isabella Milbanke e Lord Byron. Considerada uma das precursoras da Ciência da Computação, Ada foi a criadora do primeiro algoritmo da história, que foi processado pela máquina de Charles Babbage.

2. Hedy Lamarr

Se não fossem os esforços da austríaca Hedy Lamarr, provavelmente não teríamos o Wi-Fi. Afinal, foi Hedy — em conjunto com George Antheil — quem criou o sistema base para os telefones celulares que, posteriormente, facilitou o desenvolvimento da tecnologia utilizada nas redes Wi-Fi, no Bluetooth e no GPS.

3. Garotas do ENIAC

“Garotas do ENIAC” foi um grupo composto por seis mulheres consideradas as primeiras computers da história da informática e responsáveis pela configuração do ENIAC. O grupo — formado por Betty Snyder, Marlyn Wescoff, Fran Bilas, Kay McNulty, Ruth Lichterman e Adele Goldstine — lidava, manualmente, com milhares de botões para dar ao ENIAC as instruções necessárias para realizar os cálculos.

4. Dorothy Vaughan

Dorothy Vaughan trabalhou como computer na NASA por 28 anos realizando cálculos ou conferindo aqueles realizados pelos computadores. Devido ao seu talento na área de decodificação, foi uma peça-chave na implementação do Fortran — sistema de linguagem de programação da NASA nos anos 50.

5. Mary Kenneth Keller

Mary Kenneth Keller foi a primeira mulher reconhecida por receber um Doutorado em Ciências da Computação. Sua contribuição foi fundamental para a concepção da linguagem de programação BASIC, criada para fins didáticos.

6. Jean Sammet

Com duas formações em matemática — uma pela Universidade de Illinois e outra pelo Mount Holyoke College — Jean Sammet foi a criadora de uma das primeiras e mais importantes linguagens computadorizadas, o FORMAC, que foi usado no final da década de 1960 pela IBM, onde Jean trabalhou por 27 anos.

7. Grace Hopper

Grace Hopper foi a primeira mulher a conquistar um PhD na prestigiada Universidade de Yale, nos Estados Unidos e, além das inúmeras contribuições ao campo da computação, ela foi a responsável por identificar e resolver problemas relacionados a falhas de funcionamento em softwares. Hopper também criou linguagens de programação para o UNIVAC, o primeiro computador comercial fabricado nos Estados Unidos. 

8. Radia Perlman

Considerada por muitos como a mãe da internet, Radia Perlman foi responsável pela criação do protocolo STP (Spanning Tree Protocol) — que garante o tráfego de informações mesmo em caso de problemas — e por diversos protocolos de segurança de rede.

9. Carol Shaw

Nascida na Califórnia, em 1955, Carol Shaw se tornou uma notória engenheira de software para microprocessadores e criou o primeiro sistema de geração procedural de conteúdo, além de ter sido a primeira mulher a trabalhar na indústria dos games.

10. Susan Wojciki

Atual CEO do YouTube, Susan Wojciki é uma das mulheres mais poderosas no mundo da tecnologia. Foi em sua garagem que Larry Page e Sergey Brin montaram o primeiro escritório do Google, companhia para a qual Susan trabalhou. Além disso, Wojciki ajudou a desenvolver ferramentas como o Google Imagens e Google Books.

Iniciativas para a inserção de mulheres na tecnologia

Muitas meninas têm interesse no campo da ciência e tecnologia, mas apenas um pequeno percentual delas realmente consegue ingressar e se estabelecer na área. Para resolver esse problema, foram criados diversos programas de incentivo às meninas e mulheres no mundo tecnológico. Conheça, a seguir, algumas dessas iniciativas!

InfoPreta

A empresa InfoPreta presta diversos serviços tecnológicos, como manutenção de computadores, higienização, consultoria, suporte técnico, backup e formatação, desenvolvimento de sites e aplicativos, entre outros. Seu quadro de profissionais é formado por mulheres negras ou que façam parte das minorias.

PrograMaria

O PrograMaria surgiu em resposta à dificuldade das mulheres em ingressar na área da programação e, para contribuir com o ingresso feminino nesse mercado, oferece cursos técnicos, eventos e oficinas para mulheres que querem iniciar no mundo da programação.

Reprograma

Com o objetivo de ensinar programação para mulheres, o Reprograma oferece um curso intensivo gratuito, no qual as alunas têm acesso a conteúdos sobre linguagem HTML, CCS, Javascript, JQuery, Bootstrap, React, além de UX Design e Business Model Canvas.

Além disso, as estudantes da Trybe também criaram uma iniciativa para a estimulação de mulheres da Tecnologia, o “Elas Codam”. Segundo o site do projeto, a ideia surgiu da vontade de criar uma comunidade de apoio mútuo entre alunas da Trybe, sendo um espaço aberto para discussões, que vão desde a inclusão das mulheres no setor de tecnologia até suas dificuldades e experiências.

Como vimos, a presença das mulheres na tecnologia é crescente, mas está longe do ideal! Ainda assim, a tendência das empresas é contribuir com a diminuição da desigualdade de gênero, ampliando seu espaço no mercado. Assim, quem se interessa pela área deve buscar capacitação para aproveitar a escassez de profissionais e ingressar nesse setor.

Gostou do conteúdo? Agora que você já sabe como a área tecnológica é promissora, descubra como construir uma carreira em tecnologia sem experiência profissional.

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