De acordo com o relatório do SuperData, o mercado de jogos movimentou em 2019 mais de 120 bilhões de dólares. Em termos práticos, o que essa informação quer dizer? Que os jogos eletrônicos não são apenas consumidos por muitas pessoas, mas também que existe bastante gente desenvolvendo esse tipo de aplicação.

Vale também destacar que, em termos de faturamento, os games mobile lideram essa lista, seguidos pelos jogos de PC e de console. Se você deseja saber como criar um jogo, este conteúdo é para você!

Ao longo do artigo, apresentamos:

  • Tenha um planejamento para criar o jogo
  • Enredo
  • Linguagem e tecnologias usadas
  • Faça um protótipo do jogo
  • Desenvolvimento: é hora da mão na massa!
  • Teste seu jogo: é hora de descobrir em que você pode melhorar
  • Divulgue: é hora de mostrar seu trabalho e quem sabe até vender!

Boa leitura!

Tenha um planejamento para criar o jogo

Antes de desenvolver um game, a primeira coisa a se fazer é o planejamento. É nessa primeira etapa que você terá o brainstorming, de modo que muitas ideias surgirão. Depois disso, tudo o que foi colocado no papel deve ser refinado para dar origem ao planejamento do jogo. Ao planejá-lo, leve em consideração os seguintes itens:

Mecânica

A mecânica consiste nas regras do jogo, bem como no seu funcionamento como um todo. Caso você ainda seja iniciante, é importante começar com algo simples, para que os projetos se tornem naturalmente mais complexos com o passar do tempo.

Ressaltamos ainda que a mecânica é em função do tipo de jogo que será desenvolvido. Dentre as principais categorias, podemos citar:

  • aventura;
  • estratégia;
  • ação;
  • simulação;
  • tabuleiro;
  • esportes;
  • corrida;
  • RPG.

Além das regras do jogo e da sua categoria, é importante definir o número de fases que ele terá, quantidade de jogadores e se funcionará online e offline.

Enredo para jogos

Muito provavelmente os games que você joga são cheios de histórias, não é? Saiba que esse componente é indispensável quando pensamos em como criar um jogo, uma vez que uma boa narrativa (ou enredo) tem o poder de cativar as pessoas, fazendo com que elas queiram de fato passar boa parte de seu tempo jogando aquele game.

Para criar um bom enredo, é preciso definir primeiramente qual será a história central para que outros aspectos secundários sejam também definidos. Dentre os elementos que você precisa criar, estão inclusos:

  • protagonista da história, bem como antagonista;
  • personagens secundários;
  • cenário — se dentro de uma casa, castelo, ou em uma floresta, por exemplo;
  • definição temporal — se ele remeterá ao passado, presente ou futuro.

Vale ressaltar que, se você for desenvolver o seu jogo pela primeira vez, leve em consideração que a história pode conter ou não os elementos que citamos.

Em outras palavras, optar pela simplicidade em um primeiro projeto fará com que você adquira uma maior expertise com o passar do tempo. Dessa forma, em um futuro próximo será possível desenvolver narrativas parecidas com as dos games mais conhecidos pelo público.

Linguagem e tecnologias usadas

Depois de criar uma boa narrativa, é chegada a hora de definir as tecnologias e as linguagens. No tocante ao primeiro aspecto, você deve planejar a dimensão do jogo (se será em 2D ou 3D).

Além disso, é necessário saber onde esse game rodará, se no smartphone, computador ou no console.

A escolha da plataforma está diretamente relacionada com a mecânica do jogo. Isso significa que, se você desenvolveu um game para console, por exemplo, precisará ter em mente a experiência do jogo não será igual em um outro dispositivo, como um tablet.

Para quem domina linguagens de programação, o desenvolvimento de jogos pode ser feito com mais autonomia, explorando ao máximo a criatividade. Convém destacar, no entanto, que as pessoas com pouco ou nenhum conhecimento em programação também podem desenvolver os seus games.

É justamente para isso que existem as chamadas engines, que são plataformas dotadas de recursos para quem desejar criar um jogo.

