Criada em 1959, o Cobol é uma das linguagens mais antigas do universo da programação. Com mais de 60 anos de história, mesmo tendo se tornado praticamente obsoleta, ainda consegue permanecer relevante no segmento.

Ela surgiu quando um grupo de empresas de tecnologia, entre elas a IBM, e órgãos governamentais dos EUA se reuniram para criar uma linguagem de programação capaz de facilitar o controle dos negócios e que pudesse ser utilizada em diferentes computadores.

Quer conhecer melhor o Cobol e entender por que ele tem sobrevivido ao tempo? Então, leia o post e confira:

  • O que é Cobol?
  • Quais os principais conceitos dessa linguagem de programação?
  • Porquê o Cobol tem sobrevivido ao tempo
  • Como é o mercado de trabalho para quem programa em Cobol?

Boa leitura!

O que é Cobol?

O Cobol, ou Common Business Oriented Language, é uma linguagem de programação de alto nível que, como o próprio nome indica, é voltada para o mercado corporativo

Ela foi implementada por um comitê denominado CODASYL e tinha o objetivo de facilitar o processamento de dados de negócios, o que rapidamente fez com que se tornasse a primeira linguagem de alto nível amplamente utilizada no mercado, especialmente em sistemas mainframes. 

Trata-se também de uma linguagem compilada, segura, flexível e com elevada capacidade de processamento, que foi desenvolvida com base em outras duas linguagens: FLOW-MATIC e COMTRAN.

Apesar de ter caído em desuso nos últimos anos, a linguagem passou por modernizações que favoreceram sua portabilidade, permitindo programar em Cobol em plataformas Linux, Windows, JVM, .NET e em Cloud.

Quais os principais conceitos dessa linguagem de programação?

Agora que você já sabe o que é o Cobol, vejamos quais são os principais conceitos dessa linguagem.

Linguagem padrão

Em 1968, a ANSI desenvolveu a primeira especificação padrão do Cobol. Isso significa que ele é compatível com diferentes plataformas e, por isso, os códigos escritos em Cobol podem ser compilados e executados em diversos sistemas.

Linguagem orientada para negócios

A linguagem Cobol foi criada com o objetivo de oferecer maior controle aos negócios — especialmente para as instituições ligadas à área financeira. Devido à sua elevada capacidade de processamento e às normas específicas de segurança que foram desenvolvidas ao longo das décadas, o Cobol ainda é considerado uma das melhores linguagens para a área corporativa.

Robustez

O Cobol é também uma linguagem poderosa quando se trata de erros de software, os famosos bugs. Isso porque ela oferece um grande número de ferramentas de debug e testes para diversas plataformas, o que ajuda a pessoa desenvolvedora a escrever códigos robustos e sem erros.

Simplicidade

Outra característica dessa linguagem é que, inicialmente, ela foi criada com o intuito de ser simples e direta. Por isso, o Cobol apresenta um escopo de função limitado, não permitindo a definição de ponteiros, funções e tipos.

Autodocumentação

Permitir que pessoas leigas em programação conseguissem entender uma aplicação escrita em Cobol também era um dos objetivos da sua criação. Assim, sua sintaxe foi desenvolvida utilizando elementos estruturais semelhantes ao inglês, o que favoreceu a legibilidade, documentação e manutenção dos códigos. 

Linguagem estruturada

Por fim, trata-se de uma linguagem que segue o paradigma estruturado, ou seja, os programas são escritos em estruturas lineares simples de subrotinas, iterações e funções. Ela fornece também organizações de controle lógico como, if, else e evaluate. No entanto, apesar de ter sido projetada como uma linguagem estruturada, em 2002 foi lançada uma versão orientada a objetos.

Por que o Cobol tem sobrevivido ao tempo?

De acordo com a Micro Focus, empresa especializada em transformação digital, cerca de 70% do processamento de transações empresariais ainda depende de sistemas escritos em Cobol

A principal razão disso é a dificuldade enfrentada pelas empresas para migrarem seus softwares para linguagens mais modernas. Afinal, trata-se de um processo complexo, visto que muitas aplicações com milhões de linhas de código e diversas regras de negócio nem sequer apresentam uma documentação.

Aliado a esse fator, há ainda o alto custo da operação que, para muitas companhias, não compensa. Pois, se seus sistemas funcionam bem com Cobol, são seguros, robustos e escaláveis, não vale a pena investir tanto e correr o risco de perder essa confiabilidade.

Por fim, outro aspecto que dificulta esse processo é a pequeno número de pessoas com experiência no desenvolvimento em Cobol disponíveis no mercado de TI.

Uma curiosidade interessante, que mostra o quanto o Cobol ainda sobrevive ao tempo, é a sua colocação no Índice Tiobe, que é um ranking organizado e atualizado mensalmente pela empresa Tiobe que busca mostrar quais são as linguagens mais populares do momento.

Vale ressaltar que o índice não mede o quanto uma linguagem é usada, mas tenta presumir sua “popularidade”, baseando-se em métricas como índices de buscas em mecanismos de pesquisas, quantidade de cursos de programação disponíveis, número de pessoas com experiência naquela linguagem, entre outros. 

Atualmente, o Cobol ocupa o 25º lugar — uma posição até surpreendente para uma linguagem sexagenária.

Como é o mercado de trabalho para quem programa em Cobol?

Atualmente, o Cobol encontra-se em desuso quando se trata da criação de novos sistemas com a linguagem. No entanto, devido ao seu grande legado, a principal demanda de trabalho é para a manutenção e atualização de sistemas antigos, muitos deles ligados à área financeira, comercial e administrativa de empresas e governos. 

O problema é que o mercado enfrenta uma escassez de pessoas qualificadas para lidar com a linguagem, o que acabou fazendo com que o Cobol se tornasse um diferencial no currículo de quem trabalha com desenvolvimento de software

Assim, no Brasil, uma pessoa iniciante com programação em Cobol (menos de 3 anos de experiência) recebe em média R$ 2.050. Já para um cargo de programador ou programadora sênior, pode-se esperar um salário médio de R$ 6.800.

No mais, um fato interessante a ser ressaltado é que, devido à pandemia causada pela Covid-19, a busca por especialistas em Cobol tem crescido, inclusive na IBM. Isso porque a crise gerou um aumento no acesso a sistemas antigos em diversas partes do mundo. A demanda subiu de forma tão repentina e elevada que foi aberto até um fórum no Open Mainframe Project Community para conectar empresas e profissionais da área.

Agora você já sabe o que é Cobol e entende os motivos que fizeram dele uma das linguagens mais importantes da história da computação. Mesmo estando um tanto obsoleta, trata-se de uma tecnologia poderosa que, certamente, ainda tem alguns anos de sobrevivência pela frente.

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