Faça um protótipo do jogo

O protótipo consiste em uma versão simplificada do jogo. Com isso, é possível implementar todas as suas funcionalidades e verificar se ele está apto ou não para a próxima etapa. Caso o seu projeto tenha patrocínio ou apoio, o protótipo será de grande importância.

Assim como no caso do desenvolvimento em si, você pode utilizar engines para fazer o protótipo. Algumas delas você pode conferir nas subseções a seguir.

RPG Maker

Se você deseja prototipar um jogo RPG, essa é uma engine bastante recomendada. Além disso, quem está iniciando na criação de games encontra várias facilidades nessa ferramenta. Antes, o RPG Maker MV rodava em Ruby, mas atualmente os plugins são desenvolvidos em JavaScript.

Game Maker

Assim como o RPG Maker, o Game Maker permite o desenvolvimento de jogos sem precisar de muitos conhecimentos em programação. Além de ser uma engine com um leque grande de possibilidades para jogos em 2D, o Game Maker tem uma versão gratuita.

Desenvolvimento: é hora da mão na massa!

Como foi falado, você pode desenvolver um jogo por meio de uma linguagem de programação ou com a ajuda de uma engine. Se você domina JavaScript, C++ e Python, saiba que com essas linguagens é possível desenvolver qualquer tipo de jogo.

Já as engines mais conhecidas para a fase do desenvolvimento você pode conferir nas subseções a seguir:

Unity

O Unity é um ambiente de desenvolvimento para games. Dentre as suas características principais podemos citar:

  • a programação pode ser feita em C# ou Java Script;
  • compatível com os principais navegadores, graças à extensão Unix Web Player;
  • suporta PhysX, que é responsável por aumentar o realismo em jogos tridimensionais.

Godot

Uma característica importante do Godot diz respeito à facilidade de aprendizado na engine. Para quem tem domínio de programação, permite implementações na própria linguagem do Godot, a GDScript, em C++ e C#.

O Godot fornece suporte para o desenvolvimento de jogos em 2D e 3D em várias plataformas.

Vale ainda salientar que o código dessa engine é aberto, bem como a sua licença de uso é do tipo MIT, que permite modificar e distribuir o software.

Construct2

O Construct 2 é baseado em HTML e JavaScript. É uma boa ferramenta para o desenvolvimento de jogos bidimensionais. Para quem tem pouco conhecimento em programação, a engine permite que o game seja criado apenas visualmente, por meio de eventos e ações.

Teste seu jogo: é hora de descobrir em que você pode melhorar!

Após desenvolver o jogo, a próxima etapa é fazer uma bateria de testes. Nessa fase, você entregará a aplicação para que alguém a use, no intuito de encontrar inconsistências e bugs. Além disso, o teste ajuda em aspectos como a mecânica e o enredo.

Quem for jogar dará um feedback acerca do entendimento a respeito do jogo e se aquela história contada é de fato coerente e envolvente. Além de correções, diversas melhorias podem ser implementadas acerca da usabilidade do jogo.

A equipe de desenvolvimento não deve fazer o teste do jogo

Se o desenvolvimento do jogo foi em equipe, é conveniente que esta não faça o teste. Isso porque essa etapa envolve uma série de procedimentos.

A divisão das responsabilidades é algo que deve ser prezado em desenvolvimento de software como um todo, principalmente em metodologias ágeis.

Testar um jogo, ao contrário do que alguns podem pensar, exige bastante. É preciso, por exemplo, ficar bastante tempo testando uma única fase do game. Isso é útil no intuito de encontrar bugs e inconsistências, até identificar um padrão que se repete.

Dessa forma, o testador informa o erro à equipe de desenvolvimento e, posteriormente, alguém é notificado para corrigi-lo.

Softwares de testes para jogos

Tendo visto o grande trabalho que é uma bateria de testes para jogos, foram desenvolvidos softwares responsáveis pela automatização de algumas partes do procedimento.

Aqui podemos enxergar como uma segunda prototipagem do jogo. Além disso, é possível fazer esse protótipo de forma rápida focando em apenas um aspecto do game.

Cuidados na hora de entregar a versão de testes

Logo de início, é preciso saber se a pessoa usuária fará o teste da forma correta. Em outras palavras, a avaliação não deve levar em conta nenhum outro aspecto que não seja o de dar um feedback acerca da mecânica, enredo e outros elementos de um jogo.

Gestão de erros em jogos

O procedimento de teste pode ainda contar com um software responsável por gerenciar os erros. Um exemplo dessa aplicação é o Mantis. Essa ferramenta vai muito além de somente identificar bugs e inconsistências.

Ela fornece relatórios detalhados contendo informações sobre aspectos como o tipo e a frequência de um erro. Com isso, a equipe de desenvolvimento faz uma depuração muito mais precisa e com chances reais de obter sucesso em uma bateria de testes futura.

Cronograma de testes

De acordo com o famoso livro Manual de Produção de Jogos Digitais, os jogos desenvolvidos devem passar por um cronograma de testes, bem como itens referentes a:

  • demo, consiste na versão de demonstração do jogo. É usado também para fins de publicidade da aplicação;
  • playtest, é a equipe responsável pela bateria de testes;
  • código apto para a liberação, consiste na liberação das partes da aplicação pelo teste, com autorização da equipe desenvolvedora.

Plano de testes

Além do cronograma, deve-se lançar mão de um plano ou checklist de testes, essa é uma importante etapa quando pensamos em como criar um jogo. Nesse caso, são desenvolvidos relatórios sobre os resultados obtidos. Vale salientar a importância dos recursos visuais na hora de testar o jogo, como vídeos da sua execução e capturas de tela.

Ainda sobre o plano de testes, deve-se levar em conta também se todas as condições são favoráveis para o procedimento. Em outras palavras, se um jogo for multiplayer e na ocasião só tiver um testador, por exemplo, o teste não será realizado.

Se isso acontecer, será preciso notificar a equipe desenvolvedora, de modo que essa pendência seja resolvida em um outro momento.

Registro de bugs

Aprender a como criar um jogo não é uma tarefa tão difícil. Mas dentro desse processo podem surgir problemas e bugs. Entre eles podemos citar:

  • versão em que o jogo foi testado;
  • o sistema operacional desktop ou mobile em que o erro ocorreu;
  • categoria do erro, que pode ser de design, projeto ou programação;
  • resumo e descrição detalhada do bug;
  • prioridade — informa à equipe de desenvolvimento qual erro deve ser resolvido primeiro;
  • passo a passo de como chegar àquele determinado bug;
  • capturas de tela contendo imagens relacionadas ao erro na aplicação;
  • log de interrupção — arquivo que auxilia a equipe desenvolvedora a identificar mais rapidamente onde um bug ocorreu.

Divulgue: é hora de mostrar seu trabalho e quem sabe até vender!

Depois que o jogo passou pelo crivo dos testes, finalmente chegou a hora de divulgá-lo! Se o seu aplicativo for mobile, por exemplo, é possível cadastrá-lo para o download na Play Store ou Apple Store.

Mesmo que o jogo seja gratuito, é possível monetizá-lo por meio de anúncios que podem ser veiculados nas transições de fase do jogo, no intuito de não prejudicar a experiência da pessoa usuária. Ou ainda, pode-se vender itens adicionais dentro do próprio aplicativo.

Divulgação do jogo na Steam

Agora, caso tenha sido desenvolvido para PC, existem duas opções de divulgação. A primeira diz respeito a criar um website e disponibilizá-lo por lá para o download. A segunda forma é divulgando na Steam, que é uma loja de jogos para computador.

Outra forma interessante de tornar o seu jogo conhecido é distribuir ele para as pessoas mais próximas ou criando algum perfil em rede social ou um canal sobre jogos no YouTube para divulgá-lo às pessoas do mundo inteiro.

O mercado de games, principalmente o mobile, anda bastante aquecido. Por isso, aprender como criar um jogo pode vir a se tornar uma fonte de renda.

Como foi visto ao longo do texto, tudo começa com um planejamento minucioso da aplicação que será desenvolvida. Depois, deve-se pensar na mecânica, no enredo e na prototipagem, antes de desenvolver o jogo em si. Em seguida, deve-se testar o jogo e, por último, divulgá-lo.

Gostou do assunto? Veja agora como iniciar seus estudos em programação para que possa fazer games ainda melhores!

